segunda-feira, 27 de maio de 2013

Fernanda Corleone / 2013.1

 Iniciamos com o trabalho corporal, depois o trabalho corporal junto com as melodias de cantigas de roda , cirandas... e demos inicio dessa forma. Primeiro numa sala que não era “nossa”, depois de toda a expectativa, a “nossa” sala ficou pronta e conseguimos  voltar a usa-la, ufa!
E nesse meio tempo a Célia definiu que ator/atriz iria ter qual personagem, nós ainda continuamos trabalhando com esses princípios, agora mais focado, cada um em seu personagem.
O grupo desse espetáculo ficou fechado em nada mais, nada menos que... nós 7! Aline Deyques, Márcia Cazer, Victor Ribeiro, Ludo Lopes, Pauline Suarez, Saulo Rocha e eu.
Depois A Célia ainda nos comunicou que os colegas Rodrigo e Camila que trabalham como bolsistas no Procenium iriam se unir a nós com apoio musical e afins, ficamos muito felizes, bem vindos aos dois e obrigada!!!
Até agora, estamos marcando as primeiras cenas e vejo uma grande possibilidade de um ótimo espetáculo vindo por aí. Acho que a pressão é maior do que todos poderiam imaginar, mas creio no potencial de trabalho e na paixão desse grupo.


Fernanda Corleone.

Saulo Rocha / 2013.1

Rio de Janeiro, 25 de abril de 2013.

Processo Romeu e Julieta – Diário de Bordo I

                Ontem foi o terceiro dia de ensaio já com marcação de cena, todos reunidos e Romeu e Julieta na perna-de-pau. Sinto como se fosse a primeira vez que monto um espetáculo do zero e de certa forma é mesmo.
Tenho medo. Não estou no tom, mas ao mesmo tempo começo a ver uma possibilidade de caminho. A necessidade de estudar é mais latente do que nunca. Descobrir Shakespeare; fazer uma imersão em seu tempo e ler outros de seus textos teatrais se tornou tão fundamental quanto encontrar a postura; desenvolver a voz e pensar como Romeu.
                Sinto um espécie de responsabilidade em montar Romeu e Julieta e parece que carrego o peso de uma bagagem que ainda não me é familiar. Preciso me relacionar mais com a história de amor mais famosa do mundo. Ao mesmo tempo, preciso me descobrir como ator. Desafiar-me, testar meus conhecimentos, perder meus medos do erro e do ridículo.
                Amar é ridículo e aqui amo multiplamente. Amo ao Teatro, amo o fazer coletivo, amo atuar, amo o amor e suas histórias. Agora penso que preciso assumir os riscos desse amor. Encontrar o equilíbrio em meio a tanto desequilíbrio.
                De ordem prática, quero, no mínimo, aprender bem a perna-de-pau, entender melhor sobre a biografia de Shakespeare e estudar mais o texto de Romeu e Julieta.
                Tudo que posso saber, falar sobre ou intuir é apenas meu ponto de vista. No teatro (e na vida) não há verdades absolutas e nesse instante não estou em condições de enxergar uma verdade com clareza a respeito do processo de montagem, do meu processo criativo. Às vezes me acho num outro ritmo do grupo. Por vezes mais lento, por vezes mais acelerado. A sensação de muita informação simultânea e pouco espaço interno vazio para digerir, agir e decidir.
Andar de perna-de-pau, decorar texto, protagonizar, entender e montar Shakespeare e cantar. Tudo isso parece a reunião dos maiores tabus do meu processo artístico num só fazer teatral. Tem sido difícil, doloroso, mas altamente edificante.
Já passei pela fase do desânimo, da vontade de desistir, de me achar incapaz. Mas no “vai ou racha” ou decidi ir. Fui. Agora não vou e não quero abandonar o navio nem nadar para morrer na praia. Só me resta tentar o meu melhor!
Estudar. Tentar. Praticar. Insistir. Resistir. Amar, como eu e como Romeu.

Saulo Gomes Rocha

Victor Ribeiro / 2013.1

18/04/13
Foi nossa segunda semana de trabalho focado em Romeu e Julieta. Nas semanas anteriores, trabalhamos alguns pontos de teoria, lendo um texto de um discípulo do Grotowski, mas tivemos de interromper o trabalho diversas vezes, seja por razões médicas, pessoais ou mesmo por feriados e feriadões esporádicos. Tenho a impressão de que passamos os primeiros meses de trabalho sem “engrenar” de verdade.
Senti nesse tempo muita falta de um trabalho de corpo. Ao retornarmos, todos nós notamos nossa dureza e imprecisão, causados pela falta de uma rotina de treinamentos. Reparamos que não trabalhávamos algo corporal desde há muito tempo, já que nosso trabalho se voltara para o Clown.
Nesse tempo, a falta de um espaço nosso nos desanimou. Como a sala de dança em que costumamos ficar estava em obras, sobrou-nos a sala 3 do Centro Cultural da UERJ, a qual apelidamos de “Sala da Nancy” por ser ela a suposta “dona” do lugar, já que ela foi quem conseguiu os recursos para sua construção.
Antes de começarmos o trabalho de fato, há algumas semanas fizemos uma seleção para os personagens. A partir de apresentações que preparáramos, ficou definido que Saulo seria Romeu, Pauline seria Julieta, Aline seria a Ama, eu seria o Corifeu e Márcia, Fernanda e Luiz, o coro. Foi a partir desses personagens que nosso trabalho se iniciou na semana passada.
Fomos orientados a trabalhar com formas (como em Arlequim) que nos remetessem a esses papéis. Construímos em média três formas, cada um, e demos um texto em gromelô. O pessoal da companhia apontou que eu me saíra muito bem. Eu mesmo me senti satisfeito com o trabalho que apresentei, pois ele saíra aparentemente do jeito que eu imaginava. E eu até tinha uma explicação para isso: o uso do gromelô. O que fiz, nesse trabalho, foi imaginar um pequeno texto (semelhante ao que já tinha lido de Romeu e Julieta) e improvisar o gromelô a partir disso. Essa estratégia guarda relação com textos que lemos há tempos, e que indicavam que improvisar de nada adianta sem que se tenha uma linha de estrutura. Ora, ao imaginar um texto, meu gromelô ganhava intenção (já que eu sabia o que  queria dizer), ritmo (já que não se tornava um monte de sílabas aleatórias) e uma estrutura fixa (útil caso eu precisasse repetir a improvisação. É claro que as palavras, se é que se pode chamar os sons que emiti de palavras, é claro que elas não seriam as mesmas. Mas a intenção seria a mesma, e isso fez toda a diferença.
As formas que criei também não eram de todo ruins. Guardavam alguma relação com o trabalho da Simone (o Corifeu da primeira montagem de Romeu), mas eu sentia que ainda tinham um toque meu. O único problema era não deixar esse toque se transformar num vício. O trabalho de ator é, antes de tudo, desconstruir. Tenho certeza de que tenho formas “clichê” no meu corpo, mas às vezes vejo isso até mesmo no pessoal da companhia. Não poucas vezes nós mesmos externamos isso. Luiz parece ter dificuldade em sair da Rainha de Alice; Marcinha, do Humpty Dumpty de Alice e do seu palhaço Pipi.
Ainda na semana passada, levamos o texto inicial de Romeu e Julieta decorado, e organizamos um esboço da entrada. Foi nesse momento que me deparei com minha primeira grande dificuldade: conjugar atuação e música no acordeão. Andar, tocar, cantar e olhar pareciam atividades de execução simultânea impossível. Célia me alertou para que eu “deixasse de ser músico e passasse a ser ator”. Lembrei-me da crítica que recebi, a mesma, exatamente, no momento do cortejo ao fim do trabalho com a perna-de-pau. Preciso atentar para esse ponto. Preciso tomar cuidado.
Repetimos e limpamos a estrutura nesta semana, e de um modo geral nos safamos, apesar de uma ou outra dificuldade (Aline não conseguia gritar do mesmo jeito da primeira vez, Saulo e Pauline ainda não conseguiam se manter na perna-de-pau, eu não conseguia repetir exatamente o que fizera nas primeiras vezes...). Ao menos meu treinamento caseiro valeu a pena: já conseguia me preocupar muito menos com tocar o acordeão do que com a atuação.
Hoje nos reunimos na sala da Célia, para discutir questões do texto, que teve acréscimos e mudanças. Nosso texto é escrito quase simultaneamente à construção. Embora conheçamos a peça e seu enredo (e seu final, é claro), estamos recebendo o texto a prestações. Ouvimos músicas do Quinteto Armorial, cantamos as cantigas “Se essa rua fosse minha” e “Alecrim” e ainda sugerimos outras músicas. Precisamos nos afastar de nossa fonte inspiradora, o Romeu e Julieta do Grupo Galpão. Sendo as músicas um dos pontos fortes do espetáculo, é nossa missão procurar uma trilha sonora que não remeta tanto ao trabalho daquele grupo, mas que também se relacione com nossa montagem. Preferencialmente, devemos procurar obras que não sejam tarifadas pelo ECAD, cuja função nos foi explicada hoje. Roubo violento.
Aproveitei um pouco do tempo para afinar com o Rodrigo (nosso mais novo músico, junto da Camila) a primeira música do espetáculo. Acho que vamos fazer um trabalho bonito. Talvez, se tivéssemos melhores cantores, criaríamos uma entrada mais forte. Mas será que isso será possível mesmo com atores que não cantam tão bem assim? A própria Célia falou: não somos cantores. Somos atores que estão usando a música para contar uma história. Isso é diferente.
Ao final do encontro, recebemos o texto modificado, enfim, e o lemos. Foi-me apontado que eu deveria também abandonar ao máximo a voz do último personagem que fiz (Paulo, em “Senhora dos afogados”), e que a fala, embora versificada, não deveria ser dita desta forma. Será um grande desafio para mim achar um bom ritmo para esse narrador.
Nossa palavra-chave é: subtexto. Precisamos dele para dar uma intenção boa para cada fala. E nosso subtexto mais imediato é o de que estamos contando uma história.
Há trabalho demais pela frente.

25/04
Por conta do feriado de São Jorge, não nos reunimos na segunda.
Hoje eu estava inspirado. À tarde, tinha lido toda a parte do relatório - melhor, tinha devorado toda a parte do relatório - do Galpão sobre a montagem de Romeu e Julieta. Havia tantas passagens que repercutiam em mim, sobretudo as que se relacionavam às dificuldades dos atores! Sei que não sou parâmetro de universalidade para nada, mas acabei acreditando (por ver espalhadas por atores tantas dificuldades que acredito serem as minhas) que são problemas de todos. Mas o que mais me chamou atenção foi a forma como o diretor, Gabriel Vilela, teria apontado esses problemas: medo. Medo de errar, medo de arriscar. “Enlouqueça, Inês!”, e parecia que ele estava gritando para mim. Às vezes acho que o teatro é isso: enlouquecer para não embrutecer na vida real. A Célia sempre diz que teatro não é terapia. Eu discordo. Não tem como não ser. Impossível não mexer no mais de dentro da gente e não achar que se faz algum bem - e algum mal, em alguma medida. Atentei também para as partes em que o Gabriel se direcionava ao ator que fazia o narrador da história, meu personagem na nossa montagem. Do que ficou, guardei o momento em que ele dizia que o narrador deve contar a história “como quem a conta aos amigos, na mesa do bar”. Junto dos conselhos da Célia (“não recite; conte”), acho que comecei a entender um pouco mais do meu corifeu.
Havia também tantas passagens bonitas sobre a compreensão do texto. Inicialmente, eu concordava com a Célia quando dizia que o Romeu era um adolescente idiota. Achava que, de fato, a precipitação dele e da Julieta eram uma grande bobagem e que os dois eram umas crianças. Talvez não sejam. Talvez o Romeu seja uma antítese do que a gente tem vivido, de um amor que não tem (e lá vem a palavra de novo): medo. Que se joga, se precipita. Todas essas reflexões, e mais alguns vídeos que vi do trabalho que pode ser feito em teatro, tudo isso me deixou muito animado. Fora o cansaço do dia, fui para o ensaio muito feliz. É bom estar feliz com o que se faz.
No ensaio, a Célia chegou um pouco atrasada, o que nos permitiu passar nossos textos e nos mexer um pouco para entrar no clima. Quando ela chegou, recebemos rapidamente as orientações do que fazer (deveríamos trabalhar individualmente ou em grupos nossos textos até então). Antes disso, ouvimos as músicas do baile e do Romeu.
Começamos o trabalho individual, mas ela pediu que passássemos o texto em grupo, para darmos as intenções dele antes de trabalhar o corpo. O resultado não foi como gostaríamos, mas ... passou. Nas palavras da própria Célia: “uma merda”. Por alguma razão, senti que não desanimamos, como geralmente acontece.
Ao trabalharmos o corpo, senti alguma dificuldade em associar a intenção do texto com o corpo. A falta do adereço que eu vou usar (o guarda-chuva), mas consegui encontrar algum caminho. O que preciso agora é adaptar o que fiz às novas realidades que forem se inserindo (adereços, mudanças, caminhares) e não perder o que já tenho. Essa deve ser a parte mais difícil do nosso trabalho: guardar.
Estou com medo (mais uma vez, o medo?) das responsabilidades que venho ganhando. Ao mesmo tempo, sinto-me confiante e preparado para assumi-las. Estou, junto com o Rodrigo, o estagiário-músico do grupo, encarregado da parte musical (ajudando a escolher músicas e tendo que aprendê-las e tocá-las ao vivo). Para se ter uma ideia, só entre o ensaio de hoje e o próximo tenho que aprender a cantar uma música, aprender a tocar uma outra e recuperar a prática com a escaleta. Isso sem contar decorar o texto, falá-lo com a intenção correta, cuidar da movimentação corporal, os três trabalhos nada fáceis. Mas é um trabalho bom. Há responsabilidades muito gostosas de se assumir.

Estou confiante, mas sem acreditar que serei perfeito. Não preciso ser perfeito; preciso ser louco o suficiente para encontrar caminhos interessantes e racional o bastante para me lembrar deles. Questão de manter a cabeça fria, aceitar os erros (e acolhê-los!), compreender as mudanças e incorporá-las o máximo o possível. Morrer pelo trabalho. Estou ansioso pelos próximos ensaios.

Pauline Suarez / 2013.1

   Após a oficina de perna de pau feita no final do ano de 2012 com o objetivo de utilizarmos a técnica no espetáculo “Romeu e Julieta” que montaríamos no ano seguinte. Fizemos uma pequena apresentação de uma fala do personagem que gostaríamos de interpretar para a Célia, utilizando a perna de pau e também com um adereço. Escolhi então a Julieta.  Naquele momento não tivemos nenhuma resposta da Célia sobre a escolha dos personagens, mas deu para perceber que ela já tinha a ideia de alguns personagens, na minha opinião, a Fernanda deu o melhor texto da Ama, e se ela continuasse não perdesse aquele momento e trabalhasse nele com certeza seria uma ótima Ama.
Como de costume, antes de iniciarmos qualquer montagem e trabalho físico, começamos a estudar a teoria, ler tudo sobre Shakespeare, sua vida, suas peças. Cada um pesquisou na sua casa e depois lemos os textos uns dos outros. O trabalho foi importante para conhecermos mais sobre o autor que apesar de muito famoso por todos, muitas outras coisas aprendi.
Depois de muitas aulas estudando a teoria no Procenium, pois também não tínhamos ainda um local para fazer a oficina, já que a sala de dança aonde trabalhávamos estava em obra, começamos a utilizar a sala da COART. Em um segundo momento, apresentamos novamente uma fala da personagem que gostaríamos de interpretar, mas dessa vez não usamos qualquer adaptação e sim a adaptação que a Célia e o Roberto já tinham feito para a  Nosconosco em outra época, que a maioria de nós não tinha vivenciado.  Desta vez, apenas aqueles que tinham o desejo de interpretar Romeu ou Julieta usariam a perna de pau, foi também necessário escolher algum figurino no Procenium. Apenas eu tinha o desejo de interpretar Julieta, mas mesmo assim não achei que seria fácil. Após essa apresentação a Célia já tinha decidido a maioria dos personagens. E eu tinha conseguido o papel da Julieta, mas sabia que tinha que correr atrás disso também.
Antes de começarmos a trabalhar em cima do texto original de Shakespeare, fizemos alguns exercícios utilizando músicas folclóricas, esse estilo de música seria utilizado no espetáculo. Os exercícios tinham o objetivo de usarmos o corpo, através de movimentos que junto com a música contaria uma história. Ao longo das aulas, utilizamos mais de uma música e ao final cada um levou a sua máscara neutra para usá-la no exercício. A máscara ajudaria então o corpo a contar a história, sem utilizar o rosto.
Voltamos a utilizar a sala de dança e de lá a trabalhar com o texto original de Romeu e Julieta. A Célia começou a trabalhar em uma nova adaptação e aos poucos nos dar as primeiras cenas e falas. A cena da entrada ficou belíssima! Com a música “Se essa rua fosse minha”, cantada pelos atores ao som do acordeão. Eu e o Saulo (Romeu) entramos de perna de pau. Após a entrada a Julieta sai de cena.

No último encontro (24 de abril) assisti a cena, pois a Julieta ainda não tinha entrado novamente. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Marcia Cazer / 2012


 Iniciamos os trabalhos no dia 06 de fevereiro com os seguintes objetivos:
1 – Terminar o espetáculo de palhaço;
2 – Começar um processo de pesquisa para um novo espetáculo da COMEDIA DELL’ARTE;
3 – Pensar um espetáculo adulto;
4 – Nos inscrever no Festival de Congonhas, MG (PROFEST).
Iniciamos lendo o texto “A Loucura de Isabela” (Flamínio Scala). Célia pediu pra pesquisarmos textos, imagens, vídeos nas bibliotecas sobre a Comedia dell’Arte e trazer na última semana de março.
Depois fizemos exercícios, alongamentos, acordar o corpo, abertura dos canais, Paulo Coelho, aquecimento. Nosso corpo lembrou a maior parte dos movimentos.
Esse  ano trabalharemos mais um dia, que é a segunda-feira.
Notícia triste foi a saída da Juliana, que fez um discurso agradecendo a todos, porém precisava de tempo pra terminar a faculdade.

Os Clowns Bailarinos
Nessas primeiras semanas fizemos bastantes exercícios e limpamos as cenas do espetáculo de palhaço.
Em março fizemos uma mesa de leitura e cada um defendeu um texto para apresentar (CANOVACCI).
Em abril entregamos as pesquisas sobre a comédia dell’arte e Célia ficou muito feliz, pois cada um aprofundou em um assunto: música, texto, máscaras, figurinos. Ela levou os materiais para reproduzir para todos.
Em 21 de maio passamos o espetáculo de palhaço completo, porém a Célia disse que estava sem ritmo e automático. Era preciso se tornar mais orgânico.
Em 30 de maio passamos todo o espetáculo com figurino, porém sem maquiagem. A Célia disse que às vezes perdemos nosso palhaço em cena.
De 1 a 3 de junho fomos apresentar o espetáculo “Os Clowns Bailarinos” no PROFEST (Festival de Congonhas, MG).
O Espetáculo  demorou  para começar, o som não estava bom, mas estreamos. Depois dois jurados vieram conversar conosco no camarim. Disseram que o espetáculo estava bonito, porém muito rápido; que o rosto dos atores já denunciava as ações antes delas acontecerem; que poderíamos aproveitar mais a plateia. Em termos da organização do festival, falhou em vários aspectos: luz, som, pessoal, atropelamento dos espetáculos, critérios do júri não muito claros, mas valeu como experiência. A Célia elogiou o trabalho de Saulo e Lucas, hoje nossos melhores clowns.
Em 13 de junho, Célia coloca na roda a ideia de trabalharmos o projeto da Comédia dell’Arte dom diferentes oficinas: canto, circo, danças populares. Ficamos de procurar profissionais para o orçamento. A Célia propôs que o Lucas dirigisse uma leitura dramatizada, falou da vontade de fazer um espetáculo com um cortejo e algumas paradas para cenas.
Em 27 de junho, estreamos oficialmente no Teatrão “Os Clowns Bailarinos” para aproximadamente 500 alunos da rede pública. Que diferença de MG! A qualidade da energia da plateia que reagia a tudo, atentos a todas as ações. A troca foi incrível!
“A gente não tem a dimensão do alcance de um bom espetáculo” (Victor)
Todos  ficamos muito felizes e mais a vontade no palco e improvisamos mais. Foi ótimo! Saímos energizados.
Lucas propôs a leitura do texto “Senhora dos Afogados” (Nelson Rodrigues), pediu pra pesquisarmos músicas de domínio público relacionadas ao mar. Como o teatrão está em obras, iremos estudar a teoria de Nelson Rodrigues.

Nelson Rodrigues
Em 9 de julho, iniciamos os trabalhos sob a orientação de Lucas Matos para a leitura dramatizada de “Senhora dos Afogados”.
Em 12 de julho, tivemos mais uma perda: Luiza sai da companhia para assumir o comando de greve em Brasília. Célia comunica que não fará a Avó. Lucas repensa os papeis e põe Luana como Moema e eu como Avó.
Em 16 de julho, passamos todo o primeiro ato. Fomos divididos em 3 grupos: sonoplastia, vizinhos e mulheres. As falas estão um pouco sem intenção e a velha precisa ser mais agressiva e insana.
Em 18 de julho, fizemos exercícios de respiração e sonorização com a vibração de partes diferentes do corpo. Começamos a trabalhar variações nas falas, no texto e deu certo, encontrei uma voz mais grave para a Avó.
O primeiro ato completo deu 15 minutos. A sonoplastia criou coisas boas: chegada, tambor e mar, o almoço marcado com a batida de talheres. Victor entrou com a fala do Paulo hoje. Passamos o primeiro ato duas vezes. O exercício anterior melhorou muito nosso desempenho, resolvemos fazer sempre. O Lucas cobrou a pesquisa sobre a vida de Nelson Rodrigues, músicas folclóricas sobre mar e poesias.
Em 6 de agosto, cheguei 30 minutos antes para fazer exercícios com o Lucas de tonalidades de voz para melhorar a Avó. Várias tentativas: mais agudo, mais grave, mediano, lento, mais rápido. O que funcionou foi o mais grave e mais rápido, mas às vezes perco a intenção. Passamos o primeiro ato duas vezes.
Em 8 de agosto, cheguei cedo para ensaiar a voz da Avó com a Célia. Ela pediu pra eu buscar uma voz rouca, colocando um movimento com as mãos e funcionou.
Em 13 de agosto, fizemos uma roda pra discutirmos se íamos ou não nos apresentar na Semana de Nelson Rodrigues, na COART. Por fim, percebemos que não iria dar tempo de estar tudo pronto e não queríamos apresentar o trabalho de qualquer forma. Preferimos apresentar na UERJ sem Muros, pois teríamos mais tempo.
Em 20 de agosto, cantamos parabéns pra Célia e Lucas colocou que seriam 3 músicas: entrada, meio e saída. Ele também aceitou minha sugestão: “É Doce Morrer no Mar” (Dorival Caymmi) e pediu pra eu ouvir “Sargaço Mar” (Caymmi).
Em 29 de agosto, começamos a criar as ações físicas para o texto: entrada das lavadeiras ao som do acordeon tocado pelo Victor (É Doce Morrer no Mar...). Aline, Luana e eu entramos, sentamos, esfregando a roupa e lendo a primeira parte do texto. Ficou bonito!
Em 5 de outubro houve a apresentação de “Os Clowns Bailarinos” no Teatro da UERJ, às 14h. Chegamos às 8h, arrumamos o palco e passamos a luz, o som e as ações, até 13:40h. Tínhamos 20 minutos para se arrumar e maquiar. Ao final do espetáculo, fomos falar com o público (alunos da rede pública), limpar tudo e guardar todo o material cênico. O espetáculo não ficou tão bom quanto o primeiro, modificamos algumas marcas, por conta da saída da Luiza. O professor Roberto veio hoje e quem nos avaliou foi a professora Cássia Frade. Fomos 80% hoje. Fiquei irritada, pois estava muito tempo sem comer, desde as 8h.
Em 17 de outubro aconteceu a apresentação da leitura de “Senhora dos Afogados” de Nelson Rodrigues, na sala 03 da COART, às 18h. Chegamos às 11h fizemos uma instalação no cenário, com textos datilografados na parede, livros pendurados e no chão, papel celofane nas lâmpadas e tule roxo, preto e azul, mais uma máquina de escrever antiga e um rádio. O cenário ficou lindíssimo! Às 16h paramos, tivemos 20 minutos para comer. Voltamos passamos tudo com a sala escura.
A leitura foi com energia, não erramos tanto o texto, mas ainda estamos inseguros. Porém, a concentração estava boa, dava para sentir pela proximidade com o público. Ao final a professora de Dança, Maria Lúcia, veio conversar comigo e disse que ficou surpresa, pois esperava ouvir apenas uma leitura comum do texto de Nelson Rodrigues, que devíamos arriscar mais e fazer textos adultos, pois estamos amadurecendo. Disse também que percebeu a ritualística característica do grupo em todos os espetáculos, nas ações ao tocar os instrumentos. Fiquei contente com o resultado, nos superamos mais uma vez!
Em 22 de outubro, fizemos uma avaliação do espetáculo. Vimos a filmagem da apresentação e cada um colocou uma impressão sobre a leitura. Eu disse que é muito difícil ver uma boa montagem de Nelson (até hoje só vi uma, a do Armazém), mas a nossa ficou respeitável, com muita dignidade. Célia, Lucas e Saulo colocaram que o texto ainda não está fluindo bem.
Em 24 de outubro, a Companhia sofre uma grande perda: Lucas deixa de participar, pois foi convidado pelo grupo Moitará para uma montagem.

Oficina de Perna-de-pau
Em 7 de novembro, iniciamos a oficina de perna-de-pau com alongamento. Trabalhamos em duplas, um  segura e o outro anda com a perna. Nesse primeiro dia Pauline e Saulo se saíram muito bem, enquanto Fernanda e Aline tiveram mais dificuldades. O professor disse que fui bem e que só preciso perder o medo e deu a dica de cair sempre para frente, pois os joelhos estão protegidos.
Em 12 de dezembro, último dia da oficina de perna-de-pau, de três em três, sobre as pernas, fizemos um cortejo cantando a música “Flor, Minha Flor”. Depois cada um do trio falava um trecho que tinha no texto de Romeu e Julieta, fazendo um personagem com um adereço.
Eugênio disse que ficou muito feliz por trabalhar conosco.
É a primeira vez que estamos sozinhos na perna-de-pau, segurando um instrumento e falando o texto. Acho que vamos melhorar. Já estamos todos andando na perna-de-pau, praticamente sem ajuda.

Conclusão
Esse ano, fiquei  muito feliz com o projeto! Adoro fazer o espetáculo: “Os Clowns Bailarinos”, a Pipi, minha palhaça, é um presente para mim! Realmente, quando esse processo começou, não acreditava que iria conseguir ter minha palhaça e achei que iria acabar fazendo a sonoplastia ou outra coisa para ajudar, porém os exercícios foram fazendo com que chegássemos lá  e  um dia, em um exercício coletivo, ela nasceu. Me  lembro  que era uma cena corrida e ela ficava parada enquanto todo mundo se desesperava para alcançar a chegada. Ela ficou sozinha se achando a maior. Ver meus colegas, na roda desse dia, falando e rindo dela, dizendo que ela era boa, foi um presente para mim. Ela é muito levada e assanhada, faz coisas que socialmente a “Marcia” não faria e me fez sentir muito feliz com o retorno das crianças que vem falar com ela, após os espetáculos. Fico pensando, onde será que o teatro vai me levar? É sempre um grande desafio! Esse ano, em uma semana, tive que aprender a andar de patins para uma cena. Em dois meses aprendi a andar na perna-de-pau.A construção da minha palhaça foi dolorida no começo mas depois foi um grande presente.Só posso agradecer ao projeto na pessoa da professora: Maricélia Bispo e do professor:Roberto Dória pelo respeito ao teatro,pelo investimento no humano,no lírico por acreditar em nós sempre,por nos desafiar e brigar com os outros e conosco pelo nosso melhor.Obrigado Mestres!!!
 Que possamos sempre mergulhar nos bons braços do teatro e que ele nos leve a criar e compartilhar um mundo melhor...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Saulo Rocha / 2010


07/06/2010

Primeiro Trabalho com Venda nos Olhos

Chego atrasado e a Ilana já iniciou o trabalho de voz. No aquecimento, formaram-se duplas em que um conduzia o parceiro, utilizando apenas um dedo. Esse, por sua vez, estava de olhos fechados e atento ao leve toque de dedos que o conduzia. Seguem os habituais exercícios de respiração, dicção e ritmo. Ao fim de uma hora que passa voando, a aula de voz termina.
            No começo do trabalho de teatro acordamos o corpo. Noto que o grupo já possui certa autonomia no aquecimento e “abertura dos canais” que nos auxilia na concentração e percepção. De qualquer forma, Maricélia fica atenta e corrige um ou outro pontualmente. Percebo que nessa etapa a interferência tem sido menor.

Desafio
            O encontro de hoje propõe o início do trabalho com máscaras, utilizando apenas uma venda nos olhos. A proposta é simples na teoria e complexa na execução como todo bom exercício de teatro. Devemos, segundo as palavras da Maricélia, vendar os olhos ritualisticamente; parar em um ponto da sala em posição fetal; iniciar sem pressa a exploração do espaço com o corpo todo e ao encontrar um colega não fugir, mas explorar com toque.
            Ao fim da explicação, ainda no ritmo acelerado da correria trabalho-teatro me sentia desconcentrado e o fato de não saber o que esperar me fazia sentir incapaz de vivenciar o processo sem agir de forma mecânica apenas cumprindo o que foi exigido. Isso porque tenho sido muito racional.
            Depois que achei o meu ponto na sala e assumi posição fetal confortável, o primeiro pensamento mais nítido que me ocorreu foi a indicação de não ter pressa. Juntei essa máxima ao que havíamos aprendido sobre respiração na aula de voz anterior e esse virou meu principal foco.
Na medida em que os pensamentos foram cessando, a consciência de cada pequena parte do corpo crescia. Junto com ela, uma sensação de total comunhão com o ambiente. Ao mesmo tempo em que tudo era novo e percebido de um novo ângulo, tudo era familiar, confortável.
            Aos poucos senti uma energia acumulada no corpo que parecia guiada pela venda e me levava à ação. Prossegui deitado, mas em movimento, utilizando todo corpo para perceber o espaço, em movimento leve e não controlado pela outrora excessiva racionalidade.
            Em algum momento percebo a melodia de uma música e ela também soa familiar, adequada e integrada ao ambiente, como todo o resto.
            Estou em movimento sempre pelos cantos, não porque me atenho ao referencial da parede, mas porque estou realmente envolvido na exploração da superfície que se alterna entre o frio e liso do espelho com a aspereza e aspecto empoeirado do tijolo.
            No meio do meu caminho, esbarro com uma perna humana e isso não causa surpresa, sinto a perna como parte do ambiente, como elemento que dele pertence e não como organismo externo, alheio.
            Esse encontro faz ter consciência da amplitude do espaço, que abrigava diversas viagens individuais com conforto. Isso me dá impulso para me deslocar, ainda deitado, para o centro da sala em gestos amplos e seguindo a melodia. Incrivelmente não esbarro com ninguém e quando sinto o primeiro se aproximar, recebemos o comando de abrir os olhos e voltar para roda. Em suma, voltar para o mundo real numa viagem que, conforme colocado pela professora, é uma viagem em que ninguém sai indiferente, imune.
            Concordo em silêncio e com a mesma dificuldade que tive para embarcar na viagem inicialmente, retorno ao mundo real, certo de que algo em mim se modifica para melhor. Assim como cada vivência como essa que o teatro proporciona.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Aline Deyques / 2012


Oficina Perna de Pau

E depois da experiência de “Os Clowns Bailarinos” e da leitura dramatizada de “Senhora dos Afogados” veio à oficina de Perna de Pau, da qual eu queria muito, porém só consigo definir essa oficina para mim em duas palavra: MEDO e INSEGURANÇA.
Não sabia que seria tão difícil para eu subir em uma perna de pau, sim eu estava querendo muito a oficina, mas quando subi naquelas novas pernas, as minhas antigas pernas ficaram bambas, a minha visão ofuscou e a única coisa que sentia era um pânico imenso de cair. Sempre tive problemas com alturas, mas achei que depois de ter vindo estudar na UERJ, mais precisamente no 11° andar eu tinha melhorado um pouco, mas vi que ainda não estava totalmente curada.
Tinha muito medo e ainda tenho, não estou totalmente segura. Foram 10 encontros e eu só consegui dar alguns passos sem uma pessoa me segurando no último dia, isso de certa forma foi extremamente frustrante, pois queria estar andando como todos os meus colegas, mas não consegui, ao mesmo tempo senti que andar no último dia, me mostrou que se eu seguir tentando eu irei conseguir um dia...
Fiquei muito feliz de ver todos andando e de ver a Fernanda andando que assim como eu, no primeiro dia, também estava histérica.
No meu caso ainda a ajuda do Saulo me ajudou muito a poder andar com mais segurança, ele foi muito bom instrutor, também não tirando o mérito do Martin, que também em todo tempo foi muito atenciososo.
No último dia, eu nem estava nervosa com o texto de “Romeu e Julieta” que eu iria falar, tanto que nem consegui decorá-lo, eu mais nervosa em ter que ficar na perna de pau e não sabia se iria conseguir caminhar... Ainda precisei de apoio, mas quando a Célia deu o grito : “ANDA”, dai me senti obrigada a enfrentar o meu medo e dar um único passo, não sabia como voltar depois, me segurei na Fernanda e consegui me equilibrar, voltando ao meu lugar...Isso me deixou emocionada, na realidade, nem sei por quê, pois minha obrigação era caminhar muito mais, mas enfim, o meu medo,  a minha insegurança ainda é maior. Sou muito desastrada e isso me dá motivos para não confiar em mim.
Mas enfim, como sempre digo tudo o que eu passo na Nosconosco é muito enriquecedor, quem sabe eu consiga me equilibrar e “caminhar com novas pernas” no que virá de agora em diante...