Oficina
de Iniciação ao Teatro (2009)
No ano de 2009 estava no 3º do CAp UERJ e conheci a Artes Cênicas no
próprio colégio, com a professora Maricélia Bispo e o professor Roberto Dória.
E naquele momento já tinha me apaixonado pelo teatro, pois adorava quando os
professora pediam como dever de casa assistir as peças em cartaz. Como não
tinha o hábito de ir ao teatro, foi nesse momento que conheci a minha futura
paixão.
Tive que explicar essa situação para dizer o porquê de começar uma
Oficina de Iniciação ao Teatro na UERJ. O meu amigo e colega de ano, Victor,
gostava muito de teatro e como eu, já tinha feito tanto no colégio quanto fora.
Ele me contou a professora Maricélia estava dando uma oficina na UERJ. Fomos
então lá, já tinha começado mas como ela mesmo disse, coração de mãe sempre
cabe mais um.
A oficina foi muito boa e de fato me ajudou muito para amenizar aquele
ano tão turbulento. Eu já conhecia muito bem a Célia, desde pequena, então
sabia da sua autoridade e da responsabilidade que teria que ter ao assumir esse
compromisso. Isso não foi difícil para mim.
Os exercícios de corpo foi o que foi mais diferente para mim. Ao final
do ano montamos uma colagem de textos e músicas “Liberdade”, fizemos duas
apresentações no Noel Rosa, em dezembro de 2009 e janeiro de 2011. As duas
apresentações foram maravilhosas e naquele momento confirmei mais ainda a minha
paixão pelo teatro.
Oficina
de Máscara Neutra (2010.1)
No começo do ano de 2010, com as pessoas que tinham restado da Oficina
de Iniciação ao Teatro, continuamos os exercícios de corpo que ficaram cada vez
mais pesados. Depois fizemos a oficina de Máscara Neutra, na qual
confeccionamos a nossa própria máscara, no formato exato do nosso rosto. A
máscara que só tinha furos nos olhos seria usada como sequência para chegar a
máscara de clown.
Tive muita dificuldade no início com a máscara neutra, pois ficava muito
nervosa em não conseguir respirar, já que não tinha furo no nariz. Mas depois
me acostumei e fiquei mais tranquila. No primeiro momento que usávamos a
máscara começamos a sentir nosso corpo e o próprio espaço de maneira diferente.
Fizemos alguns exercícios sem fala e sem mexer o rosto por causa da máscara,
isso fez com que o corpo falasse. O que foi fantástico!
Oficina
de Máscara de Clown (2010.2)
A oficina de clown foi para mim a melhor. Estudar sobre os palhaços foi
surpreendente e ver que de fato a máscara de clown é a menor do mundo me
fascinou.
Não vou falar que foi fácil a “Aham” (nome da minha palhaça) aparecer.
Soltar o seu ridículo e fazer o público rir é uma das tarefas que ao meu ver
são as mais difíceis.
Após o término da oficina, nós fizemos duas saídas: uma na UERJ e uma no
CAp UERJ. Percebi então que sair com o seu palhaço ajuda muito a melhorá-lo
pois ficávamos diante de situações que tínhamos que fazer os jogos
Oficina
de Máscara Expressiva (2011.1)
No primeiro semestre de 2011 fizemos a oficina de máscara expressiva.
Cada um confeccionou uma máscara que representava um personagem criado por nós
mesmos. As máscaras ficam lindas! E depois foram trocadas por outras do grupo.
Ou seja, usaríamos a máscara confeccionada por outra pessoa.
Através de diversos exercícios, foram nascendo os personagens daquelas
máscaras e não necessariamente representavam de fato o personagem que quem
confeccionou disse que era. Essa oficina ajudou muito no nosso corpo, pois como
a máscara e nosso rosto não se mexia, o nosso corpo que tinha que falar. Ao ver
o vídeo o corpo dos atores tinham se desenvolvido tão bem que às vezes parecia
que a máscara se mexia. Era impressionante!
Fizemos então algumas esquetes e apresentamos no CAp UERJ, foi uma
experiência bem legal!
Espetáculo
“Os Clowns Bailarinos” (2011.2 e 2011.1)
No segundo semestre de 2011 voltamos ao clown. Após uma decisão
democrática foi votado que montaríamos um espetáculo de clown ao invés de
começar a estudar e a montar um espetáculo de Commedia Dell’arte.
Começamos a montar o espetáculo “Os Clowns Bailarinos” e em 2011
participamos do evento UERJ sem Muros com um ensaio aberto. O ensaio aberto foi
bem legal para descobrimos o que funcionava e o que não funcionava no
espetáculo, pois este não tinha muitas falas e para saber se os jogos
funcionavam nada melhor do que a resposta do público.
Participamos de um festival, 4º Profest Teatro em Congonhas, Minas
Gerais. Como a maioria dos atores nunca tinha participado de nenhum festival,
estávamos muito ansiosos, porém o festival foi um tanto decepcionante. A
estrutura do evento, desde a organização e a falta de divulgação, pois não
tinha muito público fez com que tivéssemos esse sentimento. Porém, acredito que
o problema maior foi o fato da prefeitura não dar a mínima para o evento. A
cidade estava toda em obra, dificultando o nosso acesso ao próprio teatro e
nosso ônibus não conseguiu chegar com o cenário até a porta do teatro. Além
disso, num dos dias de apresentação (domingo) a prefeitura desligou a luz da
cidade por conta da obra. Ou seja, parecia que não queriam que o evento
acontecesse.
Se apesar desta dificuldade toda ainda tivesse um número significativo
de público e eles reagissem bem ao espetáculo, é fato que esqueceria as
dificuldades. Mas não foi isso que aconteceu.
Apesar disso tudo, toda experiência tem alguma coisa positiva, viajar
com o grupo, a união nas dificuldades e o contato com companhias de teatro de
outros lugares fez com que essa experiência não fosse em vão.
Um tempo depois da experiência do festival fizemos uma apresentação no
Projeto Escola da UERJ, no qual crianças de diversas idades de colégios
públicos vem assistir ao espetáculo no Teatro Odylo Costa Filho. Confesso que
antes de entrar em cena estava completamente nervosa e insegura, isso tudo
devido à experiência em Congonhas. Porém, as crianças me surpreenderam logo na
primeira cena em que entramos no palco de guarda chuva e capa. A cena em si não
é tão engraçada mas as crianças ao olhar para os nossos rostos gargalhavam
tanto que deu um gás absurdo! E se só na primeira cena elas estavam assim,
imaginem no resto...
Quando estava na cochia, só conseguia escutar os risos e vozes das
crianças totalmente felizes e encantadas com aquilo tudo. E ali naquele momento
esqueci completamente de Congonhas e vi: aquele é o nosso público! E é óbvio
que não estamos fazendo nada de errado!
Ao final do espetáculo, como de costume, fomos receber o público. E me
surpreendi ao perceber que não só as crianças que já eram de idades variadas,
mas adolescentes, pessoas mais velhas, além dos meus familiares e amigos, todos
pareciam ter amado o espetáculo! Foi nesse momento que para mim estreamos de
fato “Os Clowns Bailarinos”.
Depois dessa apresentação tivemos mais uma na UERJ sem Muros que também
foi tão boa quanto a anterior.
Leitura
dramatizada de “Senhora dos Afogados” de Nelson Rodrigues (2012.2)
No segundo semestre de 2012, participamos de um processo de montagem
diferente até então. Um dos integrantes da Companhia, Lucas Mattos, iria
dirigir a próxima montagem. Ele então escolheu o texto “Senhora dos Afogados”
de Nelson Rodrigues, começamos a estudar a teoria, ou seja, quem seria Nelson
Rodrigues, seus textos e especificamente o texto “Senhora dos Afogados”.
No primeiro momento, gostei da ideia, pois já tinha lido alguns textos
de Nelson e eles me interessavam. Mas por outro lado, pensava como seria aquele
processo já que nunca tínhamos trabalhado esse tipo de texto, mais trágico.
O processo não era de montagem de espetáculo e sim de uma leitura
dramatizada, algo que eu nunca tinha feito. O processo se deu da seguinte
maneira: começamos a trabalhar o texto, ou seja, a voz do personagem e só
depois as cena seriam montadas.
Eu fiz o papel de uma das vizinhas e fazia em conjunto com a Fernanda.
Tive muito dificuldade em trabalhar a voz, ao contrário da Fernanda que pegou a
voz da personagem relativamente rápido.
Depois de trabalhar a voz, começamos a colocar instrumentos na cena. E
após trabalhar todo o texto apenas com voz e instrumentos, o Lucas começou que
estava conduzindo sozinho todo o processo, começou a dirigir as cenas. Neste
momento a Célia participou um pouco dando algumas sugestões, mas a ideia
central era totalmente do Lucas.
No dia da apresentação chegamos mais cedo e foi a primeira vez que
colocaríamos todos os objetos do cenário. Infelizmente não tínhamos um espaço
adequado para a apresentação e tivemos que usar uma sala. Ou seja, além de
montar todo o cenário, este tinha que transformar a sala em um espaço mais
parecido com o de um palco. Colocamos papel nas luzes para dar um efeito
diferente em cena e textos de peças em colunas colocadas na parede atrás da
cena para melhorar aquele espaço.
Na minha opinião ficou bastante bonito o cenário do jeito que foi
montado apesar do espaço não ser o melhor. Fizemos apenas uma apresentação e
gostei bastante do resultado!
Oficina
de perna de pau (2012.2)
No final do ano de
2012, com o objetivo de montar no ano de 2013 “Romeu e Julieta”, nós começamos
a fazer uma oficina de perna de pau. Apesar de apenas os atores que fariam
Romeu e Julieta usarem a perna de pau no espetáculo, toda a Companhia fez a
oficina, pois ainda não estava definido os personagens de cada um.
A animação para a
oficina pareceu unanime. Eu, particularmente, estava muito animada e ansiosa.
Apesar do medo de altura, achava mágico ver as pessoas usarem a perna de pau e
independente da insegurança que sabia que ia sentir ao subir na perna, o meu
desejo de conseguir aquilo era muito maior.
E chegou o grande dia!
Aquele momento que saberia de fato a sensação de ficar mais alta e mais
desequilibrada. Fui uma das primeiras, pois se é para perder o medo, o quanto
antes melhor. Um dos professores, o Martin, me ajudou a subir e me segurou para
que eu levantasse. Deu uma vontade de dar aquele gritinho de nervoso. Mas ele
ficou ali como apoio. Me deixou na pilastra e fiquei com a ajuda dela me
equilibrando e aprendendo a andar.
Como um bebê que começa
a andar, a perna de pau faz com que você aprenda a andar novamente. Pois você
não senti mais seu pé no chão e é preciso andar com mais firmeza, como um
soldado. Além disso, as pernas devem ficar mais afastadas para que as perneiras
(material que segura sua perna na perna de pau) não bata uma na outra.
Depois de um tempo
treinando na pilastra, chegou uma outra etapa que me deixou nervosa no primeiro
momento. O professor colocou uma corda entre duas pilastras, ou seja, um apoio
apenas para uma mão para que nós andássemos segurando a corda. A primeira vista
achei aquilo muito mais difícil mas após experimentar, aquela corda, por
incrível que pareça me ajudou muito mais do que segurar completamente na
pilastra, como estava fazendo anteriormente.
Então andava de um lado
da corda e voltava. E assim diversas vezes. O Martin depois de um tempo voltou
e me incentivava para usar a corda só de vez em quando caso me equilibrasse. E
acho que o fato dele incentivar bastante me ajudou, pois às vezes eu só
funciono sobre pressão. E então para finalizar o momento que estava de perna de
pau, o Martin colocou a perna de pau e veio dançar comigo. Aquele momento foi
outro desafio para mim, pois não era mais ele no chão me ajudando a me
equilibrar, era ele na perna de pau também.
As aulas seguintes
foram muito importantes para se acostumar a andar com a perna de pau. Porque
basicamente você tem que treinar e cada vez mais perder seu medo. É preciso se
arriscar, sem medo de cair. A partir do momento que você perde o medo de cair,
tudo fica mais fácil.
Uma coisa muito
importante que me ajudou e tenho certeza que também ajudou muito dos outros do
grupo foi cantar junto com o andar. Não sei quem de fato teve essa ideia, acho
que foi o Victor. Percebemos que cantar músicas que tinham o mesmo ritmo do
andar ajudava e muiiito. Como “Marcha soldado”, “Flor minha flor”, entre
outras. Chegaram momentos que até cantávamos funk, pois estes tinham batidas
que ajudavam.
Começamos a
experimentar dançar em duplas, começando como o famoso “dois pra lá, dois pra
cá”, valsa. E depois já estava dançando tango com o Victor, música de festa
junina com o Saulo e aprendendo a sambar com a Luana.
Em um outro momento dos
encontros começamos a descer a escada da concha acústica, e aquele frase que
diz “descer todo o santo ajuda” não se aplicava nisso. Pois tanto para descer
quanto para subir tínhamos que segurar bastante o corpo. Mas depois de um tempo
estávamos conseguindo.
A oficina superou todas
as minhas expectativas e fiquei muito contente em superar esse medo de altura e
aprender a me equilibrar. Me divertia muito na perna de pau e aquilo não é mais
um objeto estranho para mim.
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