21/janeiro/2010
Combinamos de nos encontrar às 13h, mas o funcionário que abre o teatro estava marcado para as 14h. Então, enquanto esperávamos, o grupo ensaiou a música “Carta à República” e “Imagine” com o som portátil.
Quando conseguimos entrar no teatro o ensaio começou a partir do momento do “Eu sei, mas não devia”. “Cálice” teve algumas pequenas alterações. Após chegar até a última unidade o grupo esperou o Antônio para passar a peça direto. Ele não conseguiu chegar mais cedo porque ficou preso no local de trabalho, não conseguiu sair mais cedo.
A marcação de “Coração civil mudou”. Agora todos os atores ficam no palco para cantar e só depois quem está do próximo quadro vão para as coxias.
Depois de passar a peça toda a Célia conversou alguns detalhes com os atores. A forma da Raquel em brincando com a palavra liberdade precisa ser mudada e talvez o adereço que o Antônio usa no momento das noivas mude.
O Roberto chegou para montar a luz. Enquanto ele montava, com os técnicos do teatro, os atores se dividiram em dois grupos. Um foi lixar e pintar os bancos e os cabideiros de preto. O outro grupo ficou dentro do teatro para ajudar a montar o cenário e se fosse preciso ajudar na montagem de luz. Os programas que vão ser entregues para o público chegou hoje, o grupo aprovou; dobramos quase todos, ficou faltando dobrar uns cem. Trabalho para amanhã cedo.
Para o cenário nós amarramos tiras de um tecido longo e leve que a Célia trouxe. Primeiro eles ficariam dispostos soltos, como um varal. Depois foi testado que se torcesse os panos de maneira irregular entre eles, poderia funcionar melhor. Experimentamos, deu certo; dependendo da luz que incide parecem taças e às vezes ampulhetas.
Depois de pintar os bancos e ajudar no cenário os atores testaram a maquiagem. A aplicação do pancake foi um problema à parte. Os atores da Nosconosco ajudaram, mas foi a Raquel que descobriu que esse pancake em especial (muito barato, pois a grana era curta) se espalha melhor pelo rosto dando batidinhas, ao invés de se espalhar com a esponja.
Quando terminavam suas maquiagens os atores mostravam para Diretora que pedia alguma mudança, ou aprovava. Em geral as idéias desenvolvidas durante a oficina funcionaram.
Amanhã o grupo chega às 10h. Vão ensaiar com a luz e a maquiagem. E às 19h o espetáculo começa.
MERDA!MERDA!MERDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 7
19/janeiro/2010
Começamos a limpar a partir de “Velha roupa colorida.”
A movimentação foi coreografada, separada em setores.
Enquanto o grupo ensaiava faltou luz três vezes. O grupo seguiu sem música para evitar que o som estourasse com algum pico de luz.
Para podermos marcar melhor, o Lucas foi buscar na sala do Procenium um som portátil. Seguimos então ensaiando com música, mas ainda sem ar.
Alguns detalhes da marcação de “Dizem que sou louco” foram mudados e de “Eu sei, mas não devia”, também.
Depois do dia de ensaio a Diretora agradeceu aos atores que persistiram mesmo sem ar, com música baixa e com todas as adversidades.
Começamos a limpar a partir de “Velha roupa colorida.”
A movimentação foi coreografada, separada em setores.
Enquanto o grupo ensaiava faltou luz três vezes. O grupo seguiu sem música para evitar que o som estourasse com algum pico de luz.
Para podermos marcar melhor, o Lucas foi buscar na sala do Procenium um som portátil. Seguimos então ensaiando com música, mas ainda sem ar.
Alguns detalhes da marcação de “Dizem que sou louco” foram mudados e de “Eu sei, mas não devia”, também.
Depois do dia de ensaio a Diretora agradeceu aos atores que persistiram mesmo sem ar, com música baixa e com todas as adversidades.
FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 6
18/janeiro/2010
Hoje chegaram os cartazes e os convites. Cada um pegou alguns para distribuir e divulgar. A apresentação é essa sexta-feira e ainda temos alguns pontos para limpar. No dia seguinte alguns vão à cidade comprar o que falta e todos irão percorrer a UERJ e entregar cartazes e convites. Ator rala!
Começamos a passar diretos às 18:42. A Célia fez anotações e fez alguns comentários, mas a montagem seguiu sem interrupções. Terminamos de passar exatamente às 19:42, ou seja a peça tem uma hora de duração.A diretora passou suas observações para os atores. Saulo vai trocar de objeto na música “Velha roupa colorida” porque a gravata que ele está usando não está funcionando. O leque da Aline quebrou durante o ensaio, foi providenciado outro.
Vamos passar de “Como nossos pais” em diante, que é onde estão concentrados os erros. Repetimos algumas vezes essa música até ajustar as posições e onde cada ator ficaria. Passamos com música e sem música.
Também passamos “Velha roupa colorida” mais de uma vez, com e sem música. O tempo do teatro acabou e amanhã vamos voltar a partir dessa unidade. Vamos repassar essa música amanhã marcando o lugar e a ocupação de espaço de cada um.
Quarta-feira é feriado e não vamos nos encontrar. Porém, quinta o encontro foi marcado para 13h. O grupo vai começar a ensaiar e enquanto a luz estiver sendo marcada vamos fazer ajustes de acessórios e cenário.
Hoje chegaram os cartazes e os convites. Cada um pegou alguns para distribuir e divulgar. A apresentação é essa sexta-feira e ainda temos alguns pontos para limpar. No dia seguinte alguns vão à cidade comprar o que falta e todos irão percorrer a UERJ e entregar cartazes e convites. Ator rala!
Começamos a passar diretos às 18:42. A Célia fez anotações e fez alguns comentários, mas a montagem seguiu sem interrupções. Terminamos de passar exatamente às 19:42, ou seja a peça tem uma hora de duração.A diretora passou suas observações para os atores. Saulo vai trocar de objeto na música “Velha roupa colorida” porque a gravata que ele está usando não está funcionando. O leque da Aline quebrou durante o ensaio, foi providenciado outro.
Vamos passar de “Como nossos pais” em diante, que é onde estão concentrados os erros. Repetimos algumas vezes essa música até ajustar as posições e onde cada ator ficaria. Passamos com música e sem música.
Também passamos “Velha roupa colorida” mais de uma vez, com e sem música. O tempo do teatro acabou e amanhã vamos voltar a partir dessa unidade. Vamos repassar essa música amanhã marcando o lugar e a ocupação de espaço de cada um.
Quarta-feira é feriado e não vamos nos encontrar. Porém, quinta o encontro foi marcado para 13h. O grupo vai começar a ensaiar e enquanto a luz estiver sendo marcada vamos fazer ajustes de acessórios e cenário.
FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 5
12/janeiro/2010
A Raquel B. deixou o grupo, alegou motivos pessoais A montagem agora conta com 10 atores. È barra, estamos no laço, teremos que correr contra o tempo. Mas....tudo bem, vamos em frente,rever distribuição de textos e marcações.Algumas marcações foram mudados como o próprio início que ao invés de ter parte do elenco saindo das coxias começa com todos em cena. A peça não terá cortina. Quando a sala for aberta os atores já estarão presentes, posicionados no palco.
Devido às saídas de atores no meio da montagem falas que foram decididas no início foram redistribuídas e algumas poucas suprimidas do texto.
Hoje algumas inversões foram feitas. Os textos do Pedro (Ator), da Pauline (Amo a música) e do Saulo (Agora sou uma estrela) foram colocados entre a música “Eu quero um casa no campo” e “Imagine”. Esperamos que funcione melhor no todo.
No momento de “Imagine” ajustar em que momento e ritmo o Rômulo e a Fernanda deveriam falar deu um pouco de trabalho. Outra dificuldade que tivemos hoje foi o momento de entrada das músicas, que não estavam sincronizadas em cima da deixa. Problemas de operação de som.
A peça foi ensaiada do ponto que começamos até a unidade final, fazendo os ajustes e marcando os atores e suas ações. Depois disso começamos a passar a peça desde o início. Seria sem interrupções, mas Célia preferiu repetir alguns momentos. Não foi possível chegar até o fim já que o horário dos técnicos do teatro vai até 21h.
Reunimos-nos nas escadas do prédio dos alunos para resolver alguns detalhes como maquiagem e camisa. A Pauline ficou de pegar o dinheiro na segunda-feira para comprar a maquiagem a as camisas.
Além disso, a Célia também conversou com o grupo para incentivar todo mundo, já estamos próximos da apresentação vamos precisar de muito gás essa semana.
A Raquel B. deixou o grupo, alegou motivos pessoais A montagem agora conta com 10 atores. È barra, estamos no laço, teremos que correr contra o tempo. Mas....tudo bem, vamos em frente,rever distribuição de textos e marcações.Algumas marcações foram mudados como o próprio início que ao invés de ter parte do elenco saindo das coxias começa com todos em cena. A peça não terá cortina. Quando a sala for aberta os atores já estarão presentes, posicionados no palco.
Devido às saídas de atores no meio da montagem falas que foram decididas no início foram redistribuídas e algumas poucas suprimidas do texto.
Hoje algumas inversões foram feitas. Os textos do Pedro (Ator), da Pauline (Amo a música) e do Saulo (Agora sou uma estrela) foram colocados entre a música “Eu quero um casa no campo” e “Imagine”. Esperamos que funcione melhor no todo.
No momento de “Imagine” ajustar em que momento e ritmo o Rômulo e a Fernanda deveriam falar deu um pouco de trabalho. Outra dificuldade que tivemos hoje foi o momento de entrada das músicas, que não estavam sincronizadas em cima da deixa. Problemas de operação de som.
A peça foi ensaiada do ponto que começamos até a unidade final, fazendo os ajustes e marcando os atores e suas ações. Depois disso começamos a passar a peça desde o início. Seria sem interrupções, mas Célia preferiu repetir alguns momentos. Não foi possível chegar até o fim já que o horário dos técnicos do teatro vai até 21h.
Reunimos-nos nas escadas do prédio dos alunos para resolver alguns detalhes como maquiagem e camisa. A Pauline ficou de pegar o dinheiro na segunda-feira para comprar a maquiagem a as camisas.
Além disso, a Célia também conversou com o grupo para incentivar todo mundo, já estamos próximos da apresentação vamos precisar de muito gás essa semana.
FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 4
30/novembro/2009
As apresentações foram marcadas no Teatro Noel Rosa para 22 de janeiro, nos dias 11, 12, 18,19 e 21 estaremos ensaiando no teatro; remarcando espaço, montando luz com o Roberto, trabalhando o canto com a Ilana, pintando bancos e cabides, pendurando panos e ensaiando...ensaiando...ensaiando. É exaustiva-mente prazeroso. Não fazem mais parte do grupo: Thiago, Nádia e Aline A. No encontro de hoje Antônio não esteve presente porque estava afônico. Foi feita a marcação de “Eu sei mais não devia”. Cada fala é junto com a movimentação do ator em uma determinada direção. A última sílaba da fala deve fechar com o último passo. Marcação cansativa, que muda a cada momento.
Ao som de Rosa de Hiroshima todos se voltam durante a introdução para cantar parados juntos à música. Ao fim da música se abaixam. Os atores se levantam com suas falas. A ordem das falas foi mexida até encontrar uma maneira que funcionariam melhor.
Em reunião final a Célia chamou a atenção de que as falas precisavam estar orgânicas, que muitos ainda não as tinham. O nome foi fechado em “Liberdade !?” e foi decidido que o discurso de “o grande ditador”seria dividido.
As apresentações foram marcadas no Teatro Noel Rosa para 22 de janeiro, nos dias 11, 12, 18,19 e 21 estaremos ensaiando no teatro; remarcando espaço, montando luz com o Roberto, trabalhando o canto com a Ilana, pintando bancos e cabides, pendurando panos e ensaiando...ensaiando...ensaiando. É exaustiva-mente prazeroso. Não fazem mais parte do grupo: Thiago, Nádia e Aline A. No encontro de hoje Antônio não esteve presente porque estava afônico. Foi feita a marcação de “Eu sei mais não devia”. Cada fala é junto com a movimentação do ator em uma determinada direção. A última sílaba da fala deve fechar com o último passo. Marcação cansativa, que muda a cada momento.
Ao som de Rosa de Hiroshima todos se voltam durante a introdução para cantar parados juntos à música. Ao fim da música se abaixam. Os atores se levantam com suas falas. A ordem das falas foi mexida até encontrar uma maneira que funcionariam melhor.
Em reunião final a Célia chamou a atenção de que as falas precisavam estar orgânicas, que muitos ainda não as tinham. O nome foi fechado em “Liberdade !?” e foi decidido que o discurso de “o grande ditador”seria dividido.
FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 3
05/outubro/2009
O Thiago voltou para o grupo, ele havia saído por conta do horário do trabalho, todos ouviram as colocações dele e concordaram que voltasse a participar, por conta disso a marcação vai precisar ser refeita. A Raquel B não estava presente nesse dia, então por enquanto o Thiago fez suas falas. A marcação foi feita desde o início, com música, durante a música “Vai Passar” todos os atores fazem um carnaval em cena, andam, se divertem, sambam. Eles ainda não tinham a letra da música decorada, o que precisa ser feito logo.
A música “Tatuagem” também foi marcada. Inicialmente seria feita por Pedro e Luana, mas a Luana parecia estar tímida. A Fernanda conseguiu um efeito mais próximo do que a cena exigia, ficamos de resolver no próximo encontro.
Após as falas de Rômulo e Vitor todos os atores criam formas para fotografias ao som da música “Como os nossos pais”. Nesse momento eles não cantam.
Ao final Aline tem sua fala enquanto os outros buscam adereços de cabaré e se posicionam ao fundo do palco para a próxima música “Velha Roupa Colorida.” Marcamos até a décima primeira unidade.
*****Seguiram uma série de feriados e posteriormente eu (Renata) que escrevo o diário de bordo tive um torção no pé e fiquei três semanas afastada. Perdemos também. Lindinete, Thiago, Nádia e Aline A. se afastaram do grupo por questões variadas: problemas de violência urbana, não podendo por conta disso, chegar tarde em casa; por problemas de ordem pessoal, por faltarem aos ensaios extras, Enfim, continuamos os ensaios, ensaiamos outros dias para compensar os feriados.
O diário sofre uma interrupção, vamos precisar redistribuir textos, remarcar cena. Uma pena....mas é nossa realidade, nosso ofício. *****
O Thiago voltou para o grupo, ele havia saído por conta do horário do trabalho, todos ouviram as colocações dele e concordaram que voltasse a participar, por conta disso a marcação vai precisar ser refeita. A Raquel B não estava presente nesse dia, então por enquanto o Thiago fez suas falas. A marcação foi feita desde o início, com música, durante a música “Vai Passar” todos os atores fazem um carnaval em cena, andam, se divertem, sambam. Eles ainda não tinham a letra da música decorada, o que precisa ser feito logo.
A música “Tatuagem” também foi marcada. Inicialmente seria feita por Pedro e Luana, mas a Luana parecia estar tímida. A Fernanda conseguiu um efeito mais próximo do que a cena exigia, ficamos de resolver no próximo encontro.
Após as falas de Rômulo e Vitor todos os atores criam formas para fotografias ao som da música “Como os nossos pais”. Nesse momento eles não cantam.
Ao final Aline tem sua fala enquanto os outros buscam adereços de cabaré e se posicionam ao fundo do palco para a próxima música “Velha Roupa Colorida.” Marcamos até a décima primeira unidade.
*****Seguiram uma série de feriados e posteriormente eu (Renata) que escrevo o diário de bordo tive um torção no pé e fiquei três semanas afastada. Perdemos também. Lindinete, Thiago, Nádia e Aline A. se afastaram do grupo por questões variadas: problemas de violência urbana, não podendo por conta disso, chegar tarde em casa; por problemas de ordem pessoal, por faltarem aos ensaios extras, Enfim, continuamos os ensaios, ensaiamos outros dias para compensar os feriados.
O diário sofre uma interrupção, vamos precisar redistribuir textos, remarcar cena. Uma pena....mas é nossa realidade, nosso ofício. *****
FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 2
28/setembro/2009
O ensaio começou com atraso. Não houve aquecimento, e a marcação continuou de onde havia parado. Além disso, o encontro foi feito sem som, pois o aparelho estava trancado e o Régis que fazia o som não estava presente.
Em um determinado acorde na música ‘”Lágrimas do Sul” todos que estão ao fundo levantam um tecido branco sobre as cabeças e as falas de Saulo e Aline Gaúcha começam. Eles não conseguiam lembrar o texto, estavam pouco concentrados.
A unidade quatro não foi marcada, pela falta de música. Para próxima cena são posicionados seis bancos no palco. Os atores Pedro, Vitor, Fernanda, Raquel B, Aline e Antônio ficam sobre os bancos como estátuas com símbolos relacionados às suas frases. Aqueles que não estão em bancos ficam sentados a beira do palco e são responsáveis pelas falas dos Diretos Humanos.
Após essa cena os bancos são guardados nas coxias. A música que segue é “Coração Civil” em que Nádia e Antônio se posicionam ao centro do palco para suas próximas falas e todos os outros de sentam nas escadas da platéia.
Nádia e Antônio fazem suas falas sobre o casamento, também falas foram esquecidas. A unidade oito também não foi marcada por falta de música. Fomos até a décima unidade.
Na reunião final o grupo debateu a questão do nome mais uma vez e provisoriamente o nome ficou “Liberdade”. Pontuou também a falta da ausência do Régis como um dificultador para o andamento dos trabalhos, bem como o fato de o texto não estar orgânico nos atores.
O ensaio começou com atraso. Não houve aquecimento, e a marcação continuou de onde havia parado. Além disso, o encontro foi feito sem som, pois o aparelho estava trancado e o Régis que fazia o som não estava presente.
Em um determinado acorde na música ‘”Lágrimas do Sul” todos que estão ao fundo levantam um tecido branco sobre as cabeças e as falas de Saulo e Aline Gaúcha começam. Eles não conseguiam lembrar o texto, estavam pouco concentrados.
A unidade quatro não foi marcada, pela falta de música. Para próxima cena são posicionados seis bancos no palco. Os atores Pedro, Vitor, Fernanda, Raquel B, Aline e Antônio ficam sobre os bancos como estátuas com símbolos relacionados às suas frases. Aqueles que não estão em bancos ficam sentados a beira do palco e são responsáveis pelas falas dos Diretos Humanos.
Após essa cena os bancos são guardados nas coxias. A música que segue é “Coração Civil” em que Nádia e Antônio se posicionam ao centro do palco para suas próximas falas e todos os outros de sentam nas escadas da platéia.
Nádia e Antônio fazem suas falas sobre o casamento, também falas foram esquecidas. A unidade oito também não foi marcada por falta de música. Fomos até a décima unidade.
Na reunião final o grupo debateu a questão do nome mais uma vez e provisoriamente o nome ficou “Liberdade”. Pontuou também a falta da ausência do Régis como um dificultador para o andamento dos trabalhos, bem como o fato de o texto não estar orgânico nos atores.
FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO DE BORDO DA MONTAGEM “LIBERDADE!?” 1
21/setembro/2009
No encontro anterior as falas foram divididas. Fazem parte do elenco Rômulo, Raquel Barcelos, Antônio, Luana, Pedro, Fernanda, Raquel Bispo, Pauline, Aline, Aline Gaúcha, Saulo, Nádia e Victor. São treze atores na montagem, não existem personagens fixos. Existem falas, atitudes, músicas em torno do tema liberdade. È uma colagem de textos e músicas.
A montagem ainda não tem um nome definido, Antônio deu a sugestão “Liberdade e seus duplos”, mas o grupo ainda vai pensar sobre o assunto. A montagem começou a ser marcada logo após um aquecimento, do qual também participaram Renata e Lindinete não atuaremos no elenco, mas seremos responsáveis pelo diário de bordo, acompanharemos o grupo e participaremos da produção.
O texto foi dividido em 21 unidades, hoje foram trabalhadas as duas primeiras. A cena começa com cinco atores sentados em bancos de costas para platéia e os outros estão nas coxias aguardando o momento de entrar È trabalhado a postura, a voz e o deslocamento para dentro da cena. Na marcação de “Brincando com a palavra liberdade” todos deram suas sugestões que foram trabalhadas ou modificadas por Célia. Foram criados movimentos de cunho planfetário, de luta, alívio e celebração.
No momento seguinte todos, exceto Pauline, descem do palco ao som “Para não dizer que não falei de flores” cantando alguns trechos, Pauline se posiciona ao centro do palco para sua próxima fala, começa deitada e diz seu texto enquanto levanta, seu tom da voz varia e vai ser trabalhado ao longo dos ensaios mais detalhadamente
A próxima música é “Lágrimas do sul”, quando os bancos são retirados de cena, Saulo e Aline D se posicionam na coxia para a unidade de “O Negro e a Branca”.
Depois marcarem até essa parte o grupo se reuniu para conversar ,Célia definiu algumas datas. Até o fim de novembro tudo vai estar marcado, em dezembro os errinhos vão ser limpos e depois vai ser a fase de passar todo o texto direto exaustivamente.
No encontro anterior as falas foram divididas. Fazem parte do elenco Rômulo, Raquel Barcelos, Antônio, Luana, Pedro, Fernanda, Raquel Bispo, Pauline, Aline, Aline Gaúcha, Saulo, Nádia e Victor. São treze atores na montagem, não existem personagens fixos. Existem falas, atitudes, músicas em torno do tema liberdade. È uma colagem de textos e músicas.
A montagem ainda não tem um nome definido, Antônio deu a sugestão “Liberdade e seus duplos”, mas o grupo ainda vai pensar sobre o assunto. A montagem começou a ser marcada logo após um aquecimento, do qual também participaram Renata e Lindinete não atuaremos no elenco, mas seremos responsáveis pelo diário de bordo, acompanharemos o grupo e participaremos da produção.
O texto foi dividido em 21 unidades, hoje foram trabalhadas as duas primeiras. A cena começa com cinco atores sentados em bancos de costas para platéia e os outros estão nas coxias aguardando o momento de entrar È trabalhado a postura, a voz e o deslocamento para dentro da cena. Na marcação de “Brincando com a palavra liberdade” todos deram suas sugestões que foram trabalhadas ou modificadas por Célia. Foram criados movimentos de cunho planfetário, de luta, alívio e celebração.
No momento seguinte todos, exceto Pauline, descem do palco ao som “Para não dizer que não falei de flores” cantando alguns trechos, Pauline se posiciona ao centro do palco para sua próxima fala, começa deitada e diz seu texto enquanto levanta, seu tom da voz varia e vai ser trabalhado ao longo dos ensaios mais detalhadamente
A próxima música é “Lágrimas do sul”, quando os bancos são retirados de cena, Saulo e Aline D se posicionam na coxia para a unidade de “O Negro e a Branca”.
Depois marcarem até essa parte o grupo se reuniu para conversar ,Célia definiu algumas datas. Até o fim de novembro tudo vai estar marcado, em dezembro os errinhos vão ser limpos e depois vai ser a fase de passar todo o texto direto exaustivamente.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Ludo Lopes / 2010
Nas primeiras etapas da oficina de Máscara expressiva, confesso não consegui enxergar uma possibilidade de sucesso no processo. Foi decidido queutilizaríamos bexigas como molde para as máscaras e, como as bexigas eram muito pequenas e compridas, me causou certo incômodo quanto ao formato da máscara.
Os primeiros momentos do processo das oficinas de máscaras sempre me pareceram como um pesadelo, embora eu tenha habilidades manuais para a confecção das mesmas; não tenho paciência para recortar papel em pequenos quadrados(quanto menos, melhor).
Depois, vem a parte de colar tais quadradinhos de papel sobre a bexiga, outro suplício, são várias camadas de papel colado que parecem nunca chegar ao fim. Nessa época, a disformidade e a falta de cor das máscaras me faziam duvidar de que tal processo iria dar em alguma coisa.
Quando começamos a pintar as máscaras, decidi por criar um personagem negro, daí surgiu a idéia de moldar e pintar um integrante de uma tribo aborígene australiana.Enquanto a máscara estava pintada de preto, não tinha expressividade alguma, mas já não mais parecia uma máscara disforme: começava a sinalizar um propósito, porém isso só ficou bem marcado quando pintei os grandes olhos, a boca vermelha e as pinturas características daqueles povos. Após colar o cabelo (um naco de palha de aço), a máscara me parecia bem mais viva e só então pude pensar em uma anamnése para ela e, pra mim, ela não poderia seguir outro caminho, qualquer que fosse.
Quando fizemos o “mercado de máscaras”, meio que a Célia juntamente conosco decidiu distribuir as máscaras, fiquei por demais induzido a pegar muito mais algumas máscaras do que outras, no entanto acabei ficando com uma das que eu menos gostaria de pegar. Isso por conta da dificuldade que eu imaginava ter quando tivesse que dar vida a ela. A máscara confeccionada pela Márcia Cazér me parecia, desde o início do processo uma das mais difíceis de capturar seu “espírito”.Senti uma dificuldade enorme em entender a máscara e liberá-la! É bem verdade que não gosto de máscaras. Sempre me sinto sufocado, tenho a impressão de que minha respiração está dando pra ser ouvida há metros de distância e, embora entenda a limitação de visão atrás da máscara, não consigo me acostumar.
Apesar de todos os contras, que partiram muito mais de mim do que de todo
o resto do processo, fiquei satisfeito. Embora tenha alguns problemas técnicos em relação ao uso da máscara, no geral acredito ter alcançado o objetivo da oficina.
Me surpreendi muito ao ver as uniões entra as máscaras em cenas criadas
pelos próprios atores. Percebi que toda a disformidade das máscaras haviam ficado pra trás e que era possível trazê-las à vida. Gostei muito de algumas cenas e fiquei surpreso com a expressão das máscaras. Senti falta de uma troca de máscaras entre os atores. Assim iríamos experimentar outras possibilidades.
A ideia de escrever sobre determinada prática teatral sempre me pareceu de certo modo
um contrasenso. O exercício do teatro para mim esteve sempre entre dois polos opostos
e ao mesmo tempo complementares: um, básico, de uma vivência física e sensorial muito
primitiva, e portanto aquém da linguagem; outro, indevassável e a que eu chamaria –
não sem certo horror e algum pudor – de transcendental, e portanto além da linguagem.
Anteriormente, diante da tarefa de ter escrever um diário de bordo acerca de uma
determinada montagem de leitura dramatizada, retive meu esforço em anotar a dinâmica
física mais evidente, limando toda a complexidade do que seria um esforço de tradução deuma percepção pessoal. Foram páginas e páginas de anotações praticamente mecânicas ecom poucos juízos de valor – ademais, desimportantes – aqui e ali situados. A experiência serviu somente para confirmar para mim que o fundamental, o que eu poderia perceber como teatro, de fato, não pode ser dito. Convidado algumas vezes, pela diretora, a retomar a atividade, sempre resisti em silêncio convicto. Não sei precisar exatamente por que, e nem diria que minha crença anterior em algum momento foi abalada, mas o início do processo de trabalho com máscaras pré expressivas e expressivas me deu certo desejo devoltar a tentar a tarefa – até prova contrária – impossível.
Na verdade, repassando mentalmente, tentando rememorar exatamente de onde vem esse
desejo de escrita, me encontro diante do desconforto inédito com uma máscara. O fato
de o processo de construção ter sido completamente novo – trabalhamos com jornal, ao
invés de utilizarmos papel machê, massa corrida, etc. como tínhamos feito com a máscaraneutra – tinha me feito sentir certo incômodo. E embora tenha deixado em alguns colegasa impressão de não ter gostado e de ter ficado insatisfeito, apenas me comportei da formacomo é comum à minha personalidade se comportar diante de novos desafios ligados ahabilidades manuais: com certa desconfiança e duvidoso das possibilidades de um resultado satisfatório. Todavia, ao fim do trabalho, fiquei surpreso em ver que fiz uma máscara que, se não se pode considerar um primor de execução técnica, era suficiente para queum trabalho fosse desenvolvido. Descobri isso compondo a sua anaminese a partir dassugestões de algumas de suas marcas físicas.
Não foi, entretanto, a máscara que fizemos que utilizamos. Na verdade, desde o
princípio sabíamos que essa seria a única opção vedada. A dinâmica do leilão de máscaraspossibilitou chances de escolha e de determinações do acaso. A que me coube foi umm isto de ambos, pois era a segunda na minha lista de preferências. Curiosamente, o que me incomodava nela era justamente a anaminese apresentada pela atriz que tinha confeccionado a máscara – remetia a uma mulher popular e absolutamente voltada para uma vivência festiva marcada pela alegria. Os tons roxos, fechados, da cor da máscara me sugeriram desde sempre algo mais sinistro. A diretora, para meu alívio, esclareceu que não necessariamente precisaríamos seguir o perfil delimitado previamente pelo autor.
O primeiro momento de contato confirmou minhas impressões iniciais: o tamanho do
rosto era absurdo, os olhos – feitos de barbante – assemelhavam-se a protuberâncias como olheiras sobrecarregadas de sono de modo antinatural. E aquela cor roxa com pintinhas cor lilás sobre as bochechas me sugeria qualquer coisa que estivesse no polo oposto do que consideramos um aspecto saudável. A simulação de cabelo verde na extremidade não chegou a me sugerir mais do que a lembrança de uma berinjela, e nem sei se levei muito isso em conta. Ao colocar a máscara, senti meu rosto se afundar como se estivesse me esforçando para banhar numa bacia sem água – boiava naquela imensidão que, pela largura do elástico, oscilava sem permitir que eu me aproximasse de sua superfície. Ao abrir os olhos e enxergar pelos dois pequenos furos – algo obstruídos pela malha utilizada para evitar o contato direto com a superfície, misto de jornal e cola – todas as vontades do mundo em mim silenciaram. A indolência que eu sentia não sabia dizer se vinha da máscara ou do modo como eu a percebera no contato visual e tátil com ela. Sei que era preciso abrir pouco os olhos, perceber o incômodo da luz que infiltrava a máscara,
ouvir a respiração aparentemente amplificada e só. Como se tudo que se quisesse dizer
fosse estou aqui em meu canto. Esse é meu canto. E só.
Talvez pela necessidade de obrigação do exercício, tentei explorar o espaço. Ficar em
pé, contudo, revelou-se impossível. Movimentar diversas partes do corpo ao mesmo
tempo não fazia sentido dentro da cadeia de sensações enredadas, de modo que fui
levado a proceder em partes: firmar apoio de um braço, outro, apoio de um pé, outro.
Fazer impulso. Não havia impulso, não o suficiente. E talvez aqui esteja o problema
fundamental de como escrever sobre teatro: o uso do corpo ao mesmo tempo em que é o
foco do trabalho – logo, o ator deve dominar uma gama de possibilidades de repertórios de movimentos, equilíbrios, etc. – não é jamais percebido da forma cotidiana porque o corpo aparece como algo que tem vontade própria. Claro que diversas funções corporais cotidianas nos aparecem como sendo impossíveis de serem abarcadas de modo completo pela nossa vontade (as funções fisiológicas, os desempenhos motores automáticos e os automatizados, as ações que estão no limiar entre o psíquico e o físico, como a ereção, o riso, o choro, etc.), figurando alguma resistência a nossa consciência. Todavia, poucas coisas são semelhantes à experiência de que o corpo tem uma vontade própria, melhor
dizendo, que o corpo tem ânimo próprio.
Os primeiros momentos do processo das oficinas de máscaras sempre me pareceram como um pesadelo, embora eu tenha habilidades manuais para a confecção das mesmas; não tenho paciência para recortar papel em pequenos quadrados(quanto menos, melhor).
Depois, vem a parte de colar tais quadradinhos de papel sobre a bexiga, outro suplício, são várias camadas de papel colado que parecem nunca chegar ao fim. Nessa época, a disformidade e a falta de cor das máscaras me faziam duvidar de que tal processo iria dar em alguma coisa.
Quando começamos a pintar as máscaras, decidi por criar um personagem negro, daí surgiu a idéia de moldar e pintar um integrante de uma tribo aborígene australiana.Enquanto a máscara estava pintada de preto, não tinha expressividade alguma, mas já não mais parecia uma máscara disforme: começava a sinalizar um propósito, porém isso só ficou bem marcado quando pintei os grandes olhos, a boca vermelha e as pinturas características daqueles povos. Após colar o cabelo (um naco de palha de aço), a máscara me parecia bem mais viva e só então pude pensar em uma anamnése para ela e, pra mim, ela não poderia seguir outro caminho, qualquer que fosse.
Quando fizemos o “mercado de máscaras”, meio que a Célia juntamente conosco decidiu distribuir as máscaras, fiquei por demais induzido a pegar muito mais algumas máscaras do que outras, no entanto acabei ficando com uma das que eu menos gostaria de pegar. Isso por conta da dificuldade que eu imaginava ter quando tivesse que dar vida a ela. A máscara confeccionada pela Márcia Cazér me parecia, desde o início do processo uma das mais difíceis de capturar seu “espírito”.Senti uma dificuldade enorme em entender a máscara e liberá-la! É bem verdade que não gosto de máscaras. Sempre me sinto sufocado, tenho a impressão de que minha respiração está dando pra ser ouvida há metros de distância e, embora entenda a limitação de visão atrás da máscara, não consigo me acostumar.
Apesar de todos os contras, que partiram muito mais de mim do que de todo
o resto do processo, fiquei satisfeito. Embora tenha alguns problemas técnicos em relação ao uso da máscara, no geral acredito ter alcançado o objetivo da oficina.
Me surpreendi muito ao ver as uniões entra as máscaras em cenas criadas
pelos próprios atores. Percebi que toda a disformidade das máscaras haviam ficado pra trás e que era possível trazê-las à vida. Gostei muito de algumas cenas e fiquei surpreso com a expressão das máscaras. Senti falta de uma troca de máscaras entre os atores. Assim iríamos experimentar outras possibilidades.
A ideia de escrever sobre determinada prática teatral sempre me pareceu de certo modo
um contrasenso. O exercício do teatro para mim esteve sempre entre dois polos opostos
e ao mesmo tempo complementares: um, básico, de uma vivência física e sensorial muito
primitiva, e portanto aquém da linguagem; outro, indevassável e a que eu chamaria –
não sem certo horror e algum pudor – de transcendental, e portanto além da linguagem.
Anteriormente, diante da tarefa de ter escrever um diário de bordo acerca de uma
determinada montagem de leitura dramatizada, retive meu esforço em anotar a dinâmica
física mais evidente, limando toda a complexidade do que seria um esforço de tradução deuma percepção pessoal. Foram páginas e páginas de anotações praticamente mecânicas ecom poucos juízos de valor – ademais, desimportantes – aqui e ali situados. A experiência serviu somente para confirmar para mim que o fundamental, o que eu poderia perceber como teatro, de fato, não pode ser dito. Convidado algumas vezes, pela diretora, a retomar a atividade, sempre resisti em silêncio convicto. Não sei precisar exatamente por que, e nem diria que minha crença anterior em algum momento foi abalada, mas o início do processo de trabalho com máscaras pré expressivas e expressivas me deu certo desejo devoltar a tentar a tarefa – até prova contrária – impossível.
Na verdade, repassando mentalmente, tentando rememorar exatamente de onde vem esse
desejo de escrita, me encontro diante do desconforto inédito com uma máscara. O fato
de o processo de construção ter sido completamente novo – trabalhamos com jornal, ao
invés de utilizarmos papel machê, massa corrida, etc. como tínhamos feito com a máscaraneutra – tinha me feito sentir certo incômodo. E embora tenha deixado em alguns colegasa impressão de não ter gostado e de ter ficado insatisfeito, apenas me comportei da formacomo é comum à minha personalidade se comportar diante de novos desafios ligados ahabilidades manuais: com certa desconfiança e duvidoso das possibilidades de um resultado satisfatório. Todavia, ao fim do trabalho, fiquei surpreso em ver que fiz uma máscara que, se não se pode considerar um primor de execução técnica, era suficiente para queum trabalho fosse desenvolvido. Descobri isso compondo a sua anaminese a partir dassugestões de algumas de suas marcas físicas.
Não foi, entretanto, a máscara que fizemos que utilizamos. Na verdade, desde o
princípio sabíamos que essa seria a única opção vedada. A dinâmica do leilão de máscaraspossibilitou chances de escolha e de determinações do acaso. A que me coube foi umm isto de ambos, pois era a segunda na minha lista de preferências. Curiosamente, o que me incomodava nela era justamente a anaminese apresentada pela atriz que tinha confeccionado a máscara – remetia a uma mulher popular e absolutamente voltada para uma vivência festiva marcada pela alegria. Os tons roxos, fechados, da cor da máscara me sugeriram desde sempre algo mais sinistro. A diretora, para meu alívio, esclareceu que não necessariamente precisaríamos seguir o perfil delimitado previamente pelo autor.
O primeiro momento de contato confirmou minhas impressões iniciais: o tamanho do
rosto era absurdo, os olhos – feitos de barbante – assemelhavam-se a protuberâncias como olheiras sobrecarregadas de sono de modo antinatural. E aquela cor roxa com pintinhas cor lilás sobre as bochechas me sugeria qualquer coisa que estivesse no polo oposto do que consideramos um aspecto saudável. A simulação de cabelo verde na extremidade não chegou a me sugerir mais do que a lembrança de uma berinjela, e nem sei se levei muito isso em conta. Ao colocar a máscara, senti meu rosto se afundar como se estivesse me esforçando para banhar numa bacia sem água – boiava naquela imensidão que, pela largura do elástico, oscilava sem permitir que eu me aproximasse de sua superfície. Ao abrir os olhos e enxergar pelos dois pequenos furos – algo obstruídos pela malha utilizada para evitar o contato direto com a superfície, misto de jornal e cola – todas as vontades do mundo em mim silenciaram. A indolência que eu sentia não sabia dizer se vinha da máscara ou do modo como eu a percebera no contato visual e tátil com ela. Sei que era preciso abrir pouco os olhos, perceber o incômodo da luz que infiltrava a máscara,
ouvir a respiração aparentemente amplificada e só. Como se tudo que se quisesse dizer
fosse estou aqui em meu canto. Esse é meu canto. E só.
Talvez pela necessidade de obrigação do exercício, tentei explorar o espaço. Ficar em
pé, contudo, revelou-se impossível. Movimentar diversas partes do corpo ao mesmo
tempo não fazia sentido dentro da cadeia de sensações enredadas, de modo que fui
levado a proceder em partes: firmar apoio de um braço, outro, apoio de um pé, outro.
Fazer impulso. Não havia impulso, não o suficiente. E talvez aqui esteja o problema
fundamental de como escrever sobre teatro: o uso do corpo ao mesmo tempo em que é o
foco do trabalho – logo, o ator deve dominar uma gama de possibilidades de repertórios de movimentos, equilíbrios, etc. – não é jamais percebido da forma cotidiana porque o corpo aparece como algo que tem vontade própria. Claro que diversas funções corporais cotidianas nos aparecem como sendo impossíveis de serem abarcadas de modo completo pela nossa vontade (as funções fisiológicas, os desempenhos motores automáticos e os automatizados, as ações que estão no limiar entre o psíquico e o físico, como a ereção, o riso, o choro, etc.), figurando alguma resistência a nossa consciência. Todavia, poucas coisas são semelhantes à experiência de que o corpo tem uma vontade própria, melhor
dizendo, que o corpo tem ânimo próprio.
Angeli Marques / 2003 - 2004
O processo de construção de KARAVANÇARAI foi iniciado no início do ano de 2003 e terá como resultado a apresentação do espetáculo em dezembro de 2004.
A palavra chave dessa montagem é o movimento. O movimento do corpo em relação a outro corpo, em relação ao espaço, em relação a diferentes objetos e aos outros corpos presentes, estejam eles parados ou também em movimento. O tempo todo o movimento do corpo conduziu o processo. Primeiro através do simples andar pela sala solto, sem pensar em nada, apenas respirando e conhecendo o ritmo do seu caminhar do seu respirar tentando encontrar um ponto de encontro entre eles. Depois experimentando diferentes formas de andar, deslocando o equilíbrio do nosso corpo, impondo à ele algumas dificuldades de se locomover. O andar dos bichos também foi uma forma de analisar as diferentes formas que o nosso corpo poderia imprimir. Utilizamos os planos, alto, médio e baixo, tudo o que pudesse ser interessante para observar o que o nosso próprio corpo pode fazer e também as suas limitações. A dança das articulações foi uma forma bem interessante de começar a mexer o corpo bem devagar deste os dedinhos do pé até enlouquecer com a dança movimentando o corpo inteiro.
Numa segunda etapa, introduzimos os objetos em nossas experimentações. Coisas simples: alguns panos, um filó, uma esponja, uma pena, saias, enfim. Então agora deveríamos observar que tipo de movimento nosso corpo poderia fazer com a presença desse objeto. No meu caso foi um pouco difícil. Meu objeto era a esponja e por ser rígida, por não ser muito maleável, essa descoberta tornou-se complicada, mas não impossível. Acho que não tive êxito na escolha do objeto, mas foi interessante perceber justamente a dificuldade.
Ainda com os objetos, nos foi proposto um caminhar com eles, uma viagem onde deveríamos imaginar um caminho a seguir, traçar um objetivo e ir até ele se movimentando com o meu objeto. Foi bastante interessante fazer e ver as formas de andar, de se locomover, já que agora não era apenas o meu corpo. Havia um objeto que provocava algumas limitações e ao mesmo tempo me apresentava novas possibilidades de locomoção. Tudo o que havia sido feito antes, todo o nosso estudo dos movimentos do corpo, pôde ser perfeitamente empregado neste exercício.Conhecendo bem os movimentos do nosso corpo e também os movimentos do objeto que estávamos utilizando, deixamos o objeto de lado e a proposta era agora ser o objeto. Foi realmente a mais difícil das etapas. Realizar os movimentos que a minha esponja realizava foi bem complicado. Depois dessas etapas iniciais, de conhecimento do corpo e dos objetos, foram apresentados novos objetos e dessa vez escolhi um pano de organza preto, que apresentava características exatamente opostas à esponja anterior. Foi bem mais fácil realizar movimentos com ele e sendo ele também. Ficamos bastante tempo experimentando movimentos, formas de se locomover, nos relacionando com os outros corpos em movimento e com os objetos usados por eles.
Até então, eu não tinha certeza do que seria o resultado desse processo nem de que forma seria utilizado tudo o que experimentamos e observamos, e confesso que não via como encaixar esses exercícios a algum espetáculo.
Quando conhecemos a história do espetáculo, achei meio estranho, inovador é verdade, mas estranho. Mesmo assim me propus a tentar e a me esforçar para fazer o trabalho dar certo. Imaginar ser um pássaro, se movimentar como ele e encontrar o som desse pássaro, tudo isso sem ser caricato, é bem difícil. Foi um processo árduo construir o meu pássaro e depois falar como ele falaria.
Passei por uma época de desilusão em que a dificuldade de encontrar algo que fosse realmente bom, que funcionasse na cena, culminou com a incerteza do bom desfecho do trabalho. Não digo nem pela aceitação do público, mas por satisfação pessoal. Nessa fase, a música tornou-se importante, no espetáculo, para mim, pois ela eu tinha a certeza de estar dando certo.
Ao longo do espetáculo, os pássaros passam por diversos caminhos e eu experimentei alterar um pouco os meus movimentos e a voz e o som do meu pássaro. Foi prazeroso e significativo estabelecer algumas mudanças para que eu mesma sentisse as diferentes sensações do meu pássaro.
Ser coro neste também não é tão simples. É preciso impor uma voz, um tom que muitas vezes não agrada e por isso desestimula momentaneamente onde se perde a vontade de continuar.
Chegando ao final do espetáculo, e olhando para todo o processo, mesmo ainda sem um desfecho, acho que os resultados são favoráveis, baseando-se na forma como ele foi conduzido. Acho que a proposta foi diferente, mas para mim não foi estimulante no início. Agora, com o trabalho quase pronto, existe a vontade de ver o resultado, de poder analisar o que deu certo e que poderia ter sido descartado. Confesso que a minha postura hoje é diferente da que eu tinha anteriormente. A descrença no espetáculo não existe e a aceitação do público não é mais uma preocupação. Não sei se o objetivo do espetáculo foi alcançado, mas acho que o processo em si, foi importante para o grupo. Não somos só atores, não vivemos do teatro, e por isso torna-se difícil a realização de uma proposta que exija mais do que podemos render. E exatamente por isso acredito que trabalhar uma proposta diferente daquilo que é de costume fazer, foi muito favorável e me ajudou a conhecer novas formas de fazer teatro.
Em 2004, continuamos com o processo de montagem do espetáculo “Karavançarai”. A dança das articulações foi mantida como etapa de aquecimento (concentração e integração), e também, como instrumento de “rememoração” dos movimentos e gestos característicos dos pássaros que cada ator interpreta. Estes movimentos característicos foram conseqüentes do processo de utilização do objeto como limitador e/ou potencializador de ações não cotidianas (processo realizado em 2003, que possibilitou o domínio e conhecimento do movimento, resultando na criação de personagens/pássaros).Os estímulos sonoros (percussão) e a “luz baixa“, utilizados na dança das articulações, se estenderam para a fase de montagem e se mostraram de grande auxílio no ambiente de criação das cenas.O texto foi dividido em unidades que foram trabalhadas de modo a valorizar o jogo cênico, nas quais se alternavam propostas direcionadas pelos diretores com experimentações dos atores (improvisações).
Neste período de montagem, ocorreram dificuldades na associação das falas determinadas do pássaro com seu movimento, como também, na mudança de personagem (pássaro) durante as cenas. A unidade de coro ainda está sendo buscada.
Todo o processo de montagem se mostrou desgastante fisicamente para a maioria dos atores, e, como também ocorreram muitos casos de doença, resolveu-se passar a oficina para somente um dia (às quartas-feiras), deixando a segunda-feira como opção de reposição.
O pouco tempo em que nos encontramos não possibilitou um estudo teórico coletivo, entretanto recebemos dos diretores dois textos que abordam a origem do sama (dança giratória dos dervixes mevlevi), o contexto em que esta dança está inserida e a descrição de seus movimentos, visto que, em determinado momento do espetáculo, temos de realizar um movimento giratório inspirado nesta dança.
No dia sete de maio, apresentamos parte do processo de montagem no evento “Imaginário Periférico” em Caxias e observamos a influência do espaço aberto, sem acústica e estrutura cênica, na receptividade do público.
Em junho, iniciamos outra atividade (duas vezes por semana), onde os bolsistas participam da organização de arquivos do projeto e da criação de bonecos mamulengo (concepção da estória, técnicas de manipulação...). Desta experiência, resultou uma oficina de construção de mamulengo, que está sendo ministrada na Uerj.
No dia 10 de novembro apresentamos o espetáculo “Todomundo” no hall do andar térreo da Uerj, no evento UERJ SEM MUROS.Estaremos no mês de dezembro concluindo a montagem de “KARAVANÇARAI” e nos apresentaremos nas dependências da UERJ durante três dias.
OFICINA DE CANTO
Continuamos o trabalho iniciado em 2003, trabalhando músicas voltadas para a montagem de CARAVANÇARAI. Unimos a preparação vocal individual e a harmonização das vozes com a experimentação de instrumentos, principalmente de percussão, que possibilitaram novas direções de interpretação das músicas trabalhadas. Com a inclusão de algumas delas no espetáculo, tivemos de fazer alterações de acordo com o que cada cena exigia e com os movimentos que deveríamos realizar. No mês de setembro deixamos de contar com a orientação da professora Ilana, que está de licença maternidade, e desde então, tentamos manter parte do trabalho criado, repassando as músicas que já foram trabalhadas.
A palavra chave dessa montagem é o movimento. O movimento do corpo em relação a outro corpo, em relação ao espaço, em relação a diferentes objetos e aos outros corpos presentes, estejam eles parados ou também em movimento. O tempo todo o movimento do corpo conduziu o processo. Primeiro através do simples andar pela sala solto, sem pensar em nada, apenas respirando e conhecendo o ritmo do seu caminhar do seu respirar tentando encontrar um ponto de encontro entre eles. Depois experimentando diferentes formas de andar, deslocando o equilíbrio do nosso corpo, impondo à ele algumas dificuldades de se locomover. O andar dos bichos também foi uma forma de analisar as diferentes formas que o nosso corpo poderia imprimir. Utilizamos os planos, alto, médio e baixo, tudo o que pudesse ser interessante para observar o que o nosso próprio corpo pode fazer e também as suas limitações. A dança das articulações foi uma forma bem interessante de começar a mexer o corpo bem devagar deste os dedinhos do pé até enlouquecer com a dança movimentando o corpo inteiro.
Numa segunda etapa, introduzimos os objetos em nossas experimentações. Coisas simples: alguns panos, um filó, uma esponja, uma pena, saias, enfim. Então agora deveríamos observar que tipo de movimento nosso corpo poderia fazer com a presença desse objeto. No meu caso foi um pouco difícil. Meu objeto era a esponja e por ser rígida, por não ser muito maleável, essa descoberta tornou-se complicada, mas não impossível. Acho que não tive êxito na escolha do objeto, mas foi interessante perceber justamente a dificuldade.
Ainda com os objetos, nos foi proposto um caminhar com eles, uma viagem onde deveríamos imaginar um caminho a seguir, traçar um objetivo e ir até ele se movimentando com o meu objeto. Foi bastante interessante fazer e ver as formas de andar, de se locomover, já que agora não era apenas o meu corpo. Havia um objeto que provocava algumas limitações e ao mesmo tempo me apresentava novas possibilidades de locomoção. Tudo o que havia sido feito antes, todo o nosso estudo dos movimentos do corpo, pôde ser perfeitamente empregado neste exercício.Conhecendo bem os movimentos do nosso corpo e também os movimentos do objeto que estávamos utilizando, deixamos o objeto de lado e a proposta era agora ser o objeto. Foi realmente a mais difícil das etapas. Realizar os movimentos que a minha esponja realizava foi bem complicado. Depois dessas etapas iniciais, de conhecimento do corpo e dos objetos, foram apresentados novos objetos e dessa vez escolhi um pano de organza preto, que apresentava características exatamente opostas à esponja anterior. Foi bem mais fácil realizar movimentos com ele e sendo ele também. Ficamos bastante tempo experimentando movimentos, formas de se locomover, nos relacionando com os outros corpos em movimento e com os objetos usados por eles.
Até então, eu não tinha certeza do que seria o resultado desse processo nem de que forma seria utilizado tudo o que experimentamos e observamos, e confesso que não via como encaixar esses exercícios a algum espetáculo.
Quando conhecemos a história do espetáculo, achei meio estranho, inovador é verdade, mas estranho. Mesmo assim me propus a tentar e a me esforçar para fazer o trabalho dar certo. Imaginar ser um pássaro, se movimentar como ele e encontrar o som desse pássaro, tudo isso sem ser caricato, é bem difícil. Foi um processo árduo construir o meu pássaro e depois falar como ele falaria.
Passei por uma época de desilusão em que a dificuldade de encontrar algo que fosse realmente bom, que funcionasse na cena, culminou com a incerteza do bom desfecho do trabalho. Não digo nem pela aceitação do público, mas por satisfação pessoal. Nessa fase, a música tornou-se importante, no espetáculo, para mim, pois ela eu tinha a certeza de estar dando certo.
Ao longo do espetáculo, os pássaros passam por diversos caminhos e eu experimentei alterar um pouco os meus movimentos e a voz e o som do meu pássaro. Foi prazeroso e significativo estabelecer algumas mudanças para que eu mesma sentisse as diferentes sensações do meu pássaro.
Ser coro neste também não é tão simples. É preciso impor uma voz, um tom que muitas vezes não agrada e por isso desestimula momentaneamente onde se perde a vontade de continuar.
Chegando ao final do espetáculo, e olhando para todo o processo, mesmo ainda sem um desfecho, acho que os resultados são favoráveis, baseando-se na forma como ele foi conduzido. Acho que a proposta foi diferente, mas para mim não foi estimulante no início. Agora, com o trabalho quase pronto, existe a vontade de ver o resultado, de poder analisar o que deu certo e que poderia ter sido descartado. Confesso que a minha postura hoje é diferente da que eu tinha anteriormente. A descrença no espetáculo não existe e a aceitação do público não é mais uma preocupação. Não sei se o objetivo do espetáculo foi alcançado, mas acho que o processo em si, foi importante para o grupo. Não somos só atores, não vivemos do teatro, e por isso torna-se difícil a realização de uma proposta que exija mais do que podemos render. E exatamente por isso acredito que trabalhar uma proposta diferente daquilo que é de costume fazer, foi muito favorável e me ajudou a conhecer novas formas de fazer teatro.
Em 2004, continuamos com o processo de montagem do espetáculo “Karavançarai”. A dança das articulações foi mantida como etapa de aquecimento (concentração e integração), e também, como instrumento de “rememoração” dos movimentos e gestos característicos dos pássaros que cada ator interpreta. Estes movimentos característicos foram conseqüentes do processo de utilização do objeto como limitador e/ou potencializador de ações não cotidianas (processo realizado em 2003, que possibilitou o domínio e conhecimento do movimento, resultando na criação de personagens/pássaros).Os estímulos sonoros (percussão) e a “luz baixa“, utilizados na dança das articulações, se estenderam para a fase de montagem e se mostraram de grande auxílio no ambiente de criação das cenas.O texto foi dividido em unidades que foram trabalhadas de modo a valorizar o jogo cênico, nas quais se alternavam propostas direcionadas pelos diretores com experimentações dos atores (improvisações).
Neste período de montagem, ocorreram dificuldades na associação das falas determinadas do pássaro com seu movimento, como também, na mudança de personagem (pássaro) durante as cenas. A unidade de coro ainda está sendo buscada.
Todo o processo de montagem se mostrou desgastante fisicamente para a maioria dos atores, e, como também ocorreram muitos casos de doença, resolveu-se passar a oficina para somente um dia (às quartas-feiras), deixando a segunda-feira como opção de reposição.
O pouco tempo em que nos encontramos não possibilitou um estudo teórico coletivo, entretanto recebemos dos diretores dois textos que abordam a origem do sama (dança giratória dos dervixes mevlevi), o contexto em que esta dança está inserida e a descrição de seus movimentos, visto que, em determinado momento do espetáculo, temos de realizar um movimento giratório inspirado nesta dança.
No dia sete de maio, apresentamos parte do processo de montagem no evento “Imaginário Periférico” em Caxias e observamos a influência do espaço aberto, sem acústica e estrutura cênica, na receptividade do público.
Em junho, iniciamos outra atividade (duas vezes por semana), onde os bolsistas participam da organização de arquivos do projeto e da criação de bonecos mamulengo (concepção da estória, técnicas de manipulação...). Desta experiência, resultou uma oficina de construção de mamulengo, que está sendo ministrada na Uerj.
No dia 10 de novembro apresentamos o espetáculo “Todomundo” no hall do andar térreo da Uerj, no evento UERJ SEM MUROS.Estaremos no mês de dezembro concluindo a montagem de “KARAVANÇARAI” e nos apresentaremos nas dependências da UERJ durante três dias.
OFICINA DE CANTO
Continuamos o trabalho iniciado em 2003, trabalhando músicas voltadas para a montagem de CARAVANÇARAI. Unimos a preparação vocal individual e a harmonização das vozes com a experimentação de instrumentos, principalmente de percussão, que possibilitaram novas direções de interpretação das músicas trabalhadas. Com a inclusão de algumas delas no espetáculo, tivemos de fazer alterações de acordo com o que cada cena exigia e com os movimentos que deveríamos realizar. No mês de setembro deixamos de contar com a orientação da professora Ilana, que está de licença maternidade, e desde então, tentamos manter parte do trabalho criado, repassando as músicas que já foram trabalhadas.
Ludymilla Penna / 2003
Oficinas da Companhia Teatral Nosconosco
CORPO
Período: Fevereiro à Dezembro de 2003
- Definição dos direcionamentos a serem seguidos para a construção da
próxima montagem;
- Durante todo o período foram utilizados diferentes técnicas corporais
através de exercícios experimentados e discutidos por atores e diretores ao final
de cada oficina;
- Apresentação do texto, uma primeira edição, leitura deste, e exercícios
com tentativas de utilização de passagens deste texto.
VOZ
Período: Março à Dezembro de 2003
- Trabalho da voz, individual e em grupo, onde há a educação vocal em
relação à respiração, postura, projeção da voz;
- Trabalho vocal em conjunto com o trabalho cênico, onde os atores são
fomentados a trabalhar a voz e o corpo em conjunto;
- Utilização do trabalho vocal e corporal na interpretação de músicas, as
quais seguem uma possível linha da próxima montagem;
- Instrução vocal nas músicas dos espetáculos “As Artimanhas de Molière” e
“TODOMUNDO”.
Ensaios para apresentações de espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière” - Ensaios para espetáculos vendidos com apenas a passagem do espetáculo, afirmando marcas e textos;
Ensaios para entrar em temporada, onde houve a substituição de dois
atores, havendo necessidade de maior número de ensaios.
“TODOMUNDO” - Ensaios para espetáculos vendidos, porém com substituição de alguns atores no elenco, o que necessitou de mais ensaios
Apresentações dos espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière”
- 06/08 - Lona Cultural - Anchieta- RJ
- 12/08 – Lona Cultural - Bangú - RJ
“TODOMUNDO”
- 16/08 - Valença - RJ
- 25/10 - Teatro Cap UERJ
- 05/11 - Projeto Paixão de Ler - Central do Brasil
A proposta de trabalho do ano de 2003 foi colocada no início do ano e
discutida por atores e diretores. O trabalho seria uma continuação do estudo
do movimento que se iniciou no 2o semestre do ano de 2002, onde tivemos a
utilização de textos e a experimentação de exercícios sobre os movimentos
corporais.
Diante da proposta, pudemos estabelecer o objetivo das oficinas. Nestas
nós atores, trabalhamos com a descoberta da enorme possibilidade de
movimentos que nosso corpo pode nos proporcionar. Trabalhamos com o corpo
relação ao tempo, ao espaço, aos objetos, com os quais nos relacionamos e
também com outros corpos.
Foi um trabalho diferente pois a influência de elementos externos foi
pequena, em relação à trabalhos anteriores. O mais importante foi buscar a
essência dos movimentos corporais de cada um dos atores. Nossos limites,
nossa disposição corporal e mental, foram postos à prova, sendo que a cada
dia de trabalho obtivemos elementos positivos que permitiram a continuidade
das oficinas.
Enfim, mais do que reconhecer movimentos, foi um trabalho de superação
de medos e pudores, respeitando os seus limites e os dos outros, descobrindo
a cada dia de oficina um novo movimento, criado por nós mesmos.
O objetivo dos exercícios propostos inicialmente foi o de “alinhavar” os atores quanto a sua prontidão, capacidade de equilíbrio, de domínio de espaço e de precisão.
Depois de realizado esse período de adaptação e aproximação técnica (que se deu “na medida do possível” levando em conta a experiência diferenciada dos atores) o que se buscou foi a descoberta de novos usos para objetos do cotidiano. Tais objetos foram escolhidos pelos próprios atores e mais tarde trocados entre eles para então serem abandonados ( ou não). Houve por parte dos pesquisadores uma preocupação no registro desses movimentos na memória dos atores e dessa dificuldade surgiu a idéia da criação de histórias montadas com seqüências de movimentos.
Uma dificuldade encontrada foi a inserção de texto e sons nos movimentos já construídos. Tal dificuldade vem sendo solucionada com o auxílio da “Dança das Articulações”: atividade que nos acompanhou dsde o início do trabalho e tem possibilitado a descoberta e a construção de uma linguagem corporal própria.
No trabalho de Voz os exercícios propostos foram o de “regular” as vozes, ou seja, buscar uma afinação, volume e timbre adequados a realização de espetáculos teatrais.
Uma outra preocupação foi a busca por uma união entre o trabalho desenvolvido com o corpo e a voza. Tal união se deu ao inserirmos as movimentações com os objetos ao canto das músicas.
A oficina de flauta doce tem como objetivo fornecer ao ator o aprendizado de um instrumento além de possibilitar a leitura de partituras (ritmo e notas) e a descoberta de embocaduras q facilitam o próprio canto. Neste ano de trabalho em especial os flautistas buscaram aumentar o alcance de notas agudas, objetivo alcançado com êxito. Outra preocupação foi quanto a interpretação das músicas a partir da variação de intensidade e velocidade.
CORPO
Período: Fevereiro à Dezembro de 2003
- Definição dos direcionamentos a serem seguidos para a construção da
próxima montagem;
- Durante todo o período foram utilizados diferentes técnicas corporais
através de exercícios experimentados e discutidos por atores e diretores ao final
de cada oficina;
- Apresentação do texto, uma primeira edição, leitura deste, e exercícios
com tentativas de utilização de passagens deste texto.
VOZ
Período: Março à Dezembro de 2003
- Trabalho da voz, individual e em grupo, onde há a educação vocal em
relação à respiração, postura, projeção da voz;
- Trabalho vocal em conjunto com o trabalho cênico, onde os atores são
fomentados a trabalhar a voz e o corpo em conjunto;
- Utilização do trabalho vocal e corporal na interpretação de músicas, as
quais seguem uma possível linha da próxima montagem;
- Instrução vocal nas músicas dos espetáculos “As Artimanhas de Molière” e
“TODOMUNDO”.
Ensaios para apresentações de espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière” - Ensaios para espetáculos vendidos com apenas a passagem do espetáculo, afirmando marcas e textos;
Ensaios para entrar em temporada, onde houve a substituição de dois
atores, havendo necessidade de maior número de ensaios.
“TODOMUNDO” - Ensaios para espetáculos vendidos, porém com substituição de alguns atores no elenco, o que necessitou de mais ensaios
Apresentações dos espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière”
- 06/08 - Lona Cultural - Anchieta- RJ
- 12/08 – Lona Cultural - Bangú - RJ
“TODOMUNDO”
- 16/08 - Valença - RJ
- 25/10 - Teatro Cap UERJ
- 05/11 - Projeto Paixão de Ler - Central do Brasil
A proposta de trabalho do ano de 2003 foi colocada no início do ano e
discutida por atores e diretores. O trabalho seria uma continuação do estudo
do movimento que se iniciou no 2o semestre do ano de 2002, onde tivemos a
utilização de textos e a experimentação de exercícios sobre os movimentos
corporais.
Diante da proposta, pudemos estabelecer o objetivo das oficinas. Nestas
nós atores, trabalhamos com a descoberta da enorme possibilidade de
movimentos que nosso corpo pode nos proporcionar. Trabalhamos com o corpo
relação ao tempo, ao espaço, aos objetos, com os quais nos relacionamos e
também com outros corpos.
Foi um trabalho diferente pois a influência de elementos externos foi
pequena, em relação à trabalhos anteriores. O mais importante foi buscar a
essência dos movimentos corporais de cada um dos atores. Nossos limites,
nossa disposição corporal e mental, foram postos à prova, sendo que a cada
dia de trabalho obtivemos elementos positivos que permitiram a continuidade
das oficinas.
Enfim, mais do que reconhecer movimentos, foi um trabalho de superação
de medos e pudores, respeitando os seus limites e os dos outros, descobrindo
a cada dia de oficina um novo movimento, criado por nós mesmos.
O objetivo dos exercícios propostos inicialmente foi o de “alinhavar” os atores quanto a sua prontidão, capacidade de equilíbrio, de domínio de espaço e de precisão.
Depois de realizado esse período de adaptação e aproximação técnica (que se deu “na medida do possível” levando em conta a experiência diferenciada dos atores) o que se buscou foi a descoberta de novos usos para objetos do cotidiano. Tais objetos foram escolhidos pelos próprios atores e mais tarde trocados entre eles para então serem abandonados ( ou não). Houve por parte dos pesquisadores uma preocupação no registro desses movimentos na memória dos atores e dessa dificuldade surgiu a idéia da criação de histórias montadas com seqüências de movimentos.
Uma dificuldade encontrada foi a inserção de texto e sons nos movimentos já construídos. Tal dificuldade vem sendo solucionada com o auxílio da “Dança das Articulações”: atividade que nos acompanhou dsde o início do trabalho e tem possibilitado a descoberta e a construção de uma linguagem corporal própria.
No trabalho de Voz os exercícios propostos foram o de “regular” as vozes, ou seja, buscar uma afinação, volume e timbre adequados a realização de espetáculos teatrais.
Uma outra preocupação foi a busca por uma união entre o trabalho desenvolvido com o corpo e a voza. Tal união se deu ao inserirmos as movimentações com os objetos ao canto das músicas.
A oficina de flauta doce tem como objetivo fornecer ao ator o aprendizado de um instrumento além de possibilitar a leitura de partituras (ritmo e notas) e a descoberta de embocaduras q facilitam o próprio canto. Neste ano de trabalho em especial os flautistas buscaram aumentar o alcance de notas agudas, objetivo alcançado com êxito. Outra preocupação foi quanto a interpretação das músicas a partir da variação de intensidade e velocidade.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Bruno Bessa/2003
1- Oficinas da Companhia Teatral Nosconosco
Período: Fevereiro à Dezembro de 2003
Atividade:
- Definição dos direcionamentos a serem seguidos para a construção da
próxima montagem;
- Durante todo o período foram utilizados diferentes técnicas corporais
através de exercícios, exemplificados anteriormente em livros, e
posteriormente experimentados e discutidos por atores e diretores ao final
de cada oficina;
- Apresentação do texto, uma primeira edição, leitura deste, e exercícios
com tentativas de utilização de passagens deste texto.
2- Aulas de voz
Período: Março à Dezembro de 2003
Atividade:
- Trabalho da voz, individual e em grupo, onde há a educação vocal em
relação à respiração, postura, projeção da voz;
- Trabalho vocal em conjunto com o trabalho cênico, onde os atores são
fomentados a trabalhar a voz e o corpo em conjunto;
- Utilização do trabalho vocal e corporal na interpretação de músicas, as
quais seguem uma possível linha da próxima montagem;
- Instrução vocal nas músicas dos espetáculos “As Artimanhas de Molière” e
“TODOMUNDO”.
3- Ensaios para apresentações de espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière”
- Ensaios para espetáculos vendidos com apenas a passagem do espetáculo,
afirmando marcas e textos;
- Ensaios para entrar em temporada, onde houve a substituição de dois
atores, havendo necessidade de maior número de ensaios.
“TODOMUNDO”
- Ensaios para espetáculos vendidos, porém com substituição de alguns atores
no elenco, o que necessitou de mais ensaios
4- Apresentações dos espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière”
- 06/08 - Lona Cultural - Anchieta- RJ
- 12/08 – Lona Cultural - Bangú - RJ
“TODOMUNDO”
- 16/08 - Valença - RJ
- 25/10 - Teatro Cap UERJ
- 05/11 - Projeto Paixão de Ler - Central do Brasil
5- Avaliação das oficinas
A proposta de trabalho do ano de 2003 foi colocada no início do ano e
discutida por atores e diretores. O trabalho seria uma continuação do estudo
do movimento que se iniciou no 2o semestre do ano de 2002, onde tivemos a
utilização de textos e a experimentação de exercícios sobre os movimentos
corporais.
Diante da proposta, pudemos estabelecer o objetivo das oficinas. Nestas
nós atores, trabalhamos com a descoberta da enorme possibilidade de
movimentos que nosso corpo pode nos proporcionar. Trabalhamos com o corpo
relação ao tempo, ao espaço, aos objetos, com os quais nos relacionamos e
também com outros corpos.
Foi um trabalho diferente pois a influência de elementos externos foi
pequena, em relação à trabalhos anteriores. O mais importante foi buscar a
essência dos movimentos corporais de cada um dos atores. Nossos limites,
nossa disposição corporal e mental, foram postos à prova, sendo que a cada
dia de trabalho obtivemos elementos positivos que permitiram a continuidade
das oficinas.
Enfim, mais do que reconhecer movimentos, foi um trabalho de superação
de medos e pudores, respeitando os seus limites e os dos outros, descobrindo
a cada dia de oficina um novo movimento, criado por nós mesmos.
Relatório Individual sobre o projeto CARAVANSARAI no ano de 2003.
Por Ludymilla Bernardo Penna
Meu trabalho na oficina teatral da Nosconosco se deu de três formas:
1. Oficina teatral (Prof. Roberto Dória e Profª. Maricélia Bispo)
2. Oficina de canto e preparação vocal ( Profª. Ilana Linhares)
3. Oficina de flauta doce ( Profª. Ilana Linhares)
• Ensaios para as substituições nos espetáculos “As Artimanhas de Moliére” e “A Folia de Todo Mundo”
1. Sobre a oficina teatral
Os encontros desta oficina se deram duas vezes por semana (segundas e quartas) e tiveram aproximadamente quatro horas de duração.
O objetivo dos exercícios propostos inicialmente foi o de “alinhavar” os atores quanto a sua prontidão, capacidade de equilíbrio, de domínio de espaço e de precisão.
Depois de realizado esse período de adaptação e aproximação técnica (que se deu “na medida do possível” levando em conta a experiência diferenciada dos atores) o que se buscou foi a descoberta de novos usos para objetos do cotidiano. Tais objetos foram escolhidos pelos próprios atores e mais tarde trocados entre eles para então serem abandonados ( ou não). Houve por parte dos pesquisadores uma preocupação no registro desses movimentos na memória dos atores e dessa dificuldade surgiu a idéia da criação de histórias montadas com seqüências de movimentos.
Uma dificuldade encontrada foi a inserção de texto e sons nos movimentos já construídos. Tal dificuldade vem sendo solucionada com o auxílio da “Dança das Articulações”: atividade que nos acompanhou dês do início do trabalho na oficina e tem possibilitado a descoberta e a construção de uma linguagem corporal própria.
2. Sobre a oficina de canto e preparação vocal
Os encontros dessa oficina se deram uma vez por semana (as quartas) e tiveram aproximadamente uma hora e meia de duração.
O objetivo dos exercícios propostos foi o de “regular” as vozes, ou seja, buscar uma afinação, volume e timbre adequados a realização de espetáculos teatrais.
Uma outra preocupação foi a busca por uma união entre o trabalho desenvolvido na oficina teatral e o trabalho a ser desenvolvido nesta oficina. Tal união se deu ao inserirmos as movimentações com os objetos ao canto das músicas.
3. Oficina de flauta doce
Os encontros dessa oficina se deram uma vez por semana (as quartas) e tiveram aproximadamente quarenta minutos de duração.
A oficina de flauta doce tem como objetivo fornecer ao ator o aprendizado de um instrumento além de possibilitar a leitura de partituras (ritmo e notas) e a descoberta de embocaduras q facilitam o próprio canto.
Neste ano de trabalho em especial os flautistas buscaram aumentar o alcance de notas agudas, objetivo alcançado com êxito.
Outra preocupação foi quanto a interpretação das músicas a partir da variação de intensidade e velocidade.
• Ensaios para as substituições nos espetáculos “As Artimanhas de Moliére” e “A Folia de Todomundo”:
Os trabalhos na construção do espetáculo KARAVANSARAI foram interrompidos no meio do ano para a substituição de alguns personagens. Essa substituição deu aos novos atores
Período: Fevereiro à Dezembro de 2003
Atividade:
- Definição dos direcionamentos a serem seguidos para a construção da
próxima montagem;
- Durante todo o período foram utilizados diferentes técnicas corporais
através de exercícios, exemplificados anteriormente em livros, e
posteriormente experimentados e discutidos por atores e diretores ao final
de cada oficina;
- Apresentação do texto, uma primeira edição, leitura deste, e exercícios
com tentativas de utilização de passagens deste texto.
2- Aulas de voz
Período: Março à Dezembro de 2003
Atividade:
- Trabalho da voz, individual e em grupo, onde há a educação vocal em
relação à respiração, postura, projeção da voz;
- Trabalho vocal em conjunto com o trabalho cênico, onde os atores são
fomentados a trabalhar a voz e o corpo em conjunto;
- Utilização do trabalho vocal e corporal na interpretação de músicas, as
quais seguem uma possível linha da próxima montagem;
- Instrução vocal nas músicas dos espetáculos “As Artimanhas de Molière” e
“TODOMUNDO”.
3- Ensaios para apresentações de espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière”
- Ensaios para espetáculos vendidos com apenas a passagem do espetáculo,
afirmando marcas e textos;
- Ensaios para entrar em temporada, onde houve a substituição de dois
atores, havendo necessidade de maior número de ensaios.
“TODOMUNDO”
- Ensaios para espetáculos vendidos, porém com substituição de alguns atores
no elenco, o que necessitou de mais ensaios
4- Apresentações dos espetáculos da Cia Teatral Nosconosco
“As Artimanhas de Molière”
- 06/08 - Lona Cultural - Anchieta- RJ
- 12/08 – Lona Cultural - Bangú - RJ
“TODOMUNDO”
- 16/08 - Valença - RJ
- 25/10 - Teatro Cap UERJ
- 05/11 - Projeto Paixão de Ler - Central do Brasil
5- Avaliação das oficinas
A proposta de trabalho do ano de 2003 foi colocada no início do ano e
discutida por atores e diretores. O trabalho seria uma continuação do estudo
do movimento que se iniciou no 2o semestre do ano de 2002, onde tivemos a
utilização de textos e a experimentação de exercícios sobre os movimentos
corporais.
Diante da proposta, pudemos estabelecer o objetivo das oficinas. Nestas
nós atores, trabalhamos com a descoberta da enorme possibilidade de
movimentos que nosso corpo pode nos proporcionar. Trabalhamos com o corpo
relação ao tempo, ao espaço, aos objetos, com os quais nos relacionamos e
também com outros corpos.
Foi um trabalho diferente pois a influência de elementos externos foi
pequena, em relação à trabalhos anteriores. O mais importante foi buscar a
essência dos movimentos corporais de cada um dos atores. Nossos limites,
nossa disposição corporal e mental, foram postos à prova, sendo que a cada
dia de trabalho obtivemos elementos positivos que permitiram a continuidade
das oficinas.
Enfim, mais do que reconhecer movimentos, foi um trabalho de superação
de medos e pudores, respeitando os seus limites e os dos outros, descobrindo
a cada dia de oficina um novo movimento, criado por nós mesmos.
Relatório Individual sobre o projeto CARAVANSARAI no ano de 2003.
Por Ludymilla Bernardo Penna
Meu trabalho na oficina teatral da Nosconosco se deu de três formas:
1. Oficina teatral (Prof. Roberto Dória e Profª. Maricélia Bispo)
2. Oficina de canto e preparação vocal ( Profª. Ilana Linhares)
3. Oficina de flauta doce ( Profª. Ilana Linhares)
• Ensaios para as substituições nos espetáculos “As Artimanhas de Moliére” e “A Folia de Todo Mundo”
1. Sobre a oficina teatral
Os encontros desta oficina se deram duas vezes por semana (segundas e quartas) e tiveram aproximadamente quatro horas de duração.
O objetivo dos exercícios propostos inicialmente foi o de “alinhavar” os atores quanto a sua prontidão, capacidade de equilíbrio, de domínio de espaço e de precisão.
Depois de realizado esse período de adaptação e aproximação técnica (que se deu “na medida do possível” levando em conta a experiência diferenciada dos atores) o que se buscou foi a descoberta de novos usos para objetos do cotidiano. Tais objetos foram escolhidos pelos próprios atores e mais tarde trocados entre eles para então serem abandonados ( ou não). Houve por parte dos pesquisadores uma preocupação no registro desses movimentos na memória dos atores e dessa dificuldade surgiu a idéia da criação de histórias montadas com seqüências de movimentos.
Uma dificuldade encontrada foi a inserção de texto e sons nos movimentos já construídos. Tal dificuldade vem sendo solucionada com o auxílio da “Dança das Articulações”: atividade que nos acompanhou dês do início do trabalho na oficina e tem possibilitado a descoberta e a construção de uma linguagem corporal própria.
2. Sobre a oficina de canto e preparação vocal
Os encontros dessa oficina se deram uma vez por semana (as quartas) e tiveram aproximadamente uma hora e meia de duração.
O objetivo dos exercícios propostos foi o de “regular” as vozes, ou seja, buscar uma afinação, volume e timbre adequados a realização de espetáculos teatrais.
Uma outra preocupação foi a busca por uma união entre o trabalho desenvolvido na oficina teatral e o trabalho a ser desenvolvido nesta oficina. Tal união se deu ao inserirmos as movimentações com os objetos ao canto das músicas.
3. Oficina de flauta doce
Os encontros dessa oficina se deram uma vez por semana (as quartas) e tiveram aproximadamente quarenta minutos de duração.
A oficina de flauta doce tem como objetivo fornecer ao ator o aprendizado de um instrumento além de possibilitar a leitura de partituras (ritmo e notas) e a descoberta de embocaduras q facilitam o próprio canto.
Neste ano de trabalho em especial os flautistas buscaram aumentar o alcance de notas agudas, objetivo alcançado com êxito.
Outra preocupação foi quanto a interpretação das músicas a partir da variação de intensidade e velocidade.
• Ensaios para as substituições nos espetáculos “As Artimanhas de Moliére” e “A Folia de Todomundo”:
Os trabalhos na construção do espetáculo KARAVANSARAI foram interrompidos no meio do ano para a substituição de alguns personagens. Essa substituição deu aos novos atores
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Raquel Mattar/2004
O processo de construção do Caravançarai foi muito diferente dos outros espetáculos que participei, visto que partimos de uma relação com o objeto para a construção do personagem, por tanto foi de uma forma espontânea e no início muito estimulante, já que tudo era novidade.
No primeiro ano(2003) construímos os personagens por meio da dança da articulação, dança esta que era muito cansativa mas também recompensante, o professor Roberto nos conduzia de forma que aquecíamos todas as partes do corpo de forma igual além de buscarmos em alguns momentos nos relacionarmos com os outros atores e com os objetos escolhidos.
Ao longo deste ano trabalhei com dois objetos: o objeto disco e o objeto filó, e devido ao maior trabalho com o objeto filó, meu pássaro veio através dele, também como em todo processo houveram momentos de cansaço e de desânimo, mas creio que conseguimos passar por está “crise”. Durante o processo de formação do meu pássaro tive dificuldades em falar como o pássaro pois minha voz saia da garganta e não da forma do meu corpo, agora está um pouco melhor mas sinto que poderia melhorar.
No ano de 2004 demos oficialmente início a montagem do espetáculo. Já na primeira unidade tivemos dificuldade pois fazia parte um coro formado por 3 atrizes e eu. O problema do coro não foi solucionado e até agora temos complicações.
Quanto a montagem das unidades só dos pássaros houve um melhor resultado, principalmente quando partíamos da dança das articulações, que tornaram o trabalho mais demorado já que despendia de um tempo maior só para concentração. A cena, no entanto, parecia mais agradável e em alguns casos menos cansativas.
Ainda em 2004 trabalhei com o objeto disco, visto que o meu pássaro do objeto filó deixou de existir em certa parte do texto, porém ainda não está claro para nós se ele realmente existirá ou se eu irei para os instrumento e voltaria no final.
Posso então concluir que a construção do Caravançarai foi repleta de altos e baixos e que aprendemos muito, desde ter paciência para que as coisas aconteçam no momento certo até ter pensamento positivo se iria ou não dar certo. Como a empolgação era tanta que queríamos respostas na hora e em vários momento desacreditamos que fossemos conseguir terminar e que fizesse sentido.
No primeiro ano(2003) construímos os personagens por meio da dança da articulação, dança esta que era muito cansativa mas também recompensante, o professor Roberto nos conduzia de forma que aquecíamos todas as partes do corpo de forma igual além de buscarmos em alguns momentos nos relacionarmos com os outros atores e com os objetos escolhidos.
Ao longo deste ano trabalhei com dois objetos: o objeto disco e o objeto filó, e devido ao maior trabalho com o objeto filó, meu pássaro veio através dele, também como em todo processo houveram momentos de cansaço e de desânimo, mas creio que conseguimos passar por está “crise”. Durante o processo de formação do meu pássaro tive dificuldades em falar como o pássaro pois minha voz saia da garganta e não da forma do meu corpo, agora está um pouco melhor mas sinto que poderia melhorar.
No ano de 2004 demos oficialmente início a montagem do espetáculo. Já na primeira unidade tivemos dificuldade pois fazia parte um coro formado por 3 atrizes e eu. O problema do coro não foi solucionado e até agora temos complicações.
Quanto a montagem das unidades só dos pássaros houve um melhor resultado, principalmente quando partíamos da dança das articulações, que tornaram o trabalho mais demorado já que despendia de um tempo maior só para concentração. A cena, no entanto, parecia mais agradável e em alguns casos menos cansativas.
Ainda em 2004 trabalhei com o objeto disco, visto que o meu pássaro do objeto filó deixou de existir em certa parte do texto, porém ainda não está claro para nós se ele realmente existirá ou se eu irei para os instrumento e voltaria no final.
Posso então concluir que a construção do Caravançarai foi repleta de altos e baixos e que aprendemos muito, desde ter paciência para que as coisas aconteçam no momento certo até ter pensamento positivo se iria ou não dar certo. Como a empolgação era tanta que queríamos respostas na hora e em vários momento desacreditamos que fossemos conseguir terminar e que fizesse sentido.
Marie Robilard / 2004
Ensaios do espetáculo KARAVANÇARAI
No começo de 2004, já havíamos recebido o texto do próximo espetáculo da Cia. NOSCONOSCO com os personagens também distribuídos para os atores. De maneira que esse relatório acaba sendo uma continuidade do anterior. O do ano de 2003 contém análise de dois anos do processo de montagem e sua pesquisa: o trabalho com o(s) objeto(s). O desse ano em questão deve, portanto, tratar mais da construção da montagem em si.
Foram três anos. Iniciou-se a proposta com exercícios baseados na estória grega de PÍRAMO E TISBE no final de 2001. Utilizei uma corda que não me trouxe grandes desafios além do "estar em cena". No ano de 2002, remontamos três espetáculos com substituições no elenco e a atenção do grupo se dividiu também com a leitura e experimentação sem aprofundamento de alguns pontos do livro O ATOR INVISÍVEL de Yoshi Oida. Ao final desse ano, retomamos o trabalho com o objeto. Em 2003, o foco foi todo para a proposta apresentada pelo professor Roberto Dória, que estaria afim com seu projeto de dissertação de mestrado. Levei para trabalhar um pano de malha verde, um marabu branco, um tecido brilhante preto, um spray d’água. Acabando por optar pelo primeiro para uma pesquisa mais constante. Com o segundo não pude me aprofundar e ele acabou sendo utilizado por outra colega de elenco, bem como o tecido brilhante preto aproveitado por outra atriz. O spray foi descartado por todos.
Intelectualmente me parece que todos entenderam a proposta. Deveríamos criar após a manipulação aleatória com o objeto uma "memória corporal" que nos renderia um repertório para compormos não necessariamente um personagem, mas um trabalho apresentável ao público (objetivo maior do teatro). Essa relação construída com o objeto deveria nos dar também o impulso inicial para alcançarmos um estado de prontidão para o repertório citado acima. Algo paralelo com o trabalho de máscara teatral ou meia máscara que fornece a quem a utiliza uma real preparação para a cena. Além da manipulação "empirística" com o objeto, outro ponto de partida foi a chamada "dança das articulações", que acompanha o aquecimento do grupo há muitos anos.
Quando pedido aos atores que escolhessem objetos de outras pessoas, "caiu em minhas mãos" um pequeno círculo azul feito de espuma. Da relação criada com esse objeto senti claramente a proposta apresentada teoricamente. Ou melhor, senti o que seria o começo desse trabalho. Essa relação me permitia encontrar em minha memória algo interessante para ser explorado cênicamente, porém devido à proposta do texto e seus "personagens" não pude seguir adiante nessa pesquisa. Acabei por me concentrar no pano verde mais pela questão do texto da peça e seus "personagens". Embora tenha começado a manipular também o marabu branco, ele não despertou o mesmo impulso primitivo que o pano verde ou o círculo de espuma. Se continuasse com ele, deveria pesquisar muito mais minha relação com esse objeto.
"Na turbulência não está o perigo, mas na estagnação e na indiferença."
Rachel de Queiroz
No começo de 2004, já havíamos recebido o texto do próximo espetáculo da Cia. NOSCONOSCO com os personagens também distribuídos para os atores. De maneira que esse relatório acaba sendo uma continuidade do anterior. O do ano de 2003 contém análise de dois anos do processo de montagem e sua pesquisa: o trabalho com o(s) objeto(s). O desse ano em questão deve, portanto, tratar mais da construção da montagem em si.
Foram três anos. Iniciou-se a proposta com exercícios baseados na estória grega de PÍRAMO E TISBE no final de 2001. Utilizei uma corda que não me trouxe grandes desafios além do "estar em cena". No ano de 2002, remontamos três espetáculos com substituições no elenco e a atenção do grupo se dividiu também com a leitura e experimentação sem aprofundamento de alguns pontos do livro O ATOR INVISÍVEL de Yoshi Oida. Ao final desse ano, retomamos o trabalho com o objeto. Em 2003, o foco foi todo para a proposta apresentada pelo professor Roberto Dória, que estaria afim com seu projeto de dissertação de mestrado. Levei para trabalhar um pano de malha verde, um marabu branco, um tecido brilhante preto, um spray d’água. Acabando por optar pelo primeiro para uma pesquisa mais constante. Com o segundo não pude me aprofundar e ele acabou sendo utilizado por outra colega de elenco, bem como o tecido brilhante preto aproveitado por outra atriz. O spray foi descartado por todos.
Intelectualmente me parece que todos entenderam a proposta. Deveríamos criar após a manipulação aleatória com o objeto uma "memória corporal" que nos renderia um repertório para compormos não necessariamente um personagem, mas um trabalho apresentável ao público (objetivo maior do teatro). Essa relação construída com o objeto deveria nos dar também o impulso inicial para alcançarmos um estado de prontidão para o repertório citado acima. Algo paralelo com o trabalho de máscara teatral ou meia máscara que fornece a quem a utiliza uma real preparação para a cena. Além da manipulação "empirística" com o objeto, outro ponto de partida foi a chamada "dança das articulações", que acompanha o aquecimento do grupo há muitos anos.
Quando pedido aos atores que escolhessem objetos de outras pessoas, "caiu em minhas mãos" um pequeno círculo azul feito de espuma. Da relação criada com esse objeto senti claramente a proposta apresentada teoricamente. Ou melhor, senti o que seria o começo desse trabalho. Essa relação me permitia encontrar em minha memória algo interessante para ser explorado cênicamente, porém devido à proposta do texto e seus "personagens" não pude seguir adiante nessa pesquisa. Acabei por me concentrar no pano verde mais pela questão do texto da peça e seus "personagens". Embora tenha começado a manipular também o marabu branco, ele não despertou o mesmo impulso primitivo que o pano verde ou o círculo de espuma. Se continuasse com ele, deveria pesquisar muito mais minha relação com esse objeto.
"Na turbulência não está o perigo, mas na estagnação e na indiferença."
Rachel de Queiroz
Raquel Mattar/Uma experiência com a Iniciação Científica Júnior - 2001
No mês de abri de 2001 orientados pelos professores Maricélia Bispo e Roberto Dória, 8 alunos do Colégio de Aplicação da UERJ começaram um projeto de Iniciação Científica Júnior baseado na peça As Artimanhas de Molière que faz parte do projeto de extensão ”Adaptação de Clássicos da Dramaturgia Adulta para a Linguagem do Teatro Infantil“
No teatro SESI, conhecendo o dia a dia do teatro, trabalhávamos na bilheteria e na recepção distribuindo programas e mala- direta que ao final da peça eram recolhidas e com o auxilio de filmadora e gravadores recolhiamos a opinião do público, com base nesse material nós realizávamos o nosso trabalho de Iniciação Científica Júnior.
Após o término da temporada no teatro SESI, fomos à Bahia expor nosso projeto na 9ª SBPC Jovem, lá também recolhemos material. Alguns dias após o retorno, a peça entrou em cartaz no Museu da República, e dando continuidade ao nosso trabalho, recolhíamos ao final a opinião do público , porem não contavamos mais com a filmadora e nem com a mala- direta. Como não estávamos mais no ambiente do teatro, fomos encarregados com outras funções, em vez da bilheteria, éramos responsáveis pela acomodação do público já que era em ar livre. Infelizmente por motivos de força maior, a temporada do Museu da República foi encerrada.
No mês de setembro apresentamos o resultado parcial do nosso trabalho na UERJ se muros (10ªmostra de Iniciação Científica Júnior e na 5ª mostra de Extensão).
Eu avalio o trabalho de uma forma muito válida, não só como profissional, mas de vida, já que passamos por muitos desafios para realizar o trabalho, e essa realização foi mais agradável, graças a ótima recepção que os atores da Cia Teatral Nosconosco, já que sem isso, a realização do trabalho ficaria muito complicada, já que o Projeto de Iniciação foi realizado baseado na peça.
No teatro SESI, conhecendo o dia a dia do teatro, trabalhávamos na bilheteria e na recepção distribuindo programas e mala- direta que ao final da peça eram recolhidas e com o auxilio de filmadora e gravadores recolhiamos a opinião do público, com base nesse material nós realizávamos o nosso trabalho de Iniciação Científica Júnior.
Após o término da temporada no teatro SESI, fomos à Bahia expor nosso projeto na 9ª SBPC Jovem, lá também recolhemos material. Alguns dias após o retorno, a peça entrou em cartaz no Museu da República, e dando continuidade ao nosso trabalho, recolhíamos ao final a opinião do público , porem não contavamos mais com a filmadora e nem com a mala- direta. Como não estávamos mais no ambiente do teatro, fomos encarregados com outras funções, em vez da bilheteria, éramos responsáveis pela acomodação do público já que era em ar livre. Infelizmente por motivos de força maior, a temporada do Museu da República foi encerrada.
No mês de setembro apresentamos o resultado parcial do nosso trabalho na UERJ se muros (10ªmostra de Iniciação Científica Júnior e na 5ª mostra de Extensão).
Eu avalio o trabalho de uma forma muito válida, não só como profissional, mas de vida, já que passamos por muitos desafios para realizar o trabalho, e essa realização foi mais agradável, graças a ótima recepção que os atores da Cia Teatral Nosconosco, já que sem isso, a realização do trabalho ficaria muito complicada, já que o Projeto de Iniciação foi realizado baseado na peça.
Bruno / Junho de 2001
Do Projeto de Extensão
O presente projeto visa a desenvolver uma pesquisa cultural, no âmbito da linguagem teatral, a partir do aperfeiçoamento de técnicas e linguagens que possibilitem a ampliação da dramaturgia clássica adulta ao universo infantil.
A avaliação de projetos que tratam de textos dramatúrgicos, e portanto, necessitam ser experimentados não só na forma escrita como em uma vivência prática, depende da reação ao resultado concreto apresentado, o espetáculo teatral.
Nesse sentido, sustentamos que a adaptação de texto clássico adulto para a linguagem infantil obteve êxito, uma vez que os depoimentos apreendidos do público apontam nessa direção.
Em relação às atividades que envolveram a realização do espetáculo “As Artimanhas de Moliére” e às demais ramificações do projeto de extensão, as metas e objetivos propostos foram alcançados apesar dos obstáculos que representam a insuficiência de recursos financeiros e a limitação que impõe o espaço físico impróprio.
A minimização das dificuldades possibilitou promover a integração entre a UERJ e a comunidade externa, como podem ser extraído da avaliação específica das atividades. A sistematização e difusão do projeto ressaltam sua inegável relevância social.
Das Atividades
1) O Processo de Pesquisa e A Construção do Espetáculo “As Artimanhas de Molière”
A atividade experimental realizada nos diversos campos da atividade cênica teve como objetivo, preliminarmente, fazer a leitura objetiva e aprofundada da obra de Molière, ressaltando seus aspectos históricos, políticos e sociais, a fim de preservar todo o conteúdo crítico e o potencial satírico de sua dramaturgia..
Toda a pesquisa teórica dos textos de Molière e a busca das circunstâncias históricas que constituíram o arcabouço fático e moral de sua obra foram fundamentais para o trabalho de adaptação e encenação do espetáculo, na medida que permitiram uma releitura revestida de máxima fidelidade à essência de sua comédia.
Com efeito, desenvolveu-se o aprofundamento de questões relacionadas à comicidade e ao riso, a partir de trabalho teórico e prático, aliando a técnica clawnesca de ampliação da realidade em situações irônicas e sarcásticas e a técnica corporal desenvolvida com base na teoria da Antropologia Teatral, direcionada para o alcance da presença e do domínio do espaço cênico; através de exercícios envolvendo equilíbrio precário, movimentos extra-cotidianos e precisão gestual.
Esse trabalho integrado permitiu a construção de personagens e de cenas, tendo em mente o direcionamento do processo para a linguagem infantil, incorporando às situações dramáticas, ações e reações facilmente identificáveis pelo imaginário da criança.
Isso ficou plenamente perceptível na resposta do público infantil, durante as apresentações do espetáculo, que puderam alcançar todo o potencial cômico do texto escrito e não escrito, reagindo ativamente às situações, demonstrando além do interesse no que era assistido, sensações antevistas em diversas ações, tais como riso, satisfação, aversão e compaixão.
Paralelamente, pretendeu-se desenvolver o lado criativo e artístico dos atores/aderecistas na confecção de adereços que recriassem os arquétipos presentes no teatro de Molière.
Para tal, foi utilizado materiais alternativos e reciclados na confecção de adereços cênicos, tais como máscaras representativas dos Comediantes do Rei do século XVII; chapéus, bolsas, sapatos e acessórios das personagens de época; malas detalhadamente construídas, representativas das características pessoais e da trajetória de trabalho de cada ator; tecidos pintados a mão para a feitura de capas; candelabros de madeira; velas e baús utilizados na encenação; além do adereçamento dos próprios figurinos concebidos.
Essa experiência complementar à encenação do espetáculo propiciou a consolidação do suporte estético do texto, além de ser de suma importância para o alcance do objetivo principal do projeto na adaptação da dramaturgia adulta para a linguagem infantil, pois esta se compõe não só pelo texto escrito, mas por toda composição audiovisual que lhe anima.
Os resultados obtidos em relação à construção do espetáculo “As Artimanhas de Molière” foram, portanto, plenamente satisfatórios, tendo sido alcançados os objetivos propostos pelo Projeto de Extensão, não só ao que se refere à perfeita adequação da dramaturgia clássica à linguagem infantil, perceptível principalmente pela resposta do público no momento da realização do espetáculo; pelos depoimentos apreendidos mediante registros fonográficos ; e pelos trabalhos de avaliação posteriormente realizados com os alunos do Colégio de Aplicação da UERJ.
Ressalta-se, assim, que o projeto tem conteúdo interdisciplinar, abarcando as áreas de Artes, História, Comunicação, direcionadas à educação e ao ensino. Além disso, a composição da equipe inclui duas atrizes formadas pela Uni Rio e uma aluna da Universidade Federal Fluminense, o que evidencia a integração entre universidades.
3) Divulgação do Espetáculo através de Convênio com as Empresas e Escolas
A divulgação do espetáculo em questão objetivou torná-lo mais acessível ao público em geral e à comunidade, através da celebração de convênios com empresas e escolas.
Os convênios com as empresas credenciadas ao teatro SESI e com escolas selecionadas em suas proximidades consistiam na entrega da proposta de convênio e do material de divulgação, contendo convites e cartazes e panfletos.
No que diz respeito a esses métodos de divulgação, precisamente quanto à celebração de convênios com as empresas, podem ser apontadas possíveis causas do afastamento dos resultados em relação àquilo que era esperado.
A mais evidente é, sem dúvida, a constatação de que mais de 50% das empresas contatadas por telefone sequer apresentaram interesse em receber o material de divulgação e a proposta de convênio. Essa realidade denota a falta de interesse: de um lado, das Empresas, em promover acordos e convênios que ampliem e enriqueçam a formação cultural de seus funcionários e contribuam para capacitação profissional dos mesmos, na medida em que desenvolvem a criatividade o raciocínio crítico; e de outro, dos próprios funcionários, por não aproveitarem as restritas oportunidades a que têm acesso, conseqüência da pouca informação e da desvalorização da atividade teatral nas sociedade brasileira. Essa situação preocupante pode ser sintetizada na resposta constantemente obtida dos contatos firmados “Peão não vai ao teatro”.
Soma-se a esse quadro o fato de pouquíssimas empresas terem associação de funcionários ou um órgão destinado a defender os seus interesses, prescindindo o local de trabalho, na maioria das vezes, de um meio de veiculação de informações, tais como jornais internos, boletins e murais informativos, o que inviabiliza a divulgação de eventos sociais e cultuais.
Finalmente, o trabalho de divulgação centrado na entrega de material nas escolas obteve um resultado abaixo da expectativa, ressaltado pelo pouco retorno dos panfletos de descontos distribuídos, o que demonstra a falta de iniciativas da maioria das escolas de incluírem em seu projeto educacional atividades extracurriculares que despertem o interesse dos alunos para os movimentos artísticos que contribuem tanto para a formação intelectual quanto a social.
Exceção se faz às unidades acadêmicas do colégio Pedro II, e às escolas em que os próprios atores têm atuação direta, como profissionais, ou indireta, que adotam tal atividade (ir ao teatro) como complemento pedagógico e cultural.
4) Atividades teatrais oferecidas à Comunidade
A partir da experiência prática dos atores da Companhia Teatral Nosconosco, abriram-se, ainda, outras frentes de pesquisa relacionadas diretamente à comunidade. tais como o oferecimento da Oficina de Bonecos- O Mundo Mamulengo, tendo por fim a construção e manipulação do mamulengo, elemento típico da cultura popular brasileira; e o monitoramento do Curso de Iniciação ao Teatro, como forma de despertar o interesse comunitário pelo Teatro e proporcionar a formação de novos atores.
4.1) Monitoramento do Curso de Iniciação ao Teatro
A atividade consiste na participação dos alunos/atores/bolsistas no curso de teatro, observando e colaborando no desenvolvimento dos exercícios teatrais propostos, a fim de fomentar o interesse dos alunos e explicitar os objetivos a serem alcançados, utilizando-se da experiência prática e teórica adquirida no incentivo ao jogo cênico.
Dessa positiva interação com a comunidade foi possível a difusão de conhecimentos produzidos pela Companhia Teatral Nosconosco ao longo de sua trajetória, principalmente extraídos dos projetos de pesquisa e investigação engendrados e das experiências interpessoais deles decorrentes.
Nessa busca por difundir um conhecimento amplo de todas as fases de montagem do espetáculo teatral, direcionou-se o trabalho para a realização da peça “A História de Todomundo” extraído de um texto da Idade Média, fazendo uma incursão no folclore nacional, especificamente Folia de Reis e Pastoreio. A partir de então, foram atribuídas aos alunos/atores/bolsistas as funções de Assistente de Direção, Orientação Musical e Sonorização. Isto representou para os bolsistas ampliação de suas capacidades profissionais no que se refere a orientação direta quanto à representação e composição das características próprias de cada personagens.
4.2) Oficina de Bonecos- O Mundo Mamulengo
A oficina de bonecos, oferecida gratuitamente à comunidade pelos alunos/atores/bolsistas é a concretização da vontade de estender o trabalho da Companhia Teatral Nosconosco, aumentando seu campo de atuação e diversificando seu público alvo com a importante tarefa de reviver a cultura popular por meio de uma das mais antigas formas de representação do humano, o teatro de bonecos.
Para essa finalidade, aprofundou-se a pesquisa sobre o boneco., que é o termo usado para designar um objeto, que representando a figura humana, ou animal, é dramaticamente animado diante do público. Optou-se, então, pelo mamulengo, nome dado ao teatro de bonecos em Pernambuco, uma brincadeira com mão molenga, por poder ser apresentado em qualquer parte, desde os salões da realeza até as feiras e casas mais pobres, o mamulengo é para todos, sem distinção de idade, credo religioso ou classe social. Sério ou cômico, paródia ou símbolo, concreto ou abstrato, o boneco é uma analogia. É o reflexo do homem.
Aliado a isso, a origem do interesse despertado se funda na dramaturgia específica desse tipo de teatro, uma vez que as histórias feitas com mamulengos são quase sempre improvisadas a partir de temas da tradição oral, na forma de enredos curtos, também denominados passagens, que vão tomando forma na mão do mestre durante o espetáculo. Os temas das histórias recordam o cotidiano: são situações pitorescas, namoros, brigas, traições, confusões políticas, furtos, conflitos com autoridades, disputas de terra, bailes, nascimento de crianças, assombrações, duelos com bichos, desafios de cantoria.
A experiência foi estimulante pelo diálogo de inventividade e por ter sido atingido o resultado pretendido de ampliar a imaginação, valorizar o trabalho em grupo, desenvolver a coordenação motora e valorizar a reutilização de diversos materiais. Além disso a participação dos usuários foi intensa, pois os ingredientes são de forte apelo popular, e de fácil assimilação. É um estilo de teatro muito espontâneo e ativador do processo criativo.
6) Participação em Eventos
6.1) 53ª Reunião Anual da SBPC
A participação na SBPC abrangeu a apresentação do espetáculo “As Artimanhas de Moliére” e da palestra “. Nota-se que a precariedade da organização do evento constituiu um obstáculo a um melhor aproveitamento das atividades, já que as unidades da UFBA destinadas a este fim eram distantes e a divulgação dos eventos, deficiente.
Esse fato gerou uma situação contraproducente, já que o público da palestra sobre o espetáculo era diverso daquele que o assistiu, participando, com isso, da discussão sobre um objeto do qual desconheciam. A respeito disso, alguns atores fizeram algumas pequenas demonstrações de suas atuações nas cenas. De todo modo, o nível de interesse no projeto de extensão e no processo de desenvolvimento de uma linguagem corporal própria da Companhia Teatral Nosconosco foi surpreendente, acontecendo, inclusive, entusiasmadas troca de relatos e propostas de levar o espetáculo a outros estados e universidades brasileiros. Aliás, a interação entre acadêmicos foi o aspecto de maior relevância na Reunião da SBPC.
A iniciativa da UERJ em apoiar programas e eventos que contribuam com o aprofundamento e diversificação do conhecimento científico é extremamente importante e louvável.
6.2) 8º Festival de Teatro do Rio
O espetáculo “As Artimanhas de Moliére” foi selecionado, dentre inúmeros outros de todo Brasil, a participar da mostra competitiva. A apresentação foi muito aplaudida e elogiada e no debate realizado, o grupo pode expor parte do caminho trilhado em seu processo de pesquisa e construção da peça. Na Premiação, onde estiveram presentes personalidades do cenário teatral, inclusive o homenageado da 8ª edição do Festival, o espetáculo recebeu a indicação de melhor iluminação. Não foi, no entanto, premiado nesta e em outras categorias visivelmente por não se adequar ao padrão preestabelecido e privilegiado pela comissão julgadora, tanto no que se refere ao potencial comercial quanto à valorizada linguagem naturalista.
6.3) UERJ sem Muros e Mostra de Extensão
A reunião dos eventos UERJ sem Muros e Mostra de extensão na mesma ocasião nesse ano de 2001 ficou aquém da expectativa, notadamente pela organização e divulgação deficientes. A apresentação do Projeto de Extensão ao invés de proporcionar aos escassos ouvintes uma compreensão integral da pesquisa e das atividades desenvolvidas, mais se assemelhou à uma avaliação oral dirigida exclusivamente aos orientadores pela mesa examinadora.
7) Pesquisas atuais : O Teatro Antigo; O Corpo e o Movimento e O teatro Brasileiro.
No segundo semestre de 2001 foram iniciadas três frentes de pesquisa. Uma delas é o Teatro Antigo, principalmente as Antiga e Nova Comédias Gregas, cujos principais representantes foram Aristófanes e Menandro e a Comédia Romana, que teve Plauto como seu maior expoente. Esse estudo visa a aprofundar o conhecimendo da comicidade e do riso em suas origens, dando continuidade a esse enfoque, já presente em Moliére.
Outra frente de pesquisa é O Corpo e O Movimento que é, para a Companhia, fundamental ao aperfeiçoamento das técnicas do ator, no que tange a consciência de seu corpo, de suas possibilidades de movimento e de sua expressão, conferindo maior habilidade e precisão do gesto e da linguagem.
Por fim , O Teatro Brasileiro, que surgiu da própria necessidade recorrente da Companhia de identificação com o elemento nacional, desde do estudos anteriores sobre folclore até o a atual busca pelo texto e por formas genuinamente brasileiras de representação. Chegou-se à Comédia de Arthur Azevedo, o Teatro de Revista e a Geração Trianom como temas que despertam maior interesse.
***
O trabalho de pesquisa no qual se baseia a Companhia Teatral Nosconosco para a construção de seus espetáculos, o aperfeiçoamento dos seus atores, a transmissão do conhecimento adquirido, através de eventos e atividades nos quais participam a comunidade, é o centro gerador da existência e do engrandecimento de nosso objetivo de fazer teatro de qualidade no Brasil. Portanto, o apoio de instituições como a UERJ é indispensável para que projetos de extensão como este, de relevante interesse social, se concretizem.
O presente projeto visa a desenvolver uma pesquisa cultural, no âmbito da linguagem teatral, a partir do aperfeiçoamento de técnicas e linguagens que possibilitem a ampliação da dramaturgia clássica adulta ao universo infantil.
A avaliação de projetos que tratam de textos dramatúrgicos, e portanto, necessitam ser experimentados não só na forma escrita como em uma vivência prática, depende da reação ao resultado concreto apresentado, o espetáculo teatral.
Nesse sentido, sustentamos que a adaptação de texto clássico adulto para a linguagem infantil obteve êxito, uma vez que os depoimentos apreendidos do público apontam nessa direção.
Em relação às atividades que envolveram a realização do espetáculo “As Artimanhas de Moliére” e às demais ramificações do projeto de extensão, as metas e objetivos propostos foram alcançados apesar dos obstáculos que representam a insuficiência de recursos financeiros e a limitação que impõe o espaço físico impróprio.
A minimização das dificuldades possibilitou promover a integração entre a UERJ e a comunidade externa, como podem ser extraído da avaliação específica das atividades. A sistematização e difusão do projeto ressaltam sua inegável relevância social.
Das Atividades
1) O Processo de Pesquisa e A Construção do Espetáculo “As Artimanhas de Molière”
A atividade experimental realizada nos diversos campos da atividade cênica teve como objetivo, preliminarmente, fazer a leitura objetiva e aprofundada da obra de Molière, ressaltando seus aspectos históricos, políticos e sociais, a fim de preservar todo o conteúdo crítico e o potencial satírico de sua dramaturgia..
Toda a pesquisa teórica dos textos de Molière e a busca das circunstâncias históricas que constituíram o arcabouço fático e moral de sua obra foram fundamentais para o trabalho de adaptação e encenação do espetáculo, na medida que permitiram uma releitura revestida de máxima fidelidade à essência de sua comédia.
Com efeito, desenvolveu-se o aprofundamento de questões relacionadas à comicidade e ao riso, a partir de trabalho teórico e prático, aliando a técnica clawnesca de ampliação da realidade em situações irônicas e sarcásticas e a técnica corporal desenvolvida com base na teoria da Antropologia Teatral, direcionada para o alcance da presença e do domínio do espaço cênico; através de exercícios envolvendo equilíbrio precário, movimentos extra-cotidianos e precisão gestual.
Esse trabalho integrado permitiu a construção de personagens e de cenas, tendo em mente o direcionamento do processo para a linguagem infantil, incorporando às situações dramáticas, ações e reações facilmente identificáveis pelo imaginário da criança.
Isso ficou plenamente perceptível na resposta do público infantil, durante as apresentações do espetáculo, que puderam alcançar todo o potencial cômico do texto escrito e não escrito, reagindo ativamente às situações, demonstrando além do interesse no que era assistido, sensações antevistas em diversas ações, tais como riso, satisfação, aversão e compaixão.
Paralelamente, pretendeu-se desenvolver o lado criativo e artístico dos atores/aderecistas na confecção de adereços que recriassem os arquétipos presentes no teatro de Molière.
Para tal, foi utilizado materiais alternativos e reciclados na confecção de adereços cênicos, tais como máscaras representativas dos Comediantes do Rei do século XVII; chapéus, bolsas, sapatos e acessórios das personagens de época; malas detalhadamente construídas, representativas das características pessoais e da trajetória de trabalho de cada ator; tecidos pintados a mão para a feitura de capas; candelabros de madeira; velas e baús utilizados na encenação; além do adereçamento dos próprios figurinos concebidos.
Essa experiência complementar à encenação do espetáculo propiciou a consolidação do suporte estético do texto, além de ser de suma importância para o alcance do objetivo principal do projeto na adaptação da dramaturgia adulta para a linguagem infantil, pois esta se compõe não só pelo texto escrito, mas por toda composição audiovisual que lhe anima.
Os resultados obtidos em relação à construção do espetáculo “As Artimanhas de Molière” foram, portanto, plenamente satisfatórios, tendo sido alcançados os objetivos propostos pelo Projeto de Extensão, não só ao que se refere à perfeita adequação da dramaturgia clássica à linguagem infantil, perceptível principalmente pela resposta do público no momento da realização do espetáculo; pelos depoimentos apreendidos mediante registros fonográficos ; e pelos trabalhos de avaliação posteriormente realizados com os alunos do Colégio de Aplicação da UERJ.
Ressalta-se, assim, que o projeto tem conteúdo interdisciplinar, abarcando as áreas de Artes, História, Comunicação, direcionadas à educação e ao ensino. Além disso, a composição da equipe inclui duas atrizes formadas pela Uni Rio e uma aluna da Universidade Federal Fluminense, o que evidencia a integração entre universidades.
3) Divulgação do Espetáculo através de Convênio com as Empresas e Escolas
A divulgação do espetáculo em questão objetivou torná-lo mais acessível ao público em geral e à comunidade, através da celebração de convênios com empresas e escolas.
Os convênios com as empresas credenciadas ao teatro SESI e com escolas selecionadas em suas proximidades consistiam na entrega da proposta de convênio e do material de divulgação, contendo convites e cartazes e panfletos.
No que diz respeito a esses métodos de divulgação, precisamente quanto à celebração de convênios com as empresas, podem ser apontadas possíveis causas do afastamento dos resultados em relação àquilo que era esperado.
A mais evidente é, sem dúvida, a constatação de que mais de 50% das empresas contatadas por telefone sequer apresentaram interesse em receber o material de divulgação e a proposta de convênio. Essa realidade denota a falta de interesse: de um lado, das Empresas, em promover acordos e convênios que ampliem e enriqueçam a formação cultural de seus funcionários e contribuam para capacitação profissional dos mesmos, na medida em que desenvolvem a criatividade o raciocínio crítico; e de outro, dos próprios funcionários, por não aproveitarem as restritas oportunidades a que têm acesso, conseqüência da pouca informação e da desvalorização da atividade teatral nas sociedade brasileira. Essa situação preocupante pode ser sintetizada na resposta constantemente obtida dos contatos firmados “Peão não vai ao teatro”.
Soma-se a esse quadro o fato de pouquíssimas empresas terem associação de funcionários ou um órgão destinado a defender os seus interesses, prescindindo o local de trabalho, na maioria das vezes, de um meio de veiculação de informações, tais como jornais internos, boletins e murais informativos, o que inviabiliza a divulgação de eventos sociais e cultuais.
Finalmente, o trabalho de divulgação centrado na entrega de material nas escolas obteve um resultado abaixo da expectativa, ressaltado pelo pouco retorno dos panfletos de descontos distribuídos, o que demonstra a falta de iniciativas da maioria das escolas de incluírem em seu projeto educacional atividades extracurriculares que despertem o interesse dos alunos para os movimentos artísticos que contribuem tanto para a formação intelectual quanto a social.
Exceção se faz às unidades acadêmicas do colégio Pedro II, e às escolas em que os próprios atores têm atuação direta, como profissionais, ou indireta, que adotam tal atividade (ir ao teatro) como complemento pedagógico e cultural.
4) Atividades teatrais oferecidas à Comunidade
A partir da experiência prática dos atores da Companhia Teatral Nosconosco, abriram-se, ainda, outras frentes de pesquisa relacionadas diretamente à comunidade. tais como o oferecimento da Oficina de Bonecos- O Mundo Mamulengo, tendo por fim a construção e manipulação do mamulengo, elemento típico da cultura popular brasileira; e o monitoramento do Curso de Iniciação ao Teatro, como forma de despertar o interesse comunitário pelo Teatro e proporcionar a formação de novos atores.
4.1) Monitoramento do Curso de Iniciação ao Teatro
A atividade consiste na participação dos alunos/atores/bolsistas no curso de teatro, observando e colaborando no desenvolvimento dos exercícios teatrais propostos, a fim de fomentar o interesse dos alunos e explicitar os objetivos a serem alcançados, utilizando-se da experiência prática e teórica adquirida no incentivo ao jogo cênico.
Dessa positiva interação com a comunidade foi possível a difusão de conhecimentos produzidos pela Companhia Teatral Nosconosco ao longo de sua trajetória, principalmente extraídos dos projetos de pesquisa e investigação engendrados e das experiências interpessoais deles decorrentes.
Nessa busca por difundir um conhecimento amplo de todas as fases de montagem do espetáculo teatral, direcionou-se o trabalho para a realização da peça “A História de Todomundo” extraído de um texto da Idade Média, fazendo uma incursão no folclore nacional, especificamente Folia de Reis e Pastoreio. A partir de então, foram atribuídas aos alunos/atores/bolsistas as funções de Assistente de Direção, Orientação Musical e Sonorização. Isto representou para os bolsistas ampliação de suas capacidades profissionais no que se refere a orientação direta quanto à representação e composição das características próprias de cada personagens.
4.2) Oficina de Bonecos- O Mundo Mamulengo
A oficina de bonecos, oferecida gratuitamente à comunidade pelos alunos/atores/bolsistas é a concretização da vontade de estender o trabalho da Companhia Teatral Nosconosco, aumentando seu campo de atuação e diversificando seu público alvo com a importante tarefa de reviver a cultura popular por meio de uma das mais antigas formas de representação do humano, o teatro de bonecos.
Para essa finalidade, aprofundou-se a pesquisa sobre o boneco., que é o termo usado para designar um objeto, que representando a figura humana, ou animal, é dramaticamente animado diante do público. Optou-se, então, pelo mamulengo, nome dado ao teatro de bonecos em Pernambuco, uma brincadeira com mão molenga, por poder ser apresentado em qualquer parte, desde os salões da realeza até as feiras e casas mais pobres, o mamulengo é para todos, sem distinção de idade, credo religioso ou classe social. Sério ou cômico, paródia ou símbolo, concreto ou abstrato, o boneco é uma analogia. É o reflexo do homem.
Aliado a isso, a origem do interesse despertado se funda na dramaturgia específica desse tipo de teatro, uma vez que as histórias feitas com mamulengos são quase sempre improvisadas a partir de temas da tradição oral, na forma de enredos curtos, também denominados passagens, que vão tomando forma na mão do mestre durante o espetáculo. Os temas das histórias recordam o cotidiano: são situações pitorescas, namoros, brigas, traições, confusões políticas, furtos, conflitos com autoridades, disputas de terra, bailes, nascimento de crianças, assombrações, duelos com bichos, desafios de cantoria.
A experiência foi estimulante pelo diálogo de inventividade e por ter sido atingido o resultado pretendido de ampliar a imaginação, valorizar o trabalho em grupo, desenvolver a coordenação motora e valorizar a reutilização de diversos materiais. Além disso a participação dos usuários foi intensa, pois os ingredientes são de forte apelo popular, e de fácil assimilação. É um estilo de teatro muito espontâneo e ativador do processo criativo.
6) Participação em Eventos
6.1) 53ª Reunião Anual da SBPC
A participação na SBPC abrangeu a apresentação do espetáculo “As Artimanhas de Moliére” e da palestra “. Nota-se que a precariedade da organização do evento constituiu um obstáculo a um melhor aproveitamento das atividades, já que as unidades da UFBA destinadas a este fim eram distantes e a divulgação dos eventos, deficiente.
Esse fato gerou uma situação contraproducente, já que o público da palestra sobre o espetáculo era diverso daquele que o assistiu, participando, com isso, da discussão sobre um objeto do qual desconheciam. A respeito disso, alguns atores fizeram algumas pequenas demonstrações de suas atuações nas cenas. De todo modo, o nível de interesse no projeto de extensão e no processo de desenvolvimento de uma linguagem corporal própria da Companhia Teatral Nosconosco foi surpreendente, acontecendo, inclusive, entusiasmadas troca de relatos e propostas de levar o espetáculo a outros estados e universidades brasileiros. Aliás, a interação entre acadêmicos foi o aspecto de maior relevância na Reunião da SBPC.
A iniciativa da UERJ em apoiar programas e eventos que contribuam com o aprofundamento e diversificação do conhecimento científico é extremamente importante e louvável.
6.2) 8º Festival de Teatro do Rio
O espetáculo “As Artimanhas de Moliére” foi selecionado, dentre inúmeros outros de todo Brasil, a participar da mostra competitiva. A apresentação foi muito aplaudida e elogiada e no debate realizado, o grupo pode expor parte do caminho trilhado em seu processo de pesquisa e construção da peça. Na Premiação, onde estiveram presentes personalidades do cenário teatral, inclusive o homenageado da 8ª edição do Festival, o espetáculo recebeu a indicação de melhor iluminação. Não foi, no entanto, premiado nesta e em outras categorias visivelmente por não se adequar ao padrão preestabelecido e privilegiado pela comissão julgadora, tanto no que se refere ao potencial comercial quanto à valorizada linguagem naturalista.
6.3) UERJ sem Muros e Mostra de Extensão
A reunião dos eventos UERJ sem Muros e Mostra de extensão na mesma ocasião nesse ano de 2001 ficou aquém da expectativa, notadamente pela organização e divulgação deficientes. A apresentação do Projeto de Extensão ao invés de proporcionar aos escassos ouvintes uma compreensão integral da pesquisa e das atividades desenvolvidas, mais se assemelhou à uma avaliação oral dirigida exclusivamente aos orientadores pela mesa examinadora.
7) Pesquisas atuais : O Teatro Antigo; O Corpo e o Movimento e O teatro Brasileiro.
No segundo semestre de 2001 foram iniciadas três frentes de pesquisa. Uma delas é o Teatro Antigo, principalmente as Antiga e Nova Comédias Gregas, cujos principais representantes foram Aristófanes e Menandro e a Comédia Romana, que teve Plauto como seu maior expoente. Esse estudo visa a aprofundar o conhecimendo da comicidade e do riso em suas origens, dando continuidade a esse enfoque, já presente em Moliére.
Outra frente de pesquisa é O Corpo e O Movimento que é, para a Companhia, fundamental ao aperfeiçoamento das técnicas do ator, no que tange a consciência de seu corpo, de suas possibilidades de movimento e de sua expressão, conferindo maior habilidade e precisão do gesto e da linguagem.
Por fim , O Teatro Brasileiro, que surgiu da própria necessidade recorrente da Companhia de identificação com o elemento nacional, desde do estudos anteriores sobre folclore até o a atual busca pelo texto e por formas genuinamente brasileiras de representação. Chegou-se à Comédia de Arthur Azevedo, o Teatro de Revista e a Geração Trianom como temas que despertam maior interesse.
***
O trabalho de pesquisa no qual se baseia a Companhia Teatral Nosconosco para a construção de seus espetáculos, o aperfeiçoamento dos seus atores, a transmissão do conhecimento adquirido, através de eventos e atividades nos quais participam a comunidade, é o centro gerador da existência e do engrandecimento de nosso objetivo de fazer teatro de qualidade no Brasil. Portanto, o apoio de instituições como a UERJ é indispensável para que projetos de extensão como este, de relevante interesse social, se concretizem.
??????????? / 2000-2001
• Ensaios para a montagem da peça “As artimanhas de Molière”
Tempo: meses de dezembro de 2000, janeiro, fevereiro, março e princípio de abril de 2001.
Dias: 4 vezes por semana de 17:30 às 22:00
Temporada: Teatro do Sesi de 07/04/01 • 10/06/01
Jardim do Museu da Republica de 29/07/01 • 01/09/01
SBPC Jovem Salvador em 16/07/01
Festival de Teatro da Universidade Veiga de Almeida em 27/09/01
Teatro Municipal de Teresópolis em 19/10/01
Avaliação: Foi uma excelente temporada, acredito termos alcançado nossos objetivos com a peça em todos os sentidos, tanto quanto a encenação, adaptação de uma peça clássica para o público infantil, o entendimento por parte das crianças do texto. Isso tudo inclusive documentado pela pesquisa feita pelos alunos do Cap-UERJ, junto ao público tanto as crianças, como os adultos que as acompanhavam.
Como dificuldades ressalto à falta de verba e apoio para a montagem do espetáculo, dificultando a construção do cenário, figurinos, adereços, material promocional e também dos custos do teatro. E a atual crise do teatro infantil, com a falta de incentivo da iniciativa privada e do governo, de apoio da mídia (falta de críticos de teatro infantil e de matéria sobre os espetáculos) e premiações. O teatro infantil esta sempre colocado em último plano de importância.
• Criação e desenvolvimento do material de divulgação da peça “As artimanhas de Molière”
Material: Programa, convite, filipeta, cartaz, 2 banners, folder e ficha de cadastro de público.
Tempo: 2 semanas para criação e desenvolvimento e uma semana pra correção e finalização do material.
Programas utilizados: Photoshop 6, corel 10, pagemaker 6.5, word 2000.
Desenvolvimento: Criação do logotipo da peça, scanner de dois desenhos que foram utilizados como uma identidade da peça, digitação dos textos usados nos materiais.
Extras: Contatos por telefone e pedidos de orçamentos para gráficas e bureaus
Avaliação: As peças atenderam ao propósito satisfatoriamente, mas o programa, convite e folder poderiam ter ficado melhores se tivéssemos mais recursos financeiros, pois tivemos que deixar de lado algumas idéias porque não teríamos como produzir. Nessas peças foram feitas em duas cores quando queríamos usar quatro, o papel delas não era o que queríamos utilizar e sim o que tínhamos. As peças ficaram boas, mas poderiam ter ficado melhores se tivéssemos verba e ou apoio. Já as outras peças ficaram exatamente como idealizamos.
• Divulgação
Tempo: 1 dia
Local: Colégios particulares de Santa Tereza e São Cristóvão e Escola Municipal Noel Nutels
Quantidade: 5 colégios de Santa Tereza, 5 colégios de São Cristóvão e 1 escola de Jacarepaguá.
Como foi feito: Visitação dos colégios entregando material para a divulgação entre os alunos (programa, cartaz e filipetas).
Avaliação: Apesar dos colégios particulares que fui visitar não terem ido ao teatro foi uma iniciativa muito importante para o tempo de vida da peça no teatro – com a escola municipal levei 60 pessoas (55crianças e 5 professores) – pois conseguimos levar um número grande de alunos de alguns colégios particulares e muitos da rede municipal ao teatro, inclusive muitas dessas crianças nunca havia entrado no teatro. Pagando um preço simbólico pelo ingresso, tornando possível a ida deles ao teatro tendo em vista que na grande maioria das vezes as crianças não conhecem o teatro por não terem condições de pagarem o valor do ingresso. Acredito ter sido uma iniciativa muito bem sucedida e que deve ter uma continuidade. Na Escola Municipal Noel Nutels foi pedido pela direção que eu pudesse falar sobre a peça, a companhia Nosconosco e sobre o dramaturgo Molière, foi muito bom tanto pra mim como para as crianças, dividi o que sabia sobre a dramaturgia e a vida de Molière com os alunos que ficaram atentos e participativos querendo saber também sobre a companhia, saber como as coisas são feitas dentro da companhia e como fazemos para montar uma peça. Sendo uma atividade a ser pensada e quem sabe se tornar parte integrante desse projeto de divulgação, por acreditar que é um trabalho que o complementa. Acho que a maior dificuldade desse projeto é além da falta de verba para essa atividade, é a escolas não terem o habito de incentivarem as crianças nessas atividades culturais que não são iniciativas da escola e não conhecerem a Companhia.
• Contato para os festivais
Tempo: 1 semana
Como foi feito: Contatos feitos com os principais festivais do Brasil, pelo telefone, fax e e-mail.
Avaliação: Foi uma atividade fácil de executar, as únicas dificuldades foram conseguir uma lista atualizada dos festivais e também por falta de verba e apoio muitos festivais cancelaram suas edições desse ano.
• Curso de iniciação teatral
Tempo: X aulas (17:00 às 19:00) 2 horas semanais e mais os ensaios da montagem final
O que foi feito: Participação nos exercícios de aquecimento, improvisação, monitorando alguns exercícios junto aos alunos e servindo de uma espécie de assistente de direção na montagem da peça “Todomundo”, ajudando os alunos/atores com seus personagens e com as cenas.
Avaliação: Foi uma atividade que foi muito bem aproveitada por nós bolsistas e pelos alunos. Para nós foi bom estar um pouco do outro lado e poder passar um pouco do que aprendemos dando “toques” nos exercícios deles e os ajudando sempre que precisavam e também por voltarmos a fazer exercícios, improvisações, etc que já não fazíamos há muito tempo. Eles além de dois professores tiveram quatro assistentes para ajuda-los a desenvolver seus exercícios, improvisações e também colaborar com eles na hora de compor seus personagens e cenas. Acredito que para maior rendimento dessa atividade os assistentes deveriam estar toda semana nessa atividade e não de quinze e quinze dias, assim fica mais proveitoso, pois não haveria interrupção no processo. Que realmente dificultava, pois alguns exercícios que começava numa semana e acabavam duas ou três aulas depois não tinha um acompanhamento de todos os assistentes.
• Criação e desenvolvimento do material de divulgação da peça “Todomundo”
Material: Convite, filipeta, cartaz.
Tempo: uma e meia semana para criação, desenvolvimento, correção e finalização do material.
Programas utilizados: Photoshop 6, corel 10, pagemaker 6.5, word 2000.
Desenvolvimento: Criação do logotipo da peça, scanner de desenhos que foram utilizados como uma identidade da peça, digitação dos textos usados nos materiais.
Avaliação: As mesmas da peça “As artimanhas de Molière” e, mas a falta de tempo pelo cronograma estar apertado.
• Oficina “Mundo mamulengo”
Tempo: 10 aulas (14:00 às 16:00) 2 horas semanais
O que foi feito: Ministramos aulas de teatro de fantoches, construção e manipulação dos fantoches e um pouco da história do teatro de bonecos. Por último uma encenação com os fantoches construídos pelos alunos.
Avaliação: Foi uma atividade extremamente bem sucedida. Foi uma atividade gratuita, aberta à comunidade e que com certeza vai render bons frutos no futuro. Ressalto o despertar para um teatro ao qual não conhecia quase nada isso me levou a estudá-lo e ampliar meus conhecimentos, além de me fazer construir meu próprio boneco coisa que me julgava sem jeito e sem desejo de fazer. E hoje já até manifestei meu interesse em levar o que aprendi para outros lugares e comunidades. Acredito ter sido uma das atividades que, mas me ajudou nesse ano. Acho que por ser a primeira, e isso acaba sendo normal houve algumas falhas que com certeza serão corrigidas numa próxima oficina, como a falta de avaliação de cada aula por parte dos oficineiros, a falta de um planejamento da próxima aula e do material a ser utilizado e também uma maior organização por nossa parte dentro da sala de aula. Outra dificuldade e não termos uma sala nossa onde pudéssemos trabalhar sem interferência externa.
Avaliação Final: Apesar das dificuldades de verba, incentivos e apoio, da falta de mídia, do tempo meio apertado pela quantidade de atividades acontecendo, tivemos muito êxito em tudo que foi feito nesse ano. Acredito que com uma organização maior por parte de todos, a continuação dessas atividades serão mais fáceis e mais proveitosas, para nós e para os alunos.
Tempo: meses de dezembro de 2000, janeiro, fevereiro, março e princípio de abril de 2001.
Dias: 4 vezes por semana de 17:30 às 22:00
Temporada: Teatro do Sesi de 07/04/01 • 10/06/01
Jardim do Museu da Republica de 29/07/01 • 01/09/01
SBPC Jovem Salvador em 16/07/01
Festival de Teatro da Universidade Veiga de Almeida em 27/09/01
Teatro Municipal de Teresópolis em 19/10/01
Avaliação: Foi uma excelente temporada, acredito termos alcançado nossos objetivos com a peça em todos os sentidos, tanto quanto a encenação, adaptação de uma peça clássica para o público infantil, o entendimento por parte das crianças do texto. Isso tudo inclusive documentado pela pesquisa feita pelos alunos do Cap-UERJ, junto ao público tanto as crianças, como os adultos que as acompanhavam.
Como dificuldades ressalto à falta de verba e apoio para a montagem do espetáculo, dificultando a construção do cenário, figurinos, adereços, material promocional e também dos custos do teatro. E a atual crise do teatro infantil, com a falta de incentivo da iniciativa privada e do governo, de apoio da mídia (falta de críticos de teatro infantil e de matéria sobre os espetáculos) e premiações. O teatro infantil esta sempre colocado em último plano de importância.
• Criação e desenvolvimento do material de divulgação da peça “As artimanhas de Molière”
Material: Programa, convite, filipeta, cartaz, 2 banners, folder e ficha de cadastro de público.
Tempo: 2 semanas para criação e desenvolvimento e uma semana pra correção e finalização do material.
Programas utilizados: Photoshop 6, corel 10, pagemaker 6.5, word 2000.
Desenvolvimento: Criação do logotipo da peça, scanner de dois desenhos que foram utilizados como uma identidade da peça, digitação dos textos usados nos materiais.
Extras: Contatos por telefone e pedidos de orçamentos para gráficas e bureaus
Avaliação: As peças atenderam ao propósito satisfatoriamente, mas o programa, convite e folder poderiam ter ficado melhores se tivéssemos mais recursos financeiros, pois tivemos que deixar de lado algumas idéias porque não teríamos como produzir. Nessas peças foram feitas em duas cores quando queríamos usar quatro, o papel delas não era o que queríamos utilizar e sim o que tínhamos. As peças ficaram boas, mas poderiam ter ficado melhores se tivéssemos verba e ou apoio. Já as outras peças ficaram exatamente como idealizamos.
• Divulgação
Tempo: 1 dia
Local: Colégios particulares de Santa Tereza e São Cristóvão e Escola Municipal Noel Nutels
Quantidade: 5 colégios de Santa Tereza, 5 colégios de São Cristóvão e 1 escola de Jacarepaguá.
Como foi feito: Visitação dos colégios entregando material para a divulgação entre os alunos (programa, cartaz e filipetas).
Avaliação: Apesar dos colégios particulares que fui visitar não terem ido ao teatro foi uma iniciativa muito importante para o tempo de vida da peça no teatro – com a escola municipal levei 60 pessoas (55crianças e 5 professores) – pois conseguimos levar um número grande de alunos de alguns colégios particulares e muitos da rede municipal ao teatro, inclusive muitas dessas crianças nunca havia entrado no teatro. Pagando um preço simbólico pelo ingresso, tornando possível a ida deles ao teatro tendo em vista que na grande maioria das vezes as crianças não conhecem o teatro por não terem condições de pagarem o valor do ingresso. Acredito ter sido uma iniciativa muito bem sucedida e que deve ter uma continuidade. Na Escola Municipal Noel Nutels foi pedido pela direção que eu pudesse falar sobre a peça, a companhia Nosconosco e sobre o dramaturgo Molière, foi muito bom tanto pra mim como para as crianças, dividi o que sabia sobre a dramaturgia e a vida de Molière com os alunos que ficaram atentos e participativos querendo saber também sobre a companhia, saber como as coisas são feitas dentro da companhia e como fazemos para montar uma peça. Sendo uma atividade a ser pensada e quem sabe se tornar parte integrante desse projeto de divulgação, por acreditar que é um trabalho que o complementa. Acho que a maior dificuldade desse projeto é além da falta de verba para essa atividade, é a escolas não terem o habito de incentivarem as crianças nessas atividades culturais que não são iniciativas da escola e não conhecerem a Companhia.
• Contato para os festivais
Tempo: 1 semana
Como foi feito: Contatos feitos com os principais festivais do Brasil, pelo telefone, fax e e-mail.
Avaliação: Foi uma atividade fácil de executar, as únicas dificuldades foram conseguir uma lista atualizada dos festivais e também por falta de verba e apoio muitos festivais cancelaram suas edições desse ano.
• Curso de iniciação teatral
Tempo: X aulas (17:00 às 19:00) 2 horas semanais e mais os ensaios da montagem final
O que foi feito: Participação nos exercícios de aquecimento, improvisação, monitorando alguns exercícios junto aos alunos e servindo de uma espécie de assistente de direção na montagem da peça “Todomundo”, ajudando os alunos/atores com seus personagens e com as cenas.
Avaliação: Foi uma atividade que foi muito bem aproveitada por nós bolsistas e pelos alunos. Para nós foi bom estar um pouco do outro lado e poder passar um pouco do que aprendemos dando “toques” nos exercícios deles e os ajudando sempre que precisavam e também por voltarmos a fazer exercícios, improvisações, etc que já não fazíamos há muito tempo. Eles além de dois professores tiveram quatro assistentes para ajuda-los a desenvolver seus exercícios, improvisações e também colaborar com eles na hora de compor seus personagens e cenas. Acredito que para maior rendimento dessa atividade os assistentes deveriam estar toda semana nessa atividade e não de quinze e quinze dias, assim fica mais proveitoso, pois não haveria interrupção no processo. Que realmente dificultava, pois alguns exercícios que começava numa semana e acabavam duas ou três aulas depois não tinha um acompanhamento de todos os assistentes.
• Criação e desenvolvimento do material de divulgação da peça “Todomundo”
Material: Convite, filipeta, cartaz.
Tempo: uma e meia semana para criação, desenvolvimento, correção e finalização do material.
Programas utilizados: Photoshop 6, corel 10, pagemaker 6.5, word 2000.
Desenvolvimento: Criação do logotipo da peça, scanner de desenhos que foram utilizados como uma identidade da peça, digitação dos textos usados nos materiais.
Avaliação: As mesmas da peça “As artimanhas de Molière” e, mas a falta de tempo pelo cronograma estar apertado.
• Oficina “Mundo mamulengo”
Tempo: 10 aulas (14:00 às 16:00) 2 horas semanais
O que foi feito: Ministramos aulas de teatro de fantoches, construção e manipulação dos fantoches e um pouco da história do teatro de bonecos. Por último uma encenação com os fantoches construídos pelos alunos.
Avaliação: Foi uma atividade extremamente bem sucedida. Foi uma atividade gratuita, aberta à comunidade e que com certeza vai render bons frutos no futuro. Ressalto o despertar para um teatro ao qual não conhecia quase nada isso me levou a estudá-lo e ampliar meus conhecimentos, além de me fazer construir meu próprio boneco coisa que me julgava sem jeito e sem desejo de fazer. E hoje já até manifestei meu interesse em levar o que aprendi para outros lugares e comunidades. Acredito ter sido uma das atividades que, mas me ajudou nesse ano. Acho que por ser a primeira, e isso acaba sendo normal houve algumas falhas que com certeza serão corrigidas numa próxima oficina, como a falta de avaliação de cada aula por parte dos oficineiros, a falta de um planejamento da próxima aula e do material a ser utilizado e também uma maior organização por nossa parte dentro da sala de aula. Outra dificuldade e não termos uma sala nossa onde pudéssemos trabalhar sem interferência externa.
Avaliação Final: Apesar das dificuldades de verba, incentivos e apoio, da falta de mídia, do tempo meio apertado pela quantidade de atividades acontecendo, tivemos muito êxito em tudo que foi feito nesse ano. Acredito que com uma organização maior por parte de todos, a continuação dessas atividades serão mais fáceis e mais proveitosas, para nós e para os alunos.
Marie Robilard / 2001
Espetáculo: ”As Artimanhas de Moliére”
Foi um trabalho valioso, pesquisa profunda com muito aprendizado que nos levou, a uma montagem delicada com bastante jogo de atores e com características do autor .
As características que cada ator criou para os personagens do espetáculo foram ricas tendo cada ator aproveitado um pouco dos outros.
Os ensaios como sempre são cansativos, mas ao final se tem o produto satisfatório.
Foram construídos delicados adereços com bastante criatividade.
Divulgação:
Ainda não sei qual é melhor forma de divulgação de um espetáculo. É dinheiro? Conhecimento de pessoas influentes no meio de comunicação? Ou sorte ?! Ao meu ver o trabalho de filipetagem nas escolas não funcionou muito bem. Eu mesma entreguei muito material de divulgação ( filipetas , convites, programas, cartazes ), através de visitas em aproximadamente 50 escolas entre os bairros de Tijuca, Vila Isabel, Grajaú, Rio Comprido, Estácio, Santa Teresa ,São Cristóvão, Laranjeiras e Centro .
O retorno de filipetas é muito pequeno , em média 3% a 6% do total distribuído. Qual será o segredo de um retorno maior ? “Os sonhados 50% ou até 80%.”
Em compensação firmamos acordo com o Colégio Pedro II , unidades Engenho Novo , Tijuca e Humaitá .Essa parceria foi muito boa . O retorno do público(alunos , professores e familiares), foi ótima. No entanto, o resultado poderia ter sido melhor em outras unidades do colégio.
Com essa experiência produtiva , tentei fazer o mesmo acordo com outros colégios, só que não tive o mesmo êxito. Muitos deles colocavam como obstáculos o transporte, o espetáculo ser nos fins de semana e a localização do teatro.
A falta de tempo para fazer a divulgação atrapalha muito. Ainda mais para os bolsistas que fazem várias atividades dentro da Companhia e ainda trabalham e estudam em outras áreas. Apesar disso eu adoro fazer divulgação , conversar com os coordenadores e diretores das escolas. Outra coisa que atrapalha é o transporte, cheguei a fazer várias escolas em lugares distantes em um mesmo dia , enfrentando um sol de 40° na cabeça. O calor era de lascar e eu chegava a me arrastar pela rua.Com o carro e a ajuda de mais uma pessoa é muito mais fácil .Torna o trabalho mais simples.
Fizemos também divulgação na rádio Carioca AM no programa “Vani Fala Geral”. Foi uma nova jogada de marketing . Durante todo o programa (1 hora ) ficamos ao vivo no ar. Pessoas ligavam ,conversavam, e perguntavam curiosidades sobre o espetáculo e os atores. Questões envolvendo problemas com os pais pelo fato de fazer teatro ,se os atores são formados ou freqüentam outras escolas de teatro , como o Tablado e se fazem ou não televisão. Percebemos que a audiência do programa é formada pela classe mais baixa da população. Ao final , sorteamos convites. Será que os ganhadores foram ao teatro? Não há mais como saber.
Outro meio de divulgação que não funcionou muito bem foi o convênio com as empresas. Temos que achar uma maneira para obter um resultado melhor. Mas é errando que se aprende.
Curso de iniciação ao teatro:
Como é bom ajudar outras pessoas que tem vontade de seguir a carreira artística. Pedir concentração , dar dicas de técnicas, ajudar na construção de uma cena , tanto com o corpo como com o texto . Fazendo esse trabalho podemos ver o quanto é difícil dirigir um grupo , um espetáculo.Na maioria das vezes, quando pedimos para fazerem uma coisa , eles fazem outra . Ensaiamos uma cena várias vezes e quando chega a hora de passar o espetáculo corrido fazem tudo diferente. Haja paciência !!!
Oficina de bonecos:
Os objetivos até o momento foram atendidos , quanto à construção dos bonecos . A criatividade aflora. Surgiram muitas boas idéias de caracterização.
Acho apenas que quatro instrutores atrapalha , porque um quer saber mais que o outro , ser melhoro que outro , e isso não é saudável. Da próxima vez temos que repensar o número de instrutores. O ideal é que seja no máximo dois.Dessa forma seriam evitadas pequenas divergências em sala.
Participação em eventos:
SBPC – Poderia ter sido mais organizado e com uma divulgação maior dos eventos. O espetáculo apresentado não foi nada muito bom , até pelo calor que estava na sala da apresentação . Foi possível perceber pela fala e pelo corpo dos atores , que o espetáculo estava arrastado . Mas o público (em torno de 40 pessoas ) ,na maioria adulto, gostou. Alguns saíram no meio do espetáculo , pois aconteciam muitos eventos ao mesmo tempo e em curto espaço de tempo , o que impedia de assistir um deles por completo .
Festival da UVA – A organização foi péssima. Não tinha um só responsável , e sim vários dando ordens completamente diferentes dos outros. Não era o lugar apropriado para a Cia. Teatral Nosconosco. O nosso trabalho,a nossa linguagem é bem diferente dos grupos que se apresentaram Nós fizemos um bom espetáculo. Os outros grupos eram muito naturalistas e apelativos . Se via perfeitamente no dia da entrega do prêmio os espetáculos que apareciam no telão não tinham cenário, os figurinos eram roupas do dia a dia e muita “masturbação”. nos palcos .
Conclusão:
O trabalho realizado no ano de 2001 foi sacrificante. Gostaria de no momento estar trabalhando exclusivamente com isso, para poder me entregar no projeto de corpo e alma. Apesar de todo o transtorno, tirei proveito das atividades , que tinham alguns pontos positivos. Foi válido o aprendizado, não só como atriz, mas no exercício de outras funções. Pude descobrir um pouco mais de mim mesma, do meu eu.
Foi um trabalho valioso, pesquisa profunda com muito aprendizado que nos levou, a uma montagem delicada com bastante jogo de atores e com características do autor .
As características que cada ator criou para os personagens do espetáculo foram ricas tendo cada ator aproveitado um pouco dos outros.
Os ensaios como sempre são cansativos, mas ao final se tem o produto satisfatório.
Foram construídos delicados adereços com bastante criatividade.
Divulgação:
Ainda não sei qual é melhor forma de divulgação de um espetáculo. É dinheiro? Conhecimento de pessoas influentes no meio de comunicação? Ou sorte ?! Ao meu ver o trabalho de filipetagem nas escolas não funcionou muito bem. Eu mesma entreguei muito material de divulgação ( filipetas , convites, programas, cartazes ), através de visitas em aproximadamente 50 escolas entre os bairros de Tijuca, Vila Isabel, Grajaú, Rio Comprido, Estácio, Santa Teresa ,São Cristóvão, Laranjeiras e Centro .
O retorno de filipetas é muito pequeno , em média 3% a 6% do total distribuído. Qual será o segredo de um retorno maior ? “Os sonhados 50% ou até 80%.”
Em compensação firmamos acordo com o Colégio Pedro II , unidades Engenho Novo , Tijuca e Humaitá .Essa parceria foi muito boa . O retorno do público(alunos , professores e familiares), foi ótima. No entanto, o resultado poderia ter sido melhor em outras unidades do colégio.
Com essa experiência produtiva , tentei fazer o mesmo acordo com outros colégios, só que não tive o mesmo êxito. Muitos deles colocavam como obstáculos o transporte, o espetáculo ser nos fins de semana e a localização do teatro.
A falta de tempo para fazer a divulgação atrapalha muito. Ainda mais para os bolsistas que fazem várias atividades dentro da Companhia e ainda trabalham e estudam em outras áreas. Apesar disso eu adoro fazer divulgação , conversar com os coordenadores e diretores das escolas. Outra coisa que atrapalha é o transporte, cheguei a fazer várias escolas em lugares distantes em um mesmo dia , enfrentando um sol de 40° na cabeça. O calor era de lascar e eu chegava a me arrastar pela rua.Com o carro e a ajuda de mais uma pessoa é muito mais fácil .Torna o trabalho mais simples.
Fizemos também divulgação na rádio Carioca AM no programa “Vani Fala Geral”. Foi uma nova jogada de marketing . Durante todo o programa (1 hora ) ficamos ao vivo no ar. Pessoas ligavam ,conversavam, e perguntavam curiosidades sobre o espetáculo e os atores. Questões envolvendo problemas com os pais pelo fato de fazer teatro ,se os atores são formados ou freqüentam outras escolas de teatro , como o Tablado e se fazem ou não televisão. Percebemos que a audiência do programa é formada pela classe mais baixa da população. Ao final , sorteamos convites. Será que os ganhadores foram ao teatro? Não há mais como saber.
Outro meio de divulgação que não funcionou muito bem foi o convênio com as empresas. Temos que achar uma maneira para obter um resultado melhor. Mas é errando que se aprende.
Curso de iniciação ao teatro:
Como é bom ajudar outras pessoas que tem vontade de seguir a carreira artística. Pedir concentração , dar dicas de técnicas, ajudar na construção de uma cena , tanto com o corpo como com o texto . Fazendo esse trabalho podemos ver o quanto é difícil dirigir um grupo , um espetáculo.Na maioria das vezes, quando pedimos para fazerem uma coisa , eles fazem outra . Ensaiamos uma cena várias vezes e quando chega a hora de passar o espetáculo corrido fazem tudo diferente. Haja paciência !!!
Oficina de bonecos:
Os objetivos até o momento foram atendidos , quanto à construção dos bonecos . A criatividade aflora. Surgiram muitas boas idéias de caracterização.
Acho apenas que quatro instrutores atrapalha , porque um quer saber mais que o outro , ser melhoro que outro , e isso não é saudável. Da próxima vez temos que repensar o número de instrutores. O ideal é que seja no máximo dois.Dessa forma seriam evitadas pequenas divergências em sala.
Participação em eventos:
SBPC – Poderia ter sido mais organizado e com uma divulgação maior dos eventos. O espetáculo apresentado não foi nada muito bom , até pelo calor que estava na sala da apresentação . Foi possível perceber pela fala e pelo corpo dos atores , que o espetáculo estava arrastado . Mas o público (em torno de 40 pessoas ) ,na maioria adulto, gostou. Alguns saíram no meio do espetáculo , pois aconteciam muitos eventos ao mesmo tempo e em curto espaço de tempo , o que impedia de assistir um deles por completo .
Festival da UVA – A organização foi péssima. Não tinha um só responsável , e sim vários dando ordens completamente diferentes dos outros. Não era o lugar apropriado para a Cia. Teatral Nosconosco. O nosso trabalho,a nossa linguagem é bem diferente dos grupos que se apresentaram Nós fizemos um bom espetáculo. Os outros grupos eram muito naturalistas e apelativos . Se via perfeitamente no dia da entrega do prêmio os espetáculos que apareciam no telão não tinham cenário, os figurinos eram roupas do dia a dia e muita “masturbação”. nos palcos .
Conclusão:
O trabalho realizado no ano de 2001 foi sacrificante. Gostaria de no momento estar trabalhando exclusivamente com isso, para poder me entregar no projeto de corpo e alma. Apesar de todo o transtorno, tirei proveito das atividades , que tinham alguns pontos positivos. Foi válido o aprendizado, não só como atriz, mas no exercício de outras funções. Pude descobrir um pouco mais de mim mesma, do meu eu.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Andréia Bésort /2001
Foi muito interessante e gratificante participar do projeto que adapta textos literários adultos para a linguagem infantil ,ao mesmo tempo em que estreitávamos os laços existentes entre o público e os atores e diretores.
Nossa participação, se deu através da distribuição de malas diretas e entrevistas, feitas por meio de gravadores e câmeras ao nosso público.Esse contato maior foi importantíssimo para conhecermos a opinião e a interpretação que o mesmo possuía sobre os espetáculos e suas respectivas adaptações.
Nosso trabalho foi desenvolvido em três etapas, atingindo a três tipos de público:
A 1° parte do processo foi realizada no Rio de Janeiro, no teatro SESI, no qual encontramos um público mais específico;já que este pagava para estar ali assistindo.
A 2°,foi feita na 9°SBPC ,no estado da Bahia, na cidade de Salvador.Lá o público era mais crítico, já que havia educadores, professores e outros profissionais que lidam com crianças.
Por fim, a 3° etapa foi feita no Museu da República, no qual o público era bastante sortido e não tão específico, pois as pessoas estavam ali apenas a passeio ,além disso foi uma temporada gratuita.
Através de todos esses trabalhos, conseguimos além de uma aproximação maior com o público e uma avaliação melhor de nossas adaptações ,um conhecimento avançado dos “bastidores” do teatro e todo o trabalho que é desenvolvido por trás do palco.Todo o processo que envolve a produção de um espetáculo, desde as adaptações de textos, confecção de figurinos e cenários, até a montagem e apresentação do mesmo.
Nossa participação, se deu através da distribuição de malas diretas e entrevistas, feitas por meio de gravadores e câmeras ao nosso público.Esse contato maior foi importantíssimo para conhecermos a opinião e a interpretação que o mesmo possuía sobre os espetáculos e suas respectivas adaptações.
Nosso trabalho foi desenvolvido em três etapas, atingindo a três tipos de público:
A 1° parte do processo foi realizada no Rio de Janeiro, no teatro SESI, no qual encontramos um público mais específico;já que este pagava para estar ali assistindo.
A 2°,foi feita na 9°SBPC ,no estado da Bahia, na cidade de Salvador.Lá o público era mais crítico, já que havia educadores, professores e outros profissionais que lidam com crianças.
Por fim, a 3° etapa foi feita no Museu da República, no qual o público era bastante sortido e não tão específico, pois as pessoas estavam ali apenas a passeio ,além disso foi uma temporada gratuita.
Através de todos esses trabalhos, conseguimos além de uma aproximação maior com o público e uma avaliação melhor de nossas adaptações ,um conhecimento avançado dos “bastidores” do teatro e todo o trabalho que é desenvolvido por trás do palco.Todo o processo que envolve a produção de um espetáculo, desde as adaptações de textos, confecção de figurinos e cenários, até a montagem e apresentação do mesmo.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Eliane França / 2002
Assim que recebemos a proposta do novo espetáculo da companhia, a aceitei de bom grado. Experimentaríamos algo nunca trabalhado com os atores da NOSCONOSCO e faríamos nosso "primeiro adulto". Embora a proposta do grupo tenha sido sempre a de um teatro para todas as idades.
Apesar da aparente e pequena contradição dessa proposta, achei uma conseqüência quase natural após tantos anos de trabalho. Seria um desafio e como tal, não combinaria com respostas fáceis ou orientações não definidas.
Aceitei de bom grado, pois vislumbrei que ali se aprofundaria mais no ofício do ator e sua pesquisa, corroborando a simples e fantástica frase de Etienne Decroux: "O teatro é a arte do ator.". Esse desejo de se aproximar de trabalhos mais consistentes de técnica de interpretação muito me animou. Meyerhold, Decroux, Grotowski, Lume, Barba. Ou seja, amantes do trabalho do ator. Mergulharíamos nesse universo respaldados nas pesquisas anteriores de grandes mestres.
Fui com gana e vontade, porém não encontrei o espaço aberto para continuar a exploração, já que o ator carece de um olho (quando está se preparando) que o oriente, que aponte caminhos perceptivos e não somente de observador-crítico. Já que dizer que está belo ou horrível não ajuda na busca do ator. O que me remete às palavras de Luis Otavio Burnier: "Trabalhar um ator é, sobretudo e antes de mais nada, preparar seu corpo não para que ele diga, mas para que ele permita dizer. Não mostrar o que ele é, mas revelar o que, por meio dele, se descobre ser.".
O "fim", portanto, não me satisfez. Nunca me senti sem estímulo no fazer teatral. Primeira vez que tive que buscá-lo nas relações de respeito mútuo estabelecido durante anos de parceria e não no trabalho em si. Houve um desânimo visível não só da minha parte. Seria um trabalho visceral e não o sendo , se tornou maçante, castrador. Sem maior desenvolvimento, como se a orientação não nos pudesse levar mais longe. Tanto os mais experientes quanto os menos.
Foi colocado que seria um trabalho de "máscara corporal". Não senti isso. O trabalho de máscara requer um olho de fora que indica caminhos claros e precisos, estimulante, não-castrador. Uma mão que faz mais do que apontar, ela praticamente conduz o que o interior rico do ator tem a colocar pra fora. Obviamente que se dentro não houver coisas muitas, não se poderá muito tirar. Mas uma boa direção de máscaras teatrais sempre sabe tirar o máximo mesmo dentro desse pouco.
O teatro cada vez mais é espaço não de amadores, mas de amantes. Resgatando a etimologia de "amar". Somos amadores por que amamos o que fazemos. Devemos ser profissionais no empenho para sobrevivermos em nosso ofício. Não ganhamos dinheiro, ao contrário, o gastamos para estar ali. Nosso combustível é o prazer. E este andou em falta.
Lembro-me novamente de Decroux que começou sua pesquisa com algo muito simples. Mas nem por isso menos profundo. Ele sempre dizia aos seus alunos para não buscarem a originalidade. Querer ser diferente ou original, achar tudo que está aí "mesmice" não nos leva muito longe. Ser um bom pai, por exemplo, não é uma idéia original. Mas tentar sê-lo exige um esforço enorme. Não sacrificante, não desatrelado ao prazer. Mas exigente.
Na minha estada na companhia jamais me senti fazendo "mesmice". Esse nosso passeio por algo que se pretendia "original" me faz lembrar a viagem dos pássaros que saem de onde estão para se encontrarem justamente no mesmo lugar: dentro deles. Exemplos não faltam dessa estória: O ALQUIMISTA de Paulo Coelho, um simples parágrafo de Clarice Lispector em LEGIÃO ESTRANGEIRA resume esse conto, O PÁSSARO AZUL procurado por Shirley Temple é o que mora em seu jardim e para ser bem atual o ponto de chegada de O CÓDIGO DA VINCI é o ponto de partida. Minha sensação é que nos juntamos a uma legião: saímos, pesquisamos, para descobrir que já tínhamos algo bem original.
Apesar da aparente e pequena contradição dessa proposta, achei uma conseqüência quase natural após tantos anos de trabalho. Seria um desafio e como tal, não combinaria com respostas fáceis ou orientações não definidas.
Aceitei de bom grado, pois vislumbrei que ali se aprofundaria mais no ofício do ator e sua pesquisa, corroborando a simples e fantástica frase de Etienne Decroux: "O teatro é a arte do ator.". Esse desejo de se aproximar de trabalhos mais consistentes de técnica de interpretação muito me animou. Meyerhold, Decroux, Grotowski, Lume, Barba. Ou seja, amantes do trabalho do ator. Mergulharíamos nesse universo respaldados nas pesquisas anteriores de grandes mestres.
Fui com gana e vontade, porém não encontrei o espaço aberto para continuar a exploração, já que o ator carece de um olho (quando está se preparando) que o oriente, que aponte caminhos perceptivos e não somente de observador-crítico. Já que dizer que está belo ou horrível não ajuda na busca do ator. O que me remete às palavras de Luis Otavio Burnier: "Trabalhar um ator é, sobretudo e antes de mais nada, preparar seu corpo não para que ele diga, mas para que ele permita dizer. Não mostrar o que ele é, mas revelar o que, por meio dele, se descobre ser.".
O "fim", portanto, não me satisfez. Nunca me senti sem estímulo no fazer teatral. Primeira vez que tive que buscá-lo nas relações de respeito mútuo estabelecido durante anos de parceria e não no trabalho em si. Houve um desânimo visível não só da minha parte. Seria um trabalho visceral e não o sendo , se tornou maçante, castrador. Sem maior desenvolvimento, como se a orientação não nos pudesse levar mais longe. Tanto os mais experientes quanto os menos.
Foi colocado que seria um trabalho de "máscara corporal". Não senti isso. O trabalho de máscara requer um olho de fora que indica caminhos claros e precisos, estimulante, não-castrador. Uma mão que faz mais do que apontar, ela praticamente conduz o que o interior rico do ator tem a colocar pra fora. Obviamente que se dentro não houver coisas muitas, não se poderá muito tirar. Mas uma boa direção de máscaras teatrais sempre sabe tirar o máximo mesmo dentro desse pouco.
O teatro cada vez mais é espaço não de amadores, mas de amantes. Resgatando a etimologia de "amar". Somos amadores por que amamos o que fazemos. Devemos ser profissionais no empenho para sobrevivermos em nosso ofício. Não ganhamos dinheiro, ao contrário, o gastamos para estar ali. Nosso combustível é o prazer. E este andou em falta.
Lembro-me novamente de Decroux que começou sua pesquisa com algo muito simples. Mas nem por isso menos profundo. Ele sempre dizia aos seus alunos para não buscarem a originalidade. Querer ser diferente ou original, achar tudo que está aí "mesmice" não nos leva muito longe. Ser um bom pai, por exemplo, não é uma idéia original. Mas tentar sê-lo exige um esforço enorme. Não sacrificante, não desatrelado ao prazer. Mas exigente.
Na minha estada na companhia jamais me senti fazendo "mesmice". Esse nosso passeio por algo que se pretendia "original" me faz lembrar a viagem dos pássaros que saem de onde estão para se encontrarem justamente no mesmo lugar: dentro deles. Exemplos não faltam dessa estória: O ALQUIMISTA de Paulo Coelho, um simples parágrafo de Clarice Lispector em LEGIÃO ESTRANGEIRA resume esse conto, O PÁSSARO AZUL procurado por Shirley Temple é o que mora em seu jardim e para ser bem atual o ponto de chegada de O CÓDIGO DA VINCI é o ponto de partida. Minha sensação é que nos juntamos a uma legião: saímos, pesquisamos, para descobrir que já tínhamos algo bem original.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Bruno Bessa / 2001
O Processo de Pesquisa e A Construção do Espetáculo “As Artimanhas de Molière”
A atividade experimental realizada nos diversos campos da atividade cênica teve como objetivo, preliminarmente, fazer a leitura objetiva e aprofundada da obra de Molière, ressaltando seus aspectos históricos, políticos e sociais, a fim de preservar todo o conteúdo crítico e o potencial satírico de sua dramaturgia.
Toda a pesquisa teórica dos textos de Molière e a busca das circunstâncias históricas que constituíram o arcabouço fático e moral de sua obra foram fundamentais para o trabalho de adaptação e encenação do espetáculo, na medida que permitiram uma releitura revestida de máxima fidelidade à essência de sua comédia.
Com efeito, desenvolveu-se o aprofundamento de questões relacionadas à comicidade e ao riso, a partir de trabalho teórico e prático, aliando a técnica clownesca de ampliação da realidade em situações irônicas e sarcásticas e a técnica corporal desenvolvida com base na teoria da Antropologia Teatral, direcionada para o alcance da presença e do domínio do espaço cênico; através de exercícios envolvendo equilíbrio precário, movimentos extra-cotidianos e precisão gestual.
Esse trabalho integrado permitiu a construção de personagens e de cenas, tendo em mente o direcionamento do processo para a linguagem infantil, incorporando às situações dramáticas, ações e reações facilmente identificáveis pelo imaginário da criança.
Isso ficou plenamente perceptível na resposta do público infantil, durante as apresentações do espetáculo, que puderam alcançar todo o potencial cômico do texto escrito e não escrito, reagindo ativamente às situações, demonstrando além do interesse no que era assistido, sensações antevistas em diversas ações, tais como riso, satisfação, aversão e compaixão.
Paralelamente, pretendeu-se desenvolver o lado criativo e artístico dos atores/aderecistas na confecção de adereços que recriassem os arquétipos presentes no teatro de Molière.
Para tal, foi utilizado materiais alternativos e reciclados na confecção de adereços cênicos, tais como máscaras representativas dos Comediantes do Rei do século XVII; chapéus, bolsas, sapatos e acessórios das personagens de época; malas detalhadamente construídas, representativas das características pessoais e da trajetória de trabalho de cada ator; tecidos pintados a mão para a feitura de capas; candelabros de madeira; velas e baús utilizados na encenação; além do adereçamento dos próprios figurinos concebidos.
Essa experiência complementar à encenação do espetáculo propiciou a consolidação do suporte estético do texto, além de ser de suma importância para o alcance do objetivo principal do projeto na adaptação da dramaturgia adulta para a linguagem infantil, pois esta se compõe não só pelo texto escrito, mas por toda composição audiovisual que lhe anima.
Os resultados obtidos em relação à construção do espetáculo “As Artimanhas de Molière” foram, portanto, plenamente satisfatórios, tendo sido alcançados os objetivos propostos pelo Projeto de Extensão, não só ao que se refere à perfeita adequação da dramaturgia clássica à linguagem infantil, perceptível principalmente pela resposta do público no momento da realização do espetáculo; pelos depoimentos apreendidos mediante registros fonográficos; e pelos trabalhos de avaliação posteriormente realizados com os alunos do Colégio de Aplicação da UERJ.
Ressalta-se, assim, que o projeto tem conteúdo interdisciplinar, abarcando as áreas de Artes, História, Comunicação, direcionadas à educação e ao ensino. Além disso, a composição da equipe inclui duas atrizes formadas pela UniRio e uma aluna da Universidade Federal Fluminense, o que evidencia a integração entre universidades.
A atividade experimental realizada nos diversos campos da atividade cênica teve como objetivo, preliminarmente, fazer a leitura objetiva e aprofundada da obra de Molière, ressaltando seus aspectos históricos, políticos e sociais, a fim de preservar todo o conteúdo crítico e o potencial satírico de sua dramaturgia.
Toda a pesquisa teórica dos textos de Molière e a busca das circunstâncias históricas que constituíram o arcabouço fático e moral de sua obra foram fundamentais para o trabalho de adaptação e encenação do espetáculo, na medida que permitiram uma releitura revestida de máxima fidelidade à essência de sua comédia.
Com efeito, desenvolveu-se o aprofundamento de questões relacionadas à comicidade e ao riso, a partir de trabalho teórico e prático, aliando a técnica clownesca de ampliação da realidade em situações irônicas e sarcásticas e a técnica corporal desenvolvida com base na teoria da Antropologia Teatral, direcionada para o alcance da presença e do domínio do espaço cênico; através de exercícios envolvendo equilíbrio precário, movimentos extra-cotidianos e precisão gestual.
Esse trabalho integrado permitiu a construção de personagens e de cenas, tendo em mente o direcionamento do processo para a linguagem infantil, incorporando às situações dramáticas, ações e reações facilmente identificáveis pelo imaginário da criança.
Isso ficou plenamente perceptível na resposta do público infantil, durante as apresentações do espetáculo, que puderam alcançar todo o potencial cômico do texto escrito e não escrito, reagindo ativamente às situações, demonstrando além do interesse no que era assistido, sensações antevistas em diversas ações, tais como riso, satisfação, aversão e compaixão.
Paralelamente, pretendeu-se desenvolver o lado criativo e artístico dos atores/aderecistas na confecção de adereços que recriassem os arquétipos presentes no teatro de Molière.
Para tal, foi utilizado materiais alternativos e reciclados na confecção de adereços cênicos, tais como máscaras representativas dos Comediantes do Rei do século XVII; chapéus, bolsas, sapatos e acessórios das personagens de época; malas detalhadamente construídas, representativas das características pessoais e da trajetória de trabalho de cada ator; tecidos pintados a mão para a feitura de capas; candelabros de madeira; velas e baús utilizados na encenação; além do adereçamento dos próprios figurinos concebidos.
Essa experiência complementar à encenação do espetáculo propiciou a consolidação do suporte estético do texto, além de ser de suma importância para o alcance do objetivo principal do projeto na adaptação da dramaturgia adulta para a linguagem infantil, pois esta se compõe não só pelo texto escrito, mas por toda composição audiovisual que lhe anima.
Os resultados obtidos em relação à construção do espetáculo “As Artimanhas de Molière” foram, portanto, plenamente satisfatórios, tendo sido alcançados os objetivos propostos pelo Projeto de Extensão, não só ao que se refere à perfeita adequação da dramaturgia clássica à linguagem infantil, perceptível principalmente pela resposta do público no momento da realização do espetáculo; pelos depoimentos apreendidos mediante registros fonográficos; e pelos trabalhos de avaliação posteriormente realizados com os alunos do Colégio de Aplicação da UERJ.
Ressalta-se, assim, que o projeto tem conteúdo interdisciplinar, abarcando as áreas de Artes, História, Comunicação, direcionadas à educação e ao ensino. Além disso, a composição da equipe inclui duas atrizes formadas pela UniRio e uma aluna da Universidade Federal Fluminense, o que evidencia a integração entre universidades.
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