quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ludo Lopes / 2009

Oficina de Máscara Expressiva

Nas primeiras etapas da oficina de Máscara expressiva, confesso não conseguir enxergar uma possibilidade de sucesso no processo. Foi decidido que utilizaríamos bexigas como molde para as máscaras e, como as bexigas eram muito pequenas e compridas, me causou certo incômodo quanto ao formato da máscara.Os primeiros momentos do processo das oficinas de máscaras sempre me parecem como um pesadelo, embora eu tenha habilidades manuais para a confecção das mesmas. Não tenho paciência para recortar papel em pequenos quadrados (quanto menos, melhor); Depois, vem a parte de colar tais quadradinhos de papel sobre a bexiga, outro suplício: São várias camadas de papel colado que parecem nunca chegar ao fim. Nessa época, a disformidade e a falta de cor das máscaras me faziam duvidar de que tal processo iria dar em alguma coisa.Quando começamos a pintar as máscaras, decidi por criar um personagem negro, daí surgiu a idéia de moldar e pintar um integrante de uma tribo aborígene australiana. Enquanto a máscara estava pintada de preto, não tinha expressividade alguma, mas já não mais parecia uma máscara disforme: começava a sinalizar um propósito. Porém isso só ficou bem marcado quando pintei os grandes olhos, a boca vermelha e as pinturas características daqueles povos. Após colar o cabelo (um naco de palha de aço), a máscara me parecia bem mais viva e só então pude pensar em uma anamnése para a mesma e, pra mim, ela não poderia seguir outro caminho, qualquer que fosse.Quando fizemos o “mercado de máscaras”, meio que a Célia juntamente conosco decidiu distribuir as máscaras, fiquei por demais induzido a pegar muito mais algumas máscaras do que outras, no entanto acabei ficando com uma das que eu menos gostaria de pegar. Isso por conta da dificuldade que eu imaginava ter quando tivesse que dar vida a ela. A máscara confeccionada pela Márcia Cazér me parecia, desde o início do processo uma das mais difíceis de capturar seu “espírito”.Senti uma dificuldade enorme em entender a máscara e liberá-la! É bem verdade que não gosto de máscaras. Sempre me sinto sufocado, tenho a impressão de que minha respiração está dando pra ser ouvida há metros de distância e, embora entenda a limitação de visão atrás da máscara, não consigo me acostumar.Apesar de todos os contras, que partiram muito mais de mim do que de todo o resto do processo, fiquei satisfeito. Embora tenha alguns problemas técnicos em relação ao uso da máscara, no geral acredito ter alcançado o objetivo da oficina.Me surpreendi muito ao ver as uniões entre as máscaras em cenas criadas pelos próprios atores. Percebi que toda a disformidade das máscaras haviam ficado pra trás e que era possível trazê-las à vida. Gostei muito de algumas cenas e fiquei surpreso com a expressão das máscaras. Senti falta de uma troca de máscaras entre os atores. Assim iríamos experimentar outras possibilidades.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 8

21/janeiro/2010

Combinamos de nos encontrar às 13h, mas o funcionário que abre o teatro estava marcado para as 14h. Então, enquanto esperávamos, o grupo ensaiou a música “Carta à República” e “Imagine” com o som portátil.
Quando conseguimos entrar no teatro o ensaio começou a partir do momento do “Eu sei, mas não devia”. “Cálice” teve algumas pequenas alterações. Após chegar até a última unidade o grupo esperou o Antônio para passar a peça direto. Ele não conseguiu chegar mais cedo porque ficou preso no local de trabalho, não conseguiu sair mais cedo.
A marcação de “Coração civil mudou”. Agora todos os atores ficam no palco para cantar e só depois quem está do próximo quadro vão para as coxias.
Depois de passar a peça toda a Célia conversou alguns detalhes com os atores. A forma da Raquel em brincando com a palavra liberdade precisa ser mudada e talvez o adereço que o Antônio usa no momento das noivas mude.
O Roberto chegou para montar a luz. Enquanto ele montava, com os técnicos do teatro, os atores se dividiram em dois grupos. Um foi lixar e pintar os bancos e os cabideiros de preto. O outro grupo ficou dentro do teatro para ajudar a montar o cenário e se fosse preciso ajudar na montagem de luz. Os programas que vão ser entregues para o público chegou hoje, o grupo aprovou; dobramos quase todos, ficou faltando dobrar uns cem. Trabalho para amanhã cedo.
Para o cenário nós amarramos tiras de um tecido longo e leve que a Célia trouxe. Primeiro eles ficariam dispostos soltos, como um varal. Depois foi testado que se torcesse os panos de maneira irregular entre eles, poderia funcionar melhor. Experimentamos, deu certo; dependendo da luz que incide parecem taças e às vezes ampulhetas.
Depois de pintar os bancos e ajudar no cenário os atores testaram a maquiagem. A aplicação do pancake foi um problema à parte. Os atores da Nosconosco ajudaram, mas foi a Raquel que descobriu que esse pancake em especial (muito barato, pois a grana era curta) se espalha melhor pelo rosto dando batidinhas, ao invés de se espalhar com a esponja.
Quando terminavam suas maquiagens os atores mostravam para Diretora que pedia alguma mudança, ou aprovava. Em geral as idéias desenvolvidas durante a oficina funcionaram.
Amanhã o grupo chega às 10h. Vão ensaiar com a luz e a maquiagem. E às 19h o espetáculo começa.

MERDA!MERDA!MERDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 7

19/janeiro/2010

Começamos a limpar a partir de “Velha roupa colorida.”
A movimentação foi coreografada, separada em setores.
Enquanto o grupo ensaiava faltou luz três vezes. O grupo seguiu sem música para evitar que o som estourasse com algum pico de luz.
Para podermos marcar melhor, o Lucas foi buscar na sala do Procenium um som portátil. Seguimos então ensaiando com música, mas ainda sem ar.
Alguns detalhes da marcação de “Dizem que sou louco” foram mudados e de “Eu sei, mas não devia”, também.
Depois do dia de ensaio a Diretora agradeceu aos atores que persistiram mesmo sem ar, com música baixa e com todas as adversidades.

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 6

18/janeiro/2010

Hoje chegaram os cartazes e os convites. Cada um pegou alguns para distribuir e divulgar. A apresentação é essa sexta-feira e ainda temos alguns pontos para limpar. No dia seguinte alguns vão à cidade comprar o que falta e todos irão percorrer a UERJ e entregar cartazes e convites. Ator rala!
Começamos a passar diretos às 18:42. A Célia fez anotações e fez alguns comentários, mas a montagem seguiu sem interrupções. Terminamos de passar exatamente às 19:42, ou seja a peça tem uma hora de duração.A diretora passou suas observações para os atores. Saulo vai trocar de objeto na música “Velha roupa colorida” porque a gravata que ele está usando não está funcionando. O leque da Aline quebrou durante o ensaio, foi providenciado outro.
Vamos passar de “Como nossos pais” em diante, que é onde estão concentrados os erros. Repetimos algumas vezes essa música até ajustar as posições e onde cada ator ficaria. Passamos com música e sem música.
Também passamos “Velha roupa colorida” mais de uma vez, com e sem música. O tempo do teatro acabou e amanhã vamos voltar a partir dessa unidade. Vamos repassar essa música amanhã marcando o lugar e a ocupação de espaço de cada um.
Quarta-feira é feriado e não vamos nos encontrar. Porém, quinta o encontro foi marcado para 13h. O grupo vai começar a ensaiar e enquanto a luz estiver sendo marcada vamos fazer ajustes de acessórios e cenário.

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 5

12/janeiro/2010

A Raquel B. deixou o grupo, alegou motivos pessoais A montagem agora conta com 10 atores. È barra, estamos no laço, teremos que correr contra o tempo. Mas....tudo bem, vamos em frente,rever distribuição de textos e marcações.Algumas marcações foram mudados como o próprio início que ao invés de ter parte do elenco saindo das coxias começa com todos em cena. A peça não terá cortina. Quando a sala for aberta os atores já estarão presentes, posicionados no palco.
Devido às saídas de atores no meio da montagem falas que foram decididas no início foram redistribuídas e algumas poucas suprimidas do texto.
Hoje algumas inversões foram feitas. Os textos do Pedro (Ator), da Pauline (Amo a música) e do Saulo (Agora sou uma estrela) foram colocados entre a música “Eu quero um casa no campo” e “Imagine”. Esperamos que funcione melhor no todo.
No momento de “Imagine” ajustar em que momento e ritmo o Rômulo e a Fernanda deveriam falar deu um pouco de trabalho. Outra dificuldade que tivemos hoje foi o momento de entrada das músicas, que não estavam sincronizadas em cima da deixa. Problemas de operação de som.
A peça foi ensaiada do ponto que começamos até a unidade final, fazendo os ajustes e marcando os atores e suas ações. Depois disso começamos a passar a peça desde o início. Seria sem interrupções, mas Célia preferiu repetir alguns momentos. Não foi possível chegar até o fim já que o horário dos técnicos do teatro vai até 21h.
Reunimos-nos nas escadas do prédio dos alunos para resolver alguns detalhes como maquiagem e camisa. A Pauline ficou de pegar o dinheiro na segunda-feira para comprar a maquiagem a as camisas.
Além disso, a Célia também conversou com o grupo para incentivar todo mundo, já estamos próximos da apresentação vamos precisar de muito gás essa semana.

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 4

30/novembro/2009
As apresentações foram marcadas no Teatro Noel Rosa para 22 de janeiro, nos dias 11, 12, 18,19 e 21 estaremos ensaiando no teatro; remarcando espaço, montando luz com o Roberto, trabalhando o canto com a Ilana, pintando bancos e cabides, pendurando panos e ensaiando...ensaiando...ensaiando. É exaustiva-mente prazeroso. Não fazem mais parte do grupo: Thiago, Nádia e Aline A. No encontro de hoje Antônio não esteve presente porque estava afônico. Foi feita a marcação de “Eu sei mais não devia”. Cada fala é junto com a movimentação do ator em uma determinada direção. A última sílaba da fala deve fechar com o último passo. Marcação cansativa, que muda a cada momento.
Ao som de Rosa de Hiroshima todos se voltam durante a introdução para cantar parados juntos à música. Ao fim da música se abaixam. Os atores se levantam com suas falas. A ordem das falas foi mexida até encontrar uma maneira que funcionariam melhor.
Em reunião final a Célia chamou a atenção de que as falas precisavam estar orgânicas, que muitos ainda não as tinham. O nome foi fechado em “Liberdade !?” e foi decidido que o discurso de “o grande ditador”seria dividido.

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 3

05/outubro/2009
O Thiago voltou para o grupo, ele havia saído por conta do horário do trabalho, todos ouviram as colocações dele e concordaram que voltasse a participar, por conta disso a marcação vai precisar ser refeita. A Raquel B não estava presente nesse dia, então por enquanto o Thiago fez suas falas. A marcação foi feita desde o início, com música, durante a música “Vai Passar” todos os atores fazem um carnaval em cena, andam, se divertem, sambam. Eles ainda não tinham a letra da música decorada, o que precisa ser feito logo.
A música “Tatuagem” também foi marcada. Inicialmente seria feita por Pedro e Luana, mas a Luana parecia estar tímida. A Fernanda conseguiu um efeito mais próximo do que a cena exigia, ficamos de resolver no próximo encontro.
Após as falas de Rômulo e Vitor todos os atores criam formas para fotografias ao som da música “Como os nossos pais”. Nesse momento eles não cantam.
Ao final Aline tem sua fala enquanto os outros buscam adereços de cabaré e se posicionam ao fundo do palco para a próxima música “Velha Roupa Colorida.” Marcamos até a décima primeira unidade.
*****Seguiram uma série de feriados e posteriormente eu (Renata) que escrevo o diário de bordo tive um torção no pé e fiquei três semanas afastada. Perdemos também. Lindinete, Thiago, Nádia e Aline A. se afastaram do grupo por questões variadas: problemas de violência urbana, não podendo por conta disso, chegar tarde em casa; por problemas de ordem pessoal, por faltarem aos ensaios extras, Enfim, continuamos os ensaios, ensaiamos outros dias para compensar os feriados.
O diário sofre uma interrupção, vamos precisar redistribuir textos, remarcar cena. Uma pena....mas é nossa realidade, nosso ofício. *****