sexta-feira, 5 de abril de 2013

Marcia Cazer / 2012


 Iniciamos os trabalhos no dia 06 de fevereiro com os seguintes objetivos:
1 – Terminar o espetáculo de palhaço;
2 – Começar um processo de pesquisa para um novo espetáculo da COMEDIA DELL’ARTE;
3 – Pensar um espetáculo adulto;
4 – Nos inscrever no Festival de Congonhas, MG (PROFEST).
Iniciamos lendo o texto “A Loucura de Isabela” (Flamínio Scala). Célia pediu pra pesquisarmos textos, imagens, vídeos nas bibliotecas sobre a Comedia dell’Arte e trazer na última semana de março.
Depois fizemos exercícios, alongamentos, acordar o corpo, abertura dos canais, Paulo Coelho, aquecimento. Nosso corpo lembrou a maior parte dos movimentos.
Esse  ano trabalharemos mais um dia, que é a segunda-feira.
Notícia triste foi a saída da Juliana, que fez um discurso agradecendo a todos, porém precisava de tempo pra terminar a faculdade.

Os Clowns Bailarinos
Nessas primeiras semanas fizemos bastantes exercícios e limpamos as cenas do espetáculo de palhaço.
Em março fizemos uma mesa de leitura e cada um defendeu um texto para apresentar (CANOVACCI).
Em abril entregamos as pesquisas sobre a comédia dell’arte e Célia ficou muito feliz, pois cada um aprofundou em um assunto: música, texto, máscaras, figurinos. Ela levou os materiais para reproduzir para todos.
Em 21 de maio passamos o espetáculo de palhaço completo, porém a Célia disse que estava sem ritmo e automático. Era preciso se tornar mais orgânico.
Em 30 de maio passamos todo o espetáculo com figurino, porém sem maquiagem. A Célia disse que às vezes perdemos nosso palhaço em cena.
De 1 a 3 de junho fomos apresentar o espetáculo “Os Clowns Bailarinos” no PROFEST (Festival de Congonhas, MG).
O Espetáculo  demorou  para começar, o som não estava bom, mas estreamos. Depois dois jurados vieram conversar conosco no camarim. Disseram que o espetáculo estava bonito, porém muito rápido; que o rosto dos atores já denunciava as ações antes delas acontecerem; que poderíamos aproveitar mais a plateia. Em termos da organização do festival, falhou em vários aspectos: luz, som, pessoal, atropelamento dos espetáculos, critérios do júri não muito claros, mas valeu como experiência. A Célia elogiou o trabalho de Saulo e Lucas, hoje nossos melhores clowns.
Em 13 de junho, Célia coloca na roda a ideia de trabalharmos o projeto da Comédia dell’Arte dom diferentes oficinas: canto, circo, danças populares. Ficamos de procurar profissionais para o orçamento. A Célia propôs que o Lucas dirigisse uma leitura dramatizada, falou da vontade de fazer um espetáculo com um cortejo e algumas paradas para cenas.
Em 27 de junho, estreamos oficialmente no Teatrão “Os Clowns Bailarinos” para aproximadamente 500 alunos da rede pública. Que diferença de MG! A qualidade da energia da plateia que reagia a tudo, atentos a todas as ações. A troca foi incrível!
“A gente não tem a dimensão do alcance de um bom espetáculo” (Victor)
Todos  ficamos muito felizes e mais a vontade no palco e improvisamos mais. Foi ótimo! Saímos energizados.
Lucas propôs a leitura do texto “Senhora dos Afogados” (Nelson Rodrigues), pediu pra pesquisarmos músicas de domínio público relacionadas ao mar. Como o teatrão está em obras, iremos estudar a teoria de Nelson Rodrigues.

Nelson Rodrigues
Em 9 de julho, iniciamos os trabalhos sob a orientação de Lucas Matos para a leitura dramatizada de “Senhora dos Afogados”.
Em 12 de julho, tivemos mais uma perda: Luiza sai da companhia para assumir o comando de greve em Brasília. Célia comunica que não fará a Avó. Lucas repensa os papeis e põe Luana como Moema e eu como Avó.
Em 16 de julho, passamos todo o primeiro ato. Fomos divididos em 3 grupos: sonoplastia, vizinhos e mulheres. As falas estão um pouco sem intenção e a velha precisa ser mais agressiva e insana.
Em 18 de julho, fizemos exercícios de respiração e sonorização com a vibração de partes diferentes do corpo. Começamos a trabalhar variações nas falas, no texto e deu certo, encontrei uma voz mais grave para a Avó.
O primeiro ato completo deu 15 minutos. A sonoplastia criou coisas boas: chegada, tambor e mar, o almoço marcado com a batida de talheres. Victor entrou com a fala do Paulo hoje. Passamos o primeiro ato duas vezes. O exercício anterior melhorou muito nosso desempenho, resolvemos fazer sempre. O Lucas cobrou a pesquisa sobre a vida de Nelson Rodrigues, músicas folclóricas sobre mar e poesias.
Em 6 de agosto, cheguei 30 minutos antes para fazer exercícios com o Lucas de tonalidades de voz para melhorar a Avó. Várias tentativas: mais agudo, mais grave, mediano, lento, mais rápido. O que funcionou foi o mais grave e mais rápido, mas às vezes perco a intenção. Passamos o primeiro ato duas vezes.
Em 8 de agosto, cheguei cedo para ensaiar a voz da Avó com a Célia. Ela pediu pra eu buscar uma voz rouca, colocando um movimento com as mãos e funcionou.
Em 13 de agosto, fizemos uma roda pra discutirmos se íamos ou não nos apresentar na Semana de Nelson Rodrigues, na COART. Por fim, percebemos que não iria dar tempo de estar tudo pronto e não queríamos apresentar o trabalho de qualquer forma. Preferimos apresentar na UERJ sem Muros, pois teríamos mais tempo.
Em 20 de agosto, cantamos parabéns pra Célia e Lucas colocou que seriam 3 músicas: entrada, meio e saída. Ele também aceitou minha sugestão: “É Doce Morrer no Mar” (Dorival Caymmi) e pediu pra eu ouvir “Sargaço Mar” (Caymmi).
Em 29 de agosto, começamos a criar as ações físicas para o texto: entrada das lavadeiras ao som do acordeon tocado pelo Victor (É Doce Morrer no Mar...). Aline, Luana e eu entramos, sentamos, esfregando a roupa e lendo a primeira parte do texto. Ficou bonito!
Em 5 de outubro houve a apresentação de “Os Clowns Bailarinos” no Teatro da UERJ, às 14h. Chegamos às 8h, arrumamos o palco e passamos a luz, o som e as ações, até 13:40h. Tínhamos 20 minutos para se arrumar e maquiar. Ao final do espetáculo, fomos falar com o público (alunos da rede pública), limpar tudo e guardar todo o material cênico. O espetáculo não ficou tão bom quanto o primeiro, modificamos algumas marcas, por conta da saída da Luiza. O professor Roberto veio hoje e quem nos avaliou foi a professora Cássia Frade. Fomos 80% hoje. Fiquei irritada, pois estava muito tempo sem comer, desde as 8h.
Em 17 de outubro aconteceu a apresentação da leitura de “Senhora dos Afogados” de Nelson Rodrigues, na sala 03 da COART, às 18h. Chegamos às 11h fizemos uma instalação no cenário, com textos datilografados na parede, livros pendurados e no chão, papel celofane nas lâmpadas e tule roxo, preto e azul, mais uma máquina de escrever antiga e um rádio. O cenário ficou lindíssimo! Às 16h paramos, tivemos 20 minutos para comer. Voltamos passamos tudo com a sala escura.
A leitura foi com energia, não erramos tanto o texto, mas ainda estamos inseguros. Porém, a concentração estava boa, dava para sentir pela proximidade com o público. Ao final a professora de Dança, Maria Lúcia, veio conversar comigo e disse que ficou surpresa, pois esperava ouvir apenas uma leitura comum do texto de Nelson Rodrigues, que devíamos arriscar mais e fazer textos adultos, pois estamos amadurecendo. Disse também que percebeu a ritualística característica do grupo em todos os espetáculos, nas ações ao tocar os instrumentos. Fiquei contente com o resultado, nos superamos mais uma vez!
Em 22 de outubro, fizemos uma avaliação do espetáculo. Vimos a filmagem da apresentação e cada um colocou uma impressão sobre a leitura. Eu disse que é muito difícil ver uma boa montagem de Nelson (até hoje só vi uma, a do Armazém), mas a nossa ficou respeitável, com muita dignidade. Célia, Lucas e Saulo colocaram que o texto ainda não está fluindo bem.
Em 24 de outubro, a Companhia sofre uma grande perda: Lucas deixa de participar, pois foi convidado pelo grupo Moitará para uma montagem.

Oficina de Perna-de-pau
Em 7 de novembro, iniciamos a oficina de perna-de-pau com alongamento. Trabalhamos em duplas, um  segura e o outro anda com a perna. Nesse primeiro dia Pauline e Saulo se saíram muito bem, enquanto Fernanda e Aline tiveram mais dificuldades. O professor disse que fui bem e que só preciso perder o medo e deu a dica de cair sempre para frente, pois os joelhos estão protegidos.
Em 12 de dezembro, último dia da oficina de perna-de-pau, de três em três, sobre as pernas, fizemos um cortejo cantando a música “Flor, Minha Flor”. Depois cada um do trio falava um trecho que tinha no texto de Romeu e Julieta, fazendo um personagem com um adereço.
Eugênio disse que ficou muito feliz por trabalhar conosco.
É a primeira vez que estamos sozinhos na perna-de-pau, segurando um instrumento e falando o texto. Acho que vamos melhorar. Já estamos todos andando na perna-de-pau, praticamente sem ajuda.

Conclusão
Esse ano, fiquei  muito feliz com o projeto! Adoro fazer o espetáculo: “Os Clowns Bailarinos”, a Pipi, minha palhaça, é um presente para mim! Realmente, quando esse processo começou, não acreditava que iria conseguir ter minha palhaça e achei que iria acabar fazendo a sonoplastia ou outra coisa para ajudar, porém os exercícios foram fazendo com que chegássemos lá  e  um dia, em um exercício coletivo, ela nasceu. Me  lembro  que era uma cena corrida e ela ficava parada enquanto todo mundo se desesperava para alcançar a chegada. Ela ficou sozinha se achando a maior. Ver meus colegas, na roda desse dia, falando e rindo dela, dizendo que ela era boa, foi um presente para mim. Ela é muito levada e assanhada, faz coisas que socialmente a “Marcia” não faria e me fez sentir muito feliz com o retorno das crianças que vem falar com ela, após os espetáculos. Fico pensando, onde será que o teatro vai me levar? É sempre um grande desafio! Esse ano, em uma semana, tive que aprender a andar de patins para uma cena. Em dois meses aprendi a andar na perna-de-pau.A construção da minha palhaça foi dolorida no começo mas depois foi um grande presente.Só posso agradecer ao projeto na pessoa da professora: Maricélia Bispo e do professor:Roberto Dória pelo respeito ao teatro,pelo investimento no humano,no lírico por acreditar em nós sempre,por nos desafiar e brigar com os outros e conosco pelo nosso melhor.Obrigado Mestres!!!
 Que possamos sempre mergulhar nos bons braços do teatro e que ele nos leve a criar e compartilhar um mundo melhor...

Nenhum comentário:

Postar um comentário