Iniciamos os trabalhos no dia 06 de fevereiro com os
seguintes objetivos:
1 – Terminar o espetáculo de palhaço;
2 – Começar um processo de pesquisa para um novo espetáculo
da COMEDIA DELL’ARTE;
3 – Pensar um espetáculo adulto;
4 – Nos inscrever no Festival de Congonhas, MG (PROFEST).
Iniciamos lendo o texto “A Loucura de Isabela” (Flamínio
Scala). Célia pediu pra pesquisarmos textos, imagens, vídeos nas bibliotecas
sobre a Comedia dell’Arte e trazer na última semana de março.
Depois fizemos exercícios, alongamentos, acordar o corpo,
abertura dos canais, Paulo Coelho, aquecimento. Nosso corpo lembrou a maior
parte dos movimentos.
Esse ano
trabalharemos mais um dia, que é a segunda-feira.
Notícia triste foi a saída da Juliana, que fez um discurso
agradecendo a todos, porém precisava de tempo pra terminar a faculdade.
Os Clowns Bailarinos
Nessas primeiras semanas fizemos bastantes exercícios e
limpamos as cenas do espetáculo de palhaço.
Em março fizemos uma mesa de leitura e cada um defendeu um
texto para apresentar (CANOVACCI).
Em abril entregamos as pesquisas sobre a comédia dell’arte e
Célia ficou muito feliz, pois cada um aprofundou em um assunto: música, texto,
máscaras, figurinos. Ela levou os materiais para reproduzir para todos.
Em 21 de maio passamos o espetáculo de palhaço completo,
porém a Célia disse que estava sem ritmo e automático. Era preciso se tornar
mais orgânico.
Em 30 de maio passamos todo o espetáculo com figurino, porém
sem maquiagem. A Célia disse que às vezes perdemos nosso palhaço em cena.
De 1 a 3 de junho fomos apresentar o espetáculo “Os Clowns
Bailarinos” no PROFEST (Festival de Congonhas, MG).
O Espetáculo demorou para começar, o som não estava bom, mas
estreamos. Depois dois jurados vieram conversar conosco no camarim. Disseram
que o espetáculo estava bonito, porém muito rápido; que o rosto dos atores já
denunciava as ações antes delas acontecerem; que poderíamos aproveitar mais a
plateia. Em termos da organização do festival, falhou em vários aspectos: luz,
som, pessoal, atropelamento dos espetáculos, critérios do júri não muito
claros, mas valeu como experiência. A Célia elogiou o trabalho de Saulo e
Lucas, hoje nossos melhores clowns.
Em 13 de junho, Célia coloca na roda a ideia de trabalharmos
o projeto da Comédia dell’Arte dom diferentes oficinas: canto, circo, danças
populares. Ficamos de procurar profissionais para o orçamento. A Célia propôs
que o Lucas dirigisse uma leitura dramatizada, falou da vontade de fazer um espetáculo
com um cortejo e algumas paradas para cenas.
Em 27 de junho, estreamos oficialmente no Teatrão “Os Clowns
Bailarinos” para aproximadamente 500 alunos da rede pública. Que diferença de
MG! A qualidade da energia da plateia que reagia a tudo, atentos a todas as
ações. A troca foi incrível!
“A gente não tem a dimensão do alcance de um bom espetáculo”
(Victor)
Todos ficamos muito
felizes e mais a vontade no palco e improvisamos mais. Foi ótimo! Saímos
energizados.
Lucas propôs a leitura do texto “Senhora dos Afogados”
(Nelson Rodrigues), pediu pra pesquisarmos músicas de domínio público
relacionadas ao mar. Como o teatrão está em obras, iremos estudar a teoria de
Nelson Rodrigues.
Nelson Rodrigues
Em 9 de julho, iniciamos os trabalhos sob a orientação de
Lucas Matos para a leitura dramatizada de “Senhora dos Afogados”.
Em 12 de julho, tivemos mais uma perda: Luiza sai da
companhia para assumir o comando de greve em Brasília. Célia comunica que não
fará a Avó. Lucas repensa os papeis e põe Luana como Moema e eu como Avó.
Em 16 de julho, passamos todo o primeiro ato. Fomos
divididos em 3 grupos: sonoplastia, vizinhos e mulheres. As falas estão um
pouco sem intenção e a velha precisa ser mais agressiva e insana.
Em 18 de julho, fizemos exercícios de respiração e
sonorização com a vibração de partes diferentes do corpo. Começamos a trabalhar
variações nas falas, no texto e deu certo, encontrei uma voz mais grave para a
Avó.
O primeiro ato completo deu 15 minutos. A sonoplastia criou
coisas boas: chegada, tambor e mar, o almoço marcado com a batida de talheres.
Victor entrou com a fala do Paulo hoje. Passamos o primeiro ato duas vezes. O
exercício anterior melhorou muito nosso desempenho, resolvemos fazer sempre. O
Lucas cobrou a pesquisa sobre a vida de Nelson Rodrigues, músicas folclóricas
sobre mar e poesias.
Em 6 de agosto, cheguei 30 minutos antes para fazer
exercícios com o Lucas de tonalidades de voz para melhorar a Avó. Várias
tentativas: mais agudo, mais grave, mediano, lento, mais rápido. O que funcionou
foi o mais grave e mais rápido, mas às vezes perco a intenção. Passamos o
primeiro ato duas vezes.
Em 8 de agosto, cheguei cedo para ensaiar a voz da Avó com a
Célia. Ela pediu pra eu buscar uma voz rouca, colocando um movimento com as
mãos e funcionou.
Em 13 de agosto, fizemos uma roda pra discutirmos se íamos
ou não nos apresentar na Semana de Nelson Rodrigues, na COART. Por fim,
percebemos que não iria dar tempo de estar tudo pronto e não queríamos
apresentar o trabalho de qualquer forma. Preferimos apresentar na UERJ sem
Muros, pois teríamos mais tempo.
Em 20 de agosto, cantamos parabéns pra Célia e Lucas colocou
que seriam 3 músicas: entrada, meio e saída. Ele também aceitou minha sugestão:
“É Doce Morrer no Mar” (Dorival Caymmi) e pediu pra eu ouvir “Sargaço Mar”
(Caymmi).
Em 29 de agosto, começamos a criar as ações físicas para o
texto: entrada das lavadeiras ao som do acordeon tocado pelo Victor (É Doce
Morrer no Mar...). Aline, Luana e eu entramos, sentamos, esfregando a roupa e
lendo a primeira parte do texto. Ficou bonito!
Em 5 de outubro houve a apresentação de “Os Clowns
Bailarinos” no Teatro da UERJ, às 14h. Chegamos às 8h, arrumamos o palco e
passamos a luz, o som e as ações, até 13:40h. Tínhamos 20 minutos para se
arrumar e maquiar. Ao final do espetáculo, fomos falar com o público (alunos da
rede pública), limpar tudo e guardar todo o material cênico. O espetáculo não
ficou tão bom quanto o primeiro, modificamos algumas marcas, por conta da saída
da Luiza. O professor Roberto veio hoje e quem nos avaliou foi a professora
Cássia Frade. Fomos 80% hoje. Fiquei irritada, pois estava muito tempo sem
comer, desde as 8h.
Em 17 de outubro aconteceu a apresentação da leitura de
“Senhora dos Afogados” de Nelson Rodrigues, na sala 03 da COART, às 18h.
Chegamos às 11h fizemos uma instalação no cenário, com textos datilografados na
parede, livros pendurados e no chão, papel celofane nas lâmpadas e tule roxo,
preto e azul, mais uma máquina de escrever antiga e um rádio. O cenário ficou
lindíssimo! Às 16h paramos, tivemos 20 minutos para comer. Voltamos passamos
tudo com a sala escura.
A leitura foi com energia, não erramos tanto o texto, mas
ainda estamos inseguros. Porém, a concentração estava boa, dava para sentir
pela proximidade com o público. Ao final a professora de Dança, Maria Lúcia,
veio conversar comigo e disse que ficou surpresa, pois esperava ouvir apenas
uma leitura comum do texto de Nelson Rodrigues, que devíamos arriscar mais e
fazer textos adultos, pois estamos amadurecendo. Disse também que percebeu a
ritualística característica do grupo em todos os espetáculos, nas ações ao
tocar os instrumentos. Fiquei contente com o resultado, nos superamos mais uma
vez!
Em 22 de outubro, fizemos uma avaliação do espetáculo. Vimos
a filmagem da apresentação e cada um colocou uma impressão sobre a leitura. Eu
disse que é muito difícil ver uma boa montagem de Nelson (até hoje só vi uma, a
do Armazém), mas a nossa ficou respeitável, com muita dignidade. Célia, Lucas e
Saulo colocaram que o texto ainda não está fluindo bem.
Em 24 de outubro, a Companhia sofre uma grande perda: Lucas
deixa de participar, pois foi convidado pelo grupo Moitará para uma montagem.
Oficina de
Perna-de-pau
Em 7 de novembro, iniciamos a oficina de perna-de-pau com
alongamento. Trabalhamos em duplas, um segura e o outro anda com a perna. Nesse
primeiro dia Pauline e Saulo se saíram muito bem, enquanto Fernanda e Aline
tiveram mais dificuldades. O professor disse que fui bem e que só preciso
perder o medo e deu a dica de cair sempre para frente, pois os joelhos estão
protegidos.
Em 12 de dezembro, último dia da oficina de perna-de-pau, de
três em três, sobre as pernas, fizemos um cortejo cantando a música “Flor,
Minha Flor”. Depois cada um do trio falava um trecho que tinha no texto de
Romeu e Julieta, fazendo um personagem com um adereço.
Eugênio disse que ficou muito feliz por trabalhar conosco.
É a primeira vez que estamos sozinhos na perna-de-pau,
segurando um instrumento e falando o texto. Acho que vamos melhorar. Já estamos
todos andando na perna-de-pau, praticamente sem ajuda.
Conclusão
Esse ano, fiquei muito feliz com o projeto! Adoro fazer o
espetáculo: “Os Clowns Bailarinos”, a Pipi, minha palhaça, é um presente para
mim! Realmente, quando esse processo começou, não acreditava que iria conseguir
ter minha palhaça e achei que iria acabar fazendo a sonoplastia ou outra coisa
para ajudar, porém os exercícios foram fazendo com que chegássemos lá e um
dia, em um exercício coletivo, ela nasceu. Me lembro que era uma cena corrida e ela ficava parada
enquanto todo mundo se desesperava para alcançar a chegada. Ela ficou sozinha
se achando a maior. Ver meus colegas, na roda desse dia, falando e rindo dela,
dizendo que ela era boa, foi um presente para mim. Ela é muito levada e
assanhada, faz coisas que socialmente a “Marcia” não faria e me fez sentir
muito feliz com o retorno das crianças que vem falar com ela, após os
espetáculos. Fico pensando, onde será que o teatro vai me levar? É sempre um
grande desafio! Esse ano, em uma semana, tive que aprender a andar de patins
para uma cena. Em dois meses aprendi a andar na perna-de-pau.A construção da
minha palhaça foi dolorida no começo mas depois foi um grande presente.Só posso
agradecer ao projeto na pessoa da professora: Maricélia Bispo e do
professor:Roberto Dória pelo respeito ao teatro,pelo investimento no humano,no
lírico por acreditar em nós sempre,por nos desafiar e brigar com os outros e
conosco pelo nosso melhor.Obrigado Mestres!!!
Que possamos sempre
mergulhar nos bons braços do teatro e que ele nos leve a criar e compartilhar
um mundo melhor...
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