segunda-feira, 27 de maio de 2013

Saulo Rocha / 2013.1

Rio de Janeiro, 25 de abril de 2013.

Processo Romeu e Julieta – Diário de Bordo I

                Ontem foi o terceiro dia de ensaio já com marcação de cena, todos reunidos e Romeu e Julieta na perna-de-pau. Sinto como se fosse a primeira vez que monto um espetáculo do zero e de certa forma é mesmo.
Tenho medo. Não estou no tom, mas ao mesmo tempo começo a ver uma possibilidade de caminho. A necessidade de estudar é mais latente do que nunca. Descobrir Shakespeare; fazer uma imersão em seu tempo e ler outros de seus textos teatrais se tornou tão fundamental quanto encontrar a postura; desenvolver a voz e pensar como Romeu.
                Sinto um espécie de responsabilidade em montar Romeu e Julieta e parece que carrego o peso de uma bagagem que ainda não me é familiar. Preciso me relacionar mais com a história de amor mais famosa do mundo. Ao mesmo tempo, preciso me descobrir como ator. Desafiar-me, testar meus conhecimentos, perder meus medos do erro e do ridículo.
                Amar é ridículo e aqui amo multiplamente. Amo ao Teatro, amo o fazer coletivo, amo atuar, amo o amor e suas histórias. Agora penso que preciso assumir os riscos desse amor. Encontrar o equilíbrio em meio a tanto desequilíbrio.
                De ordem prática, quero, no mínimo, aprender bem a perna-de-pau, entender melhor sobre a biografia de Shakespeare e estudar mais o texto de Romeu e Julieta.
                Tudo que posso saber, falar sobre ou intuir é apenas meu ponto de vista. No teatro (e na vida) não há verdades absolutas e nesse instante não estou em condições de enxergar uma verdade com clareza a respeito do processo de montagem, do meu processo criativo. Às vezes me acho num outro ritmo do grupo. Por vezes mais lento, por vezes mais acelerado. A sensação de muita informação simultânea e pouco espaço interno vazio para digerir, agir e decidir.
Andar de perna-de-pau, decorar texto, protagonizar, entender e montar Shakespeare e cantar. Tudo isso parece a reunião dos maiores tabus do meu processo artístico num só fazer teatral. Tem sido difícil, doloroso, mas altamente edificante.
Já passei pela fase do desânimo, da vontade de desistir, de me achar incapaz. Mas no “vai ou racha” ou decidi ir. Fui. Agora não vou e não quero abandonar o navio nem nadar para morrer na praia. Só me resta tentar o meu melhor!
Estudar. Tentar. Praticar. Insistir. Resistir. Amar, como eu e como Romeu.

Saulo Gomes Rocha

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