2009
Oficina de iniciação ao teatro
Apesar de descobrir muito por acaso da aula inaugural dessa
oficina eu resolvi fazer parte daquele grupo ou ir as aulas para ver no que
iria dar. Aquele grupo que estava iniciando o processo de iniciação tinha muita
gente, as aulas eram na sala de dança
embaixo do teatrão da uerj, sala essa que eu nunca imaginei que existia.
Ao longo dos dias eu vi muita gente boa ir embora e muita
gente ruim ir também. Vi atores da cia e vi a célia, que a primeira vista
parecia muito brava, autoritaria e exigente, ela realmente parece isso tudo e é
.... rs. Mas também é uma maezona, cuida e quer ver sempre o melhor dos seus
alunos.
Ao final da oficina aprendi muitas coisas de teatro , mas
aprendi também muitas coisas sobre trabalhar em grupo, sobre ser um grupo, ter
pontualidade, ter compromisso, ter companheirismo, pensar em conjunto em prol
de um único produto final, atitude, respeito e amor por atuar, muito amor!
A minha familia toda foi ao espetáculo de final de oficina
no teatro noel rosa na uerj, minha mãe foi a primeira a levantar para aplaudir
de pé! =)
2010.1
No primeiro semestre foi trabalhado o corpo de cada um dos
componentes, dos que continuaram depois de concluir o curso de iniciação de
teatro.
Ainda fizemos uma segunda apresentação do espetáculo
“Liberdade” mas com alguns desfalques já..
Tambem demos inicio ao trabalho de “mascara neutra”. Já
pensávamos em uma sequencia de mascaras para chegar a mascara de clown e também
queriamos pesquisar e trabalhar a commedia del art, porém era necessário
começar... enfim o processo foi melhor do que eu imaginava
Logo eu, com um dos piores corpos, desengonçada e
rebolativa[ ser gordinha era um mero detalhe a mais] consegui mais do que eu
imaginava que conseguiria e amei a mascara neutra. Desde o processo de
confecção, fomos nós mesmos que fizemos e ficou muito bom de verdade!
No meio do caminho [ decorrer do ano de 2001], tivemos a
semana de oficina com Alexandrino du Carmo, trabalhamos o corpo e exercicios de
improviso guiados por ele proprio na nossa sala de encontros para exercicios, a
mesma costumeira de todos os dias de semana, o dia de inicio e término
exatamente não me lembro.
De qualquer modo foi muito proveitoso. Também percebemos
que não havia muita diferença nos exercicios, só no modo de levar o grupo eu
acho, o que seria normal acontecer pois cada um tem suas particularidades, mas
eu gostei bastante.
2010.2
Assim que começou o período de 2010.2 iniciamos o trabalho
com a mascara de clown. Eu pensei que seria facil, por ter uma ideia errada
sobre clowns.
Eu gostava de falar muito, dispersar, fazer brincadeirinhas
fora de horas, acho que confundia fazer graça com fazer rir,mas fazer sorrir é
sem comparação uma das coisas mais dificeis desse mundo e cada dia que passa eu
acredito mais nisso e aprendo mais sobre isso também.
Aprendiamos, nessa oficina, cada vez mais respeitar a figura
do clown e devagar e gradualmente iamos todos bem. Depois de um semestre de
clown fizemos uma saida para fora da uerj. [eu usei o primeiro figurino da
jessinha, é por que tive alguns, pois tenho um probleminha com figurino...rs mas
aprendi a me concentrar mais nisso hoje já estou um pouco melhor]
2011.1
Mascaras expressivas
Iniciamos o trabalho com as mascaras e nos mesmos as
confeccionamos, construimos e adereçamos, ficaram lindas! Trabalhamos uns jogos
que viraram uma sequencia de esquetes e fomos apresentar no Cap-uerj , como uma
avaliação do nosso corpo e do nosso trabalho com a mascara expressiva, foi bem
alem das minhas expectativas, novamente achei muito bom!
2011.1 e 2011.2
Voltamos [não tinhamos
parado antes, só que agora dando mais foco] para o trabalho de
construçãode espetáculo de clown e conseguimos fazer o primeiro ensaio aberto
na uerj sem murosde 2011.
Depois terminamos o trabalho com os clowns e começamos a
apresentar e até viajamos para Minas Gerais, para o 4° Profest, festival de
teatro de Congonhas do Campo. [uma experiencia sensacional e única]
Fizemos algumas apresentações mais de “Clowns Bailarinos” e
no meio de 2012 com a greve demos inicio ao trabalho da leitura dramatizada sob
direção do nosso colega ator e nesse momento nosso diretor também, Lucas
Mattos.
2012.2
Perna de pau
Pós-greve da Uerj, que não tem nada a ver conosco da
Nosconosco mas a gente bem ou mal teve que passar por ela também.
O que passarei a narrar aqui serão palavras que na minha
opinião, se resumem bem e tentam explicar momentos “tão, tão, tão” , como os que
foram estes. Poderiam ser relatados com músicas, já que várias foram cantadas
neste período, alguns juravam que a música ajudava, mas pra mim ainda não
dava... Nem as perneiras davam, rs.
Eu também poderia
descrever esses momentos com alívio, controle, leveza, equilibrio, habilidade?
Sim, por que exigia isso tudo, mas não estava contido em mim...
“Força, tenta, vai”; eu ouvia isso várias vezes e mesmo
assim as pernas tremiam, os pés formigavam e as mãos geladas suavam. Eu não
entendia por que todos ficavam em seus lugares batendo normalmente no meu corpo
mas o coração não parava quieto, pulava de baixo pra cima até a boca.
Chorei, gritei, esperneei, e não ia ter jeito, eu a seguinte
frase da Célia: “Fernanda, se voce não tentar
eu vou largar de mão, te esqueço de vez, você morre pra mim. E você sabe
que eu faço isso né?!”
Eu ri (de nervoso, claro), e depois de uma hora gasta de
vida do pobre instrutor de perna de pau tentando fechar as perneiras nas minhas
rechonchudas batatas das pernas,
levantei... Ufa!
Mas todo o processo foi muito doloroso e eu sabia que não
deveria tomar como uma tortura porém todas as segundas e quartas nos ultimos
instantes antes de descermos para as aulas no pátio da Uerj, eu me sentia como quem ia para o
campo de tortura ser massacrada...rs
Mas como toda história, para felicidade geral, fica mais
bonita quando acaba bem, eu ainda tinha no fundinho do meu coraçãozinho, que eu
conseguiria andar alguma coisinha qualquer que fosse e de fato consegui!
Entretanto as noites no pátio de pedrinhas portuguesas com
passantes perambulantes de noites torturantes, como as que foram estas ultimas
10 noites, não poderiam passar em branco.
Preciso registrar também a superação da minha mãe, Dona
Vânia, que se superou totalmente ao se reprimir em não tentar me impedir de
continuar, não por me julgar incapaz mas sim por sempre me tomar tão frágil, sua princesinha e querer me
proteger _ Mãe, eu consegui, te amo!
Bom mas os agradecimentos não poderiam parar por aí, além da
descoberta do bom amigo Saulo Rocha, muito obrigada de verdade e o prêmio de
professor revelação vai para você!
Aos instrutores, também obrigada, e ao Ludo Lopes ao imitar
o sotaque tornando o aquecimento uma hora bem mais engraçada...rs. E uma das
frases que mais me marcou foi da amiga Marcia Cazer que disse pra mim, “minha
amiga vou fechar sua perneira, não adianta você me falar que não vou conseguir,
você sabe quantas pessoas várias vezes já me disseram assim? Que eu não
conseguiria? Você também vai!”
Obrigada Marcinha querida!!!
E é isso... e se com tudo isso , por fim, algum dia alguém vier
me perguntar como é andar de perna de pau, eu vou responder que é normal, por
que por mais que eu explique ou tente expressar, vou acabar não encontrando
palavras para tal.
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