Oficina de Máscara Expressiva
Nas primeiras etapas da oficina de
Máscara expressiva, confesso não conseguir enxergar uma possibilidade de
sucesso no processo. Foi decidido que utilizaríamos bexigas como molde para as
máscaras e, como as bexigas eram muito pequenas e compridas, me causou certo
incômodo quanto ao formato da máscara.Os primeiros momentos do processo das
oficinas de máscaras sempre me parecem como um pesadelo, embora eu tenha
habilidades manuais para a confecção das mesmas. Não tenho paciência para
recortar papel em pequenos quadrados (quanto menos, melhor); Depois, vem a
parte de colar tais quadradinhos de papel sobre a bexiga, outro suplício: São
várias camadas de papel colado que parecem nunca chegar ao fim. Nessa época, a
disformidade e a falta de cor das máscaras me faziam duvidar de que tal
processo iria dar em alguma coisa.Quando começamos a pintar as
máscaras, decidi por criar um personagem negro, daí surgiu a idéia de moldar e
pintar um integrante de uma tribo aborígene australiana. Enquanto a máscara
estava pintada de preto, não tinha expressividade alguma, mas já não mais
parecia uma máscara disforme: começava a sinalizar um propósito. Porém isso só
ficou bem marcado quando pintei os grandes olhos, a boca vermelha e as pinturas
características daqueles povos. Após colar o cabelo (um naco de palha de aço),
a máscara me parecia bem mais viva e só então pude pensar em uma anamnése para
a mesma e, pra mim, ela não poderia seguir outro caminho, qualquer que fosse.Quando fizemos o “mercado de
máscaras”, meio que a Célia juntamente conosco decidiu distribuir as máscaras,
fiquei por demais induzido a pegar muito mais algumas máscaras do que outras,
no entanto acabei ficando com uma das que eu menos gostaria de pegar. Isso por
conta da dificuldade que eu imaginava ter quando tivesse que dar vida a ela. A
máscara confeccionada pela Márcia Cazér me parecia, desde o início do processo
uma das mais difíceis de capturar seu “espírito”.Senti uma dificuldade enorme em
entender a máscara e liberá-la! É bem verdade que não gosto de máscaras. Sempre
me sinto sufocado, tenho a impressão de que minha respiração está dando pra ser
ouvida há metros de distância e, embora entenda a limitação de visão atrás da
máscara, não consigo me acostumar.Apesar de todos os contras, que
partiram muito mais de mim do que de todo o resto do processo, fiquei
satisfeito. Embora tenha alguns problemas técnicos em relação ao uso da
máscara, no geral acredito ter alcançado o objetivo da oficina.Me surpreendi muito ao ver as uniões
entre as máscaras em cenas criadas pelos próprios atores. Percebi que toda a
disformidade das máscaras haviam ficado pra trás e que era possível trazê-las à
vida. Gostei muito de algumas cenas e fiquei surpreso com a expressão das
máscaras. Senti falta de uma troca de máscaras entre os atores. Assim iríamos
experimentar outras possibilidades.
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