quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Victor Ribeiro / 2012
06/02/2012
Sendo o primeiro encontro de 2012, sinto-me mais à vontade para (re)começar a escrever os relatórios, que tanto nos foram cobrados no ano passado, e tanto foram negligenciados por mim e pelos meus colegas.
Nosso ano, foi observado, parece ter “começado mal”. Muitos atrasos (meu, inclusive), uma ausência, a princípio injustificada.
Logo no início da reunião, recebemos a notícia de que a Juliana deixaria o grupo. Foi apontado pela Célia, após a partida da Ju, que esta realmente parecia se afastar gradualmente do teatro, desde o processo de máscara, momento que coincidiu com sua entrada na universidade rural.
Foram postos na mesa os planos do ano. Tendo recebido o edital FAPERJ, montaremos a peça de Commedia dell’Arte. Diferentemente da nossa primeira tentativa, dessa vez tentaremos nos munir de material teórico o suficiente, porque “para fazer commedia dell’arte, é preciso amar a commedia del’arte”, palavras da própria Célia. Para tanto, recebemos uma parte do livro A loucura de Isabella, de Flaminio Scala, e começamos sua leitura.
Não quero me estender sobre esse assunto no momento, mas houve passagens que me chamaram a atenção e que valem a pena ser mencionadas. Destaco a que diz que a máscara é uma forma de encontrar uma falsidade que parece mais expressiva do que a realidade - o que achei bonito de ler; a que afirma que muito do que se compreende da commedia hoje em dia mitifica em demasia o que parece ter sido, de fato, esse tipo de teatro; e, evidentemente, a passagem que nos mostra que o nome commedia dell’arte, ao contrário do que eu pensava, não tem nenhum sentido estético, e sim prático: arte, em italiano antigo, designa ofício, sendo os grupos desse tipo de teatro - se é que posso dizer isso, visto que essa denominação vem depois do surgimento do fenômeno - os primeiros a fazer do teatro profissão.
Voltando ao planejamento do ano, daremos prosseguimento (já na próxima reunião) ao trabalho de clown. Ele parece ter sido posto em segundo plano pela Célia, que parece mais empolgada com o projeto da commedia. Mas vamos terminá-lo, sim, até para termos uma experiência mais concreta em montagem antes de atacar as Venturas e desventuras da bela Isabella.
Comentários e leituras feitos, aquecemos o corpo e começamos os exercícios que tanto nos faziam falta - ao menos a mim. Fizemos um aquecimento individual (para o qual eu quis trazer os movimentos da aula experimental de dança contemporânea que fizera semanas antes, e que me ajudaram) e abrimos os canais do corpo, segundo a técnica oriental. Então, começamos os trabalhos corporais mais, digamos, pesados.
Destaco aqui que, se a Luiza posteriormente afirmou que imaginava que voltaria pior do que realmente voltara, meu caso foi seu inverso: eu achava que voltaria bem melhor. Cansei-me em demasia, tanto que passei mal e acabei tendo que me ausentar por ter sentido um forte enjoo.
Nossos exercícios consistiram em: andar em roda, com cada um propondo um caminhar diferente, a ser copiado pelos outros. Houve formas que me pareceram interessantes (dentre as quais destaco a da Luiza, a do Lucas e a do Saulo).
Depois, fizemos um exercício de diagonal, semelhante ao primeiro, mas que, agora, deveria incluir um salto. Como venho tentado há muito tempo, tentei esvaziar o máximo a cabeça para não racionalizar demais o momento de propor o movimento. Penso que consegui algo nesse sentido, mas senti que ele se assemelhava (demais para o que eu gostaria) ao primeiro, no sentido de deixar determinadas partes do corpo tensas. Tenho tentado sabotar-me nesse aspecto, e espero conseguir, propondo formas que não sejam óbvias para mim.
Foi nesse momento que passei mal. Acabei saindo e não peguei as últimas formas. Lembro-me de ter achado muitas das propostas muito cotidianas, como se estivéssemos desconcentrados. Para um primeiro dia, talvez isso seja esperado.
Tendo em vista o cansaço geral, a Célia decidiu fazer um exercício ainda de proposta, mas mais leve. Em roda, de frente para o grupo, cada um proporia um movimento leve, “de descanso”, para ser copiado.
O último exercício era o de tentarmos bater palma juntos. Ficamos um minuto inteiro sem propor nada, o que me angustiou de certa forma. Era como se todos nós tivéssemos receio de alguma coisa, medo de, não sei, tomar a iniciativa. A “energia” - foi esse o nome dado - não circulou, de modo que não houve palmas: só silêncio e um grande cansaço.
Ao fim, ouvimos as amenidades (a conquista do DRT definitivo do Lucas) e partimos, com a promessa de que leríamos alguma coisa do texto-base para o próximo encontro, e de que nos comprometeríamos a começar a procura do material de commedia dell’arte. Temo que não seja capaz de achar algo interessante, haja vista todos os meus compromissos paralelos ao grupo, mas penso que não devo preocupar-me por antecipação: dar-se-á um jeito.
08/02/2012
Começamos com dez minutos de atraso, o que foi até comemorado, visto que nossos últimos encontros chegavam a ter demoras de meia hora para começarem.
Depois da conversa inicial, e de saber o planejamento do dia, fizemos um aquecimento rápido, incluindo abertura dos canais (com adição de um novo exercício de controle da força abdominal) e um pouco do exercício cabeça-ombro-coluna-bunda, especialmente um dos meus preferidos.
Pusemos o nariz de palhaço. Queria deixar registrado aqui o quanto eu senti falta disso. Demorei um pouco para conseguir vestir a máscara, talvez um pouco com receio de não conseguir reviver o meu clown. Acho que consegui.
O que sinto, ao pôr o nariz, é algo como uma alegria tão grande, uma espécie de liberdade. Se, normalmente, tenho medo de parecer estúpido, o nariz de palhaço é o momento de deixar fluir toda minha imbecilidade acumulada. Não queria fazer do teatro terapia, mas penso que é difícil quando tratamos de algo tão íntimo quanto nossas fragilidades e medos. Parece-me que, cada vez que estou com o nariz, a frase que lemos uma vez sobre ele se mostra cada vez mais forte: é a menor máscara do mundo, de fato, mas ao mesmo tempo a que mais revela.
Imagino que, quando me permiti ser idiota (algo a que todos se negam na vida dita real), obtive uma mudança significativa na minha relação com o meu palhaço. Sinto que, talvez, o que tenha me feito falta seja essa liberdade.
E foi com essa liberdade que me diverti no ensaio de hoje. A ideia era percorrermos toda a peça, até onde tínhamos material. Como sempre, não conseguimos isso, devido às inúmeras paradas.
Elas aconteciam porque a ideia da Célia era diminuirmos a quantidade de movimento. Concordo com ela nesse aspecto. Os melhores clowns que vi, até então, eram aqueles que executavam ações precisas.
Com isso na cabeça, passamos as cenas da chegada até o final do carro.
13/02/2012
Começamos hoje sem maiores atrasos, a não ser o do Saulo. Nosso dia foi de aquecimento forte, com direito a quase todos os exercícios corporais a que estávamos acostumados, com inclusão de um novo que não consegui fazer - o que não me preocupa de fato: ninguém consegue fazê-lo de primeira. Trata-se do exercício de controlar a descida pelo umbigo.
Vestimos o nariz depois do cabeça-ombro-coluna-bunda.
Por algum motivo, me senti muito mais disperso do que os últimos encontros. Penso que por estar com a cabeça cheia, acabei não conseguindo me concentrar nos ensaios - um pouco mais no aquecimento, mas nosso trabalho não é aquecer.
Mesmo assim, participei das cenas. Começamos do ônibus, onde tentamos inserir sem sucesso a sugestão que eu dera no último encontro. Depois de repetir várias vezes a saída depois do acidente, fizemos a entrada dos meninos para a mudança de roupa. Evidentemente isso ficou prejudicado por não termos nem o figurino, nem a música de base.
Já nessas cenas eu me sentia disperso, mas consegui resolver (principalmente por não ser exatamente o foco da ação). Meu problema, creio eu, ficou mais forte na cena seguinte, a do suicídio.
Não gostei muito do nosso resultado, mas acho que isso se resolverá no próximo encontro, quando teremos um final definido.
Tivemos também uma pequena discussão acerca da atitude da Fernanda, que viajou para a Bahia hoje (segunda), e não estará conosco na quarta.
O fato nos suscitou um questionamento sobre a postura que temos em relação ao grupo, que envolve nossas prioridades e o compromisso que assumimos com o teatro. É certo que já não é novidade para nenhum de nós que o teatro, para quase todos ali, não é nosso principal meio de subsistência. Não vivemos dele: no máximo vivemos com ele, o quanto podemos.
Abdicamos de muitas coisas para estarmos ali, agora duas vezes por semana. É desconfortável saber que o trabalho que temos...
Aline Deyques / 2011 - 2012
“Clowns
Bailarinos”
Quando
comecei a fazer teatro e pensar em ser uma atriz (ou pelo menos uma tentativa
de ser...) nunca tinha me passado pela cabeça em ser uma clown.
Eu
assumo que tenho muita dificuldade em estar com uma máscara... é um tanto
difícil para mim, mas tento superar essa dificuldade e quanto a construção da
peça “Os clowns Bailarinos” isso em muitos momentos se
torna evidente. Porém de certa forma tentei fazer o melhor. Por não ter feito
um diário e por já ter se passado um período longo das construções das cenas,
no momento não tenho muitas lembranças de como foram feitas e o que me
acrescentava cada dia, mas o que me recordo muito bem é que quando comecei eu
era uma “clown” extremamente insegura e medrosa e hoje posso dizer que já
amadureci um pouco, mas ainda não muito...ainda continuo a insegura e medrosa
de sempre. Mas claro que muitos momentos servirão para eu melhorar entre eles
estão os momentos junto com os meus colegas de teatro, que a cada final de
ensaio, quando eu saia me sentindo a pior do mundo, me incentivava e dizia para
eu continuar, as nossas apresentações em especial a apresentação feita no
projeto escola em 2012, que no final as crianças vieram nos abraçar, falar com
a gente e passar uma energia boa daquele sobre o trabalho que fizemos foi muito
bonito e também a apresentação em Congonhas, que por todas as dificuldades que
tivemos, como grupo, conseguimos enfrentar tudo isso e subirmos ao palco e logo
após a apresentação ainda sermos elogiados pelo jurados.
Todas
essas experiências serviram de crescimento para mim e sinto que para todo o
grupo. Infelizmente como disse não tenho
muitas lembranças sobre as construções, mas o que me marcou está ai e essa
experiência para mim foi de grande importância para os outros trabalhos que
estamos realizando.
Victor Ribeiro / 2011
Relatório das atividades do dia 23/02
Nosso
encontro, diferente dos outros, começou pela confecção das máscaras. Pauline e
eu, bolsistas do programa, chegamos muito mais cedo do que os outros para nosso
trabalho, e vimos que todas as bexigas haviam murchado, deixando apenas os
moldes de jornal. No entanto, isto não atrapalhou em nada o processo, uma vez
que todos haviam feito pelo menos uma camada de jornal, podendo continuar
trabalhando sobre ela sem o menor problema. Evidentemente, havia máscaras um
pouco mais rígidas que as outras: uns haviam conseguido fazer mais camadas do
que outros.
Alguns de
nós, cujos balões haviam estourado na semana anterior, trouxeram seus moldes de
casa, e puderam já começar a inserir detalhes nas máscaras, tais como narizes e
boca. O restante de nós, eu inclusive, preferiu reforçar as camadas – em certos
casos, bastava ver as máscaras contra a luz que se evidenciava a pobreza de
jornal em algumas partes, o que poderia prejudicar a rigidez do objeto.
Passado
isso, nos dedicamos à leitura do texto da semana: “A Commedia Dell’Arte no
Studio de Meyerhold: um trabalho sobre o corpo”, de Beatrice Picon-Vallin. Sem
nenhum comentário precedente, começamos a leitura.
A primeira
parada significante que fizemos foi no trecho em que um aluno do Studio afirma
que “o propósito [do trabalho] era ‘partir da Commedia dell’Arte, não de voltar
a ela’”. Foi-nos interessante reparar como essa posição é recorrente nos
trabalhos com Commedia dell’Arte, uma vez que este não era o primeiro texto em
que figurava uma afirmação desse tipo. A grande vontade, então, dos grupos de
teatro, assim como a nossa, era e é a de tomar este ou aquele elemento da
Commedia para construir uma determinada pratica teatral mais voltada para o
trabalho de corpo. Até porque, e isto também fez parte de nossa discussão, não
se sabe até onde conseguiríamos recuperar a Commedia dell’Arte original,
sobretudo porque ela corresponderia muito especificamente a uma certa época,
com personagens-tipo de uma certa região (no caso, a Itália). Porém, a pergunta
continua: por que nenhum grupo “se atreve” a retomar a Commedia dell’Arte?
Lembramo-nos
ainda da experiência do grupo Moitará, que a partir da Commedia dell’Arte,
construiu em um espetáculo o que se poderia chamar de uma “Comédia da Arte’: se
aproveitou de tipos característicos do Brasil para confeccionar máscaras”.
No texto de
Picon-Vallin, sentimos uma enorme de dificuldade de compreender certas
passagens, principalmente devido à nossa ignorância acerca dos autores russos
mencionados. Por exemplo, há um trecho em que a autora fala da vontade do
Studio de Meyerhold de despertar o “teatro amnésico”, ou mesmo as inúmeras
referências feitas pela autora à revista “O amor das três laranjas”, da qual
nunca tínhamos nem mesmo ouvido falar, não sabendo portanto nem mesmo do que
tratava. Nem mesmo os tópicos enumerados por Meyerhold sobre os princípios que
definem o jogo e a composição cênica fizeram muito sentido para mim. Atribuo
isso a nunca ter visto em teatro nada que se assemelhasse a essa prática.
Mas nossa
discussão mais acalorada, por assim dizer, não se deu no campo do texto de
Picon-Vallin. Se houve um dia em que
mais conversamos e discutimos algo, dentro daquele grupo de 16 pessoas,
definitivamente foi este. O que fizemos desta vez foi menos uma discussão sobre
o teatro em si, e mais sobre a nossa própria condição de grupo teatral.
Isso começou
com um comentário feito por nossa diretora, em que ela se alegrava por ter,
depois de pelo menos 10 anos, um grupo que “retornava inteiro das férias”, isto
é, que não desistia no meio do caminho. A partir disso, ela disse se animar a
construir algo, mesmo sabendo que nosso grupo estava ali “só de passagem”. O
que ela quis dizer, na verdade, foi que tinha claro em sua cabeça que todos ali
tinham outras prioridades que não o teatro e, bastava que uma delas se
apertasse para que o teatro saísse prejudicado.
Falamos
então do quanto o “sair do grupo” era danoso a qualquer tipo de trabalho e
rememoramos alguns casos ocorridos no passado, em que alguns componentes
deixaram o grupo em meio a processos importantes. A discussão que se deu a
partir daí foi a seguinte: o que é se comprometer com um grupo? Afinal, houve
casos em que os componentes que saíram afirmaram que queriam apenas
“experimentar uma temporada” ou “experimentar um festival”, sem necessariamente
se importar com todo o processo – ou seja: assim que passar a experiência
desejada, abandonar o grupo, não importando o quanto a peça precisasse ser
reapresentada.
Disso,
pulamos para o problema das substituições no teatro em que fazíamos em nosso
grupo. Segundo a diretora, cada personagem é construído de forma a se adaptar
ao ator que o faz (apesar do contrário também ocorrer), de modo que as
substituições acabam por ser falhas: não funcionam tão bem quanto com os atores
originais.
Lucas nos
lembrou, num certo momento, o quão angustiante é para um ator (e mais ainda
para um não-ator) passar mais tempo em processo de montagem de uma peça do que
efetivamente fazendo a peça. É claro para nós, no entanto, que para produzirmos
algo de qualidade, era necessário um longo tempo de preparo e montagem – como
foi o caso da peça Karavançarai, interpretada pela companhia anos atrás, em que
foram 2 anos de preparo para apenas duas apresentações (belíssimas, segundo
aqueles dentre nós que as assistiram), novamente devido a desistências.
A conclusão
a que chego, no fim, é que o que se tem a fazer é estabelecer um certo contrato
com o teatro. Se começamos um processo de montagem, se aceitamos o desafio, é
preciso que fiquemos nele até o final, principalmente quando sabemos os
problemas que desistências desse tipo acarretam. Eu, pelo menos, já tomei minha
decisão quanto a isso.
Ludo Lopes / 2010 à 2012
Oficina de Máscara de Clown
Desde o primeiro momento em que ficamos sabendo faríamos a oficina de
máscara de clown, fiquei super animado e contando os dias para o início. Isso
não é algo para surpreender aqueles que me conhecem desde a infância. Não
mesmo! Sempre gostei da figura do palhaço, sempre gostei das brincadeiras do
palhaço, sempre fui apaixonado por esses bufões. Me lembro até hoje de uma
festa de aniversário feita pra mim com o tema palhaço e mais ainda de uma
fantasia de carnaval elaborada por minha mãe – um macacão com aquele
quadriculado peculiar do Arlequim, nas cores branca, azul e amarela; com
pompons pendurados do peito ao umbigo e nos sapatos; um babado no pescoço um
chapéu coco azul e o rosto maquiado. Enfim, o palhaço sempre foi uma figura
presente e adorada em minha vida.
Quando iniciamos os exercícios da oficina, não senti muita facilidade
em usar o nariz, fisicamente falando – não conseguia respirar bem. Mas, foi
tranquilo. Pra mim o maior problema foi outro: quando punha o nariz, percebia
que naquele momento não podia mostrar o eu que costumo apresentar no dia-a-dia,
no cotidiano. Percebia nitidamente que deveria mostrar justamente o eu que
costumava tentar esconder, mas que estava sempre lá. Mostrar minhas
imperfeições e meu ridículo! Como isso me era muito custoso, tentava dar vida
ao nariz vermelho com “gracinhas” e, é claro, nunca funcionava.
Os dias de oficina foram se passando e aos poucos fui deixando a
máscara diária cair pra dar lugar à menor máscara, porem mais complicada de
usar, a máscara de clown, o nariz de palhaço. Fui ficando cada vez mais
evidente, mais “nu”. Sim, pois quando acentuamos nossos características que
tentamos esconder, nos mostramos como somos de verdade. É certo que o clown
expande, exagera, repete o que em nós faz os outros sorrirem, porém é sempre a
nossa essência que é evidenciada no trabalho clownesco.
Não sei se estou certo, mas tive a impressão de que fui o mais animado
com a montagem do clown. Tive um grande cuidado na escolha do figurino. Pensei
em cada detalhe e fiz algumas ligações à minha fantasia de infância: o
quadriculado da minha calça não é o mesmo, mas está lá, o chapéu coco azul é
idêntico ao que usei aos 4 anos. Desenhei o figurino antecipadamente para
passar alguns dias procurando aquilo que me veio à mente. Adoro o meu figurino,
acho que ele combina perfeitamente com o Pimenta (nome que dei ao meu palhaço
ao lembrar de outra história da minha infância, o dia em que confundi pimenta
com pitanga e enfiei uma na boca – risos).
Minha maquiagem, embora eu tivesse ideia do que eu queria fazer, foi
feita de supetão. Como todos sabem tenho uma memória podre e, no dia de criar
minha maquiagem, que foi em uma incursão no CAp UERJ, uma de nossas atividades
para fechar a oficina, deixei o espelho em casa. Só pra variar! Como havia
poucos espelhos, tive que me maquiar quase que intuitivamente e, óbvio, não
ficou muito bem como eu queria. Primeiro que ficou forte demais e eu queria uma
maquiagem mais leve e, segundo, fiz um retângulo nas bochechas, quando na
verdade queria um triângulo. Mas o dia com as crianças e os adolescentes foi
ótimo! Tive uma receptividade muito grande e percebi que o Pimenta funcionava.
O mais legal foi perceber que além de funcionar, eu consegui segurar o estado
clownesco o que é muito difícil.
Nossa segunda atividade para fechar este ciclo foi um “Palhaço Oculto”
em um restaurante. Nossa! Foi espetacular perceber como o palhaço encanta não
só as crianças e os adolescentes, mas também os adultos. Estes voltavam a ser
criança quando conversavam com um de nós. Viramos uma atração do dia no
restaurante. Quem tirou o Pimenta foi o Sinésio, palhaço vivido pelo ator Lucas
Matos e que admiro aos montes! Isso me deixou muito contente! O presente para o
Pimenta não poderia ser outro: SAL, muito sal para temperar. Tinha sal
refinado, grosso, saleiros antigos e até sal líquido! Muito original. Adorei!
Ainda há muito que se crescer em meu trabalho de clown, mas fico muito
contente sempre que dou lugar para o Pimenta! Vejo que do início do trabalho
pra cá, já tive muito crescimento e, assim, percebo que o Pimenta, longe de ser
um personagem, uma figura acabada, pronta, ele é uma parte de mim que
juntamente comigo vai se transformando com o passar do tempo e da minha
história.
Processo de montagem do
espetáculo “Os Clowns Bailarinos”
O trabalho de clown me dá muito prazer! Por esta razão achei que seria
fácil uma montagem de espetáculo clownesco. Me enganei profundamente! As
dificuldades são outras, mas existem. E como existem!
Tá certo que o meu clown, o Pimenta, torna minha péssima memória em
evidência ainda maior, embora goste de mandar. Isso faz com que ele seja um
líder retardado e desastrado. Até aí, tudo bem. O pior foi se deparar com o
fato de que o espetáculo de clown, como qualquer outro, é marcado. E pra
entender a necessidade de controlar o “retardamento” do pimenta e lembrar as
coisas todas que eu tinha de fazer durante o espetáculo? Mas esse não era um
problema só meu. Quase todos nós nos deparamos com essa novidade, exceto o
Lucas que já havia vivido uma experiência de montagem de espetáculo de clown.
Como o espetáculo fala de um grupo de clowns bailarinos montando uma
apresentação de “O Lago dos Cisnes”, algumas cenas foram de dança e uma delas
me ajudou nesse processo de controlar o Pimenta e não ser controlado. A cena do
Pas de quatre me ajudou a entender isso perfeitamente, pois se não controlasse
o Pimenta, não iria ser possível marcá-la. É uma cena de coreografia.
Bom, o espetáculo tinha que sair, então tivemos de entender como fazer
isso na prática. E conseguimos, alguns mais que os outros, mas o espetáculo
saiu e ficou muito bonito! Ao final, tínhamos um espetáculo engraçado, gracioso
e com qualidade estética. “Os Clowns Bailarinos” é um bom espetáculo,
principalmente por chegar e tocar a criança sem pieguices. Por esta mesma razão
encanta adultos de todas as idades.
Fiquei muito feliz quando a Célia nos comunicou que havíamos sido
aceitos no PROFEST para defender o espetáculo “Os Clowns Bailarinos”.
Tivemos que preparar tudo como se o espetáculo já estivesse pronto,
embora ainda não tínhamos marcado quase
um terço do espetáculo. Foi uma correria só, mas como a gente, da Nósconosco,
sempre diz “a Célia sempre dá um jeito”. Ela conseguiu finalizar as marcações
do espetáculo a tempo. Mas, é claro que a cena final ficou pra decidirmos no
teatro, em Congonhas do Campo. Se isso não acontecesse, não seria a Célia nossa
diretora. Não é por incapacidade dela. Ela sempre pensa em várias maneiras, mas
todas dependem de uma série de possibilidades.
Nos dias que antecederam nossa viagem, a Célia achou melhor reservarmos
hotel pra Companhia. Fizemos isso. Alugamos um ônibus muito bom. Nem acho que
era tão necessário assim, apesar de ter adorado o conforto por ele
proporcionado. Minas não é tão longe assim! Separamos todo o material utilizado
no espetáculo e fiquei impressionado com a quantidade de adereços, objetos e
figurinos que o espetáculo produziu! Parecia pouca coisa, porém quando tudo
ficou aglomerado pudemos perceber o volume que fazia.
Ao chegar em Congonhas percebemos o quão pequena era a cidade. Era uma cidadezinha
organizada, mas as ruas eram muito estreitas e começamos a ter problemas assim
que chegamos. Além da estreiteza das ruas, havia uma obra bem no centro do
lugar e nosso ônibus não poderia nos levar até o hotel, nos deixando com todo
aquele volume de material cênico há umas três ou quatro quadras do hotel. Isso
se soma ao fato que chegamos lá com um tempo maior do que esperávamos e ainda
ao fato de que iríamos nos apresentar naquela mesma tarde. Só tínhamos umas
duas horas pra levarmos o material para o teatro, voltar no hotel pra fazer o
check-in no hotel, despejarmos as malas nos quartos, e irmos para o teatro pra
conhecermos o espaço do palco e prepararmos as coisas. Descobrimos que a
programação estava atrasada e que não teríamos tempo para ensaiar. Sendo assim,
pode se fazer a pergunta “e a comida, quando entra na história?”. Não, não
tinha tempo pra isso! Entramos no palco sem se alimentar, mas conseguimos fazer
o que podia ser feito, dadas as condições: O espaço não era o esperado, o som
deu problema e a iluminação teve que ser improvisada, já que não tivemos tempo
pra preparar a nossa.
Assim que terminou o espetáculo, tivemos uma conversa com os jurados do
festival. Estávamos apreensivos com o que iríamos ouvir, mas sabíamos que não
tinha sido nosso melhor dia. Eles fizeram muitas críticas, umas boas e outras
ruins. Falaram que faltou triangulação na comunicação entre os clowns e a
plateia, disse que em alguns momentos passamos da medida na graciosidade,
enfraquecendo a graça do clown, entre outras coisas. Ficamos um pouco tristes,
mas sabíamos que tínhamos esses problemas. Mas pra mim, repito, falo isso por
mim, tudo isso foi menor do que o que eles disseram de bom. Entre outras
coisas, falaram da nossa capacidade de manter o estado clownesco durante todo o
espetáculo e da evidente pesquisa feita para que o espetáculo fosse montado.
Voltamos para o hotel exaustos, mas tive a nítida sensação de dever
cumprido. Tomamos banho, tiramos uma breve soneca e fomos jantar. A organização
ofereceu uma festa junina que de junina não tinha nada e, por isso, preferimos
voltar para o hotel, já que somente nós, os cariocas, estávamos caracterizados
de caipiras. No dia seguinte fomos almoçar no refeitório disponibilizado pela
equipe e constatamos de vez a incapacidade de organização. Os grupos e
companhias de teatro que contaram com o alojamento oferecido pela organização
não conseguiu dormir direito, não havia transporte para levá-los até o
alojamento, que era uma escola funcionando normalmente, o que adiou ainda mais
o descanso dos atores, pois tiveram que esperar o término das aulas. Enfim,
muita desorganização e uma comunicação pífia. A única coisa legal nesse dia foi
a roda de debate criada depois do almoço. Tivemos contato com vários grupos de
teatro, inclusive a Companhia de Teatro Andança (muito bons!).
À noite ficamos para a premiação. Como prevíramos, não fomos premiados
em nada. Também, a Célia nos inscreveu como espetáculo adulto e aí fica
difícil, né? Mas foi de propósito, já que na época ela estava pensando em
começar a nos preparar para linguagem de teatro adulto. E, como era de se
esperar, a Companhia Andança foi um sucesso, merecidamente!
PROJETO PALCO DAS ESCOLAS (OS CLOWNS BAILARINOS)
A apresentação de “Os Clowns Bailarinos”, no projeto Palco das Escolas
da COART, aconteceu no dia 27 de junho de 2012, no Teatro Odylo Costa, filho.
Foi um dia penoso para todos nós. Foi tudo muito corrido, por conta do
horário inicial da peça, não deu tempo de passarmos a iluminação, muito menos
de ensaiarmos, também não deu tempo de nos alimentarmos e até para nos
prepararmos pra entrar em cena foi um “Deus nos acuda”. Alguns de nós já
estavam exaustos antes mesmo de começar o espetáculo. Sendo assim, tinha tudo
pra dar merda!
Surpreendentemente, esta foi a apresentação na qual mais me diverti.
Adorei o clima da plateia! A cada cena pude perceber um canal de comunicação
com o público e isso, num trabalho de clown, é excepcional. Esta, pra mim, foi
de longe a melhor apresentação de “Os Clowns Bailarinos”, o que me levou a
refletir algo que a Célia, baseada em teóricos de teatro, sempre diz: o ator só
funciona bem na exaustão.
Depois da apresentação, pudemos sair e entrar em contato com o público.
Foi super legal perceber como as pessoas gostaram do trabalho e,
principalmente, perceber o quanto as crianças se identificaram conosco,
enquanto clown!
Oficina de Perna-de-pau
Eu estava há muito tempo esperando por essa oficina. Sempre achei
espetaculares as pessoas que andavam de perna-de-pau.
No primeiro dia da oficina, o grupo foi apresentado aos oficineiros: o
Martin e o Eugênio. Na verdade, nosso oficineiro foi o Eugênio, pois o primeiro
só veio na primeira aula.
Eu fiquei muito empolgado com a perna-de-pau, mas como fomos divididos
em duplas e eu fiquei com Victor, acabei deixando pra subir pra andar depois
dele. Era muito difícil ajudar quem estava sobre a perna-de-pau, pois
precisávamos ficar com os braços levantados por muito tempo. De fato, no dia
seguinte, a musculatura que mais estava dolorida era aquela envolvida com a
ajuda ao parceiro na perna-de-pau.
Eu sempre imaginei que fosse difícil se equilibrar sobre a perna-de-pau,
mas só pude perceber a verdadeira dificuldade ao utilizá-la pela primeira vez.
Todo o seu centro de equilíbrio corporal é modificado. É preciso se adaptar a
isso percebendo novas linhas e maneiras de equilíbrio, entendendo o mecanismo
das passadas, se deixando levar por um ritmo diferente no andar, etc. Como foi
custoso levantar os joelhos para andar da maneira correta, a todo instante era
preciso que o Martin e o Eugênio me lembrassem disso. Durante muito tempo
fiquei exercitando as passadas e o ritmo do andar me segurando na pilastra,
depois comecei a andar de fato agarrado à mão do Victor e por fim arrisquei
algumas passadas sem a ajuda do Victor, porém me segurando à corda de
segurança.
Na segunda aula, Eugênio teve um problema com a corda de segurança e
não conseguiu esticá-la. Por esta razão, fomos obrigados a nos desvencilhar da ideia
da corda de segurança. Agora posso perceber que essa falta da corda nos foi
positivo, pois, já na segunda aula alguns de nós já estávamos andando sem a
ajuda das pessoas. Nesta aula também, Eugênio nos mostrou a maneira correta de
se cair de perna-de-pau. Tal demonstração foi muito importante. Pudemos
perceber qual o mecanismo corporal para que a queda não fosse dolorida. Assim,
perdi um pouco mais do medo. Talvez por isso, algumas aulas depois, tive uma
queda feia. Não cai de maneira perfeita, mas não me machuquei. Em minha segunda
queda, cai como se deveria: nem barulho houve.
Fiquei muito contente quando começamos a andar sem problemas. Percebi
que ao perdermos o medo, a perna-de-pau deixava de ser um objeto separado de
nosso corpo e, psicologicamente falando, se unia a nós. Era uma extensão das
nossas próprias pernas.
Quando começamos a aprender a descer e subir escadas, senti uma
dificuldade enorme, mas na aula seguinte eu já estava bem melhor.
Foi bom ter feito esta oficina! Ela mexeu, entre outras coisas, com
meus medos. Hoje me sinto muito mais corajoso do que antes.
Fernanda Corleone / 2009 à 2012
2009
Oficina de iniciação ao teatro
Apesar de descobrir muito por acaso da aula inaugural dessa
oficina eu resolvi fazer parte daquele grupo ou ir as aulas para ver no que
iria dar. Aquele grupo que estava iniciando o processo de iniciação tinha muita
gente, as aulas eram na sala de dança
embaixo do teatrão da uerj, sala essa que eu nunca imaginei que existia.
Ao longo dos dias eu vi muita gente boa ir embora e muita
gente ruim ir também. Vi atores da cia e vi a célia, que a primeira vista
parecia muito brava, autoritaria e exigente, ela realmente parece isso tudo e é
.... rs. Mas também é uma maezona, cuida e quer ver sempre o melhor dos seus
alunos.
Ao final da oficina aprendi muitas coisas de teatro , mas
aprendi também muitas coisas sobre trabalhar em grupo, sobre ser um grupo, ter
pontualidade, ter compromisso, ter companheirismo, pensar em conjunto em prol
de um único produto final, atitude, respeito e amor por atuar, muito amor!
A minha familia toda foi ao espetáculo de final de oficina
no teatro noel rosa na uerj, minha mãe foi a primeira a levantar para aplaudir
de pé! =)
2010.1
No primeiro semestre foi trabalhado o corpo de cada um dos
componentes, dos que continuaram depois de concluir o curso de iniciação de
teatro.
Ainda fizemos uma segunda apresentação do espetáculo
“Liberdade” mas com alguns desfalques já..
Tambem demos inicio ao trabalho de “mascara neutra”. Já
pensávamos em uma sequencia de mascaras para chegar a mascara de clown e também
queriamos pesquisar e trabalhar a commedia del art, porém era necessário
começar... enfim o processo foi melhor do que eu imaginava
Logo eu, com um dos piores corpos, desengonçada e
rebolativa[ ser gordinha era um mero detalhe a mais] consegui mais do que eu
imaginava que conseguiria e amei a mascara neutra. Desde o processo de
confecção, fomos nós mesmos que fizemos e ficou muito bom de verdade!
No meio do caminho [ decorrer do ano de 2001], tivemos a
semana de oficina com Alexandrino du Carmo, trabalhamos o corpo e exercicios de
improviso guiados por ele proprio na nossa sala de encontros para exercicios, a
mesma costumeira de todos os dias de semana, o dia de inicio e término
exatamente não me lembro.
De qualquer modo foi muito proveitoso. Também percebemos
que não havia muita diferença nos exercicios, só no modo de levar o grupo eu
acho, o que seria normal acontecer pois cada um tem suas particularidades, mas
eu gostei bastante.
2010.2
Assim que começou o período de 2010.2 iniciamos o trabalho
com a mascara de clown. Eu pensei que seria facil, por ter uma ideia errada
sobre clowns.
Eu gostava de falar muito, dispersar, fazer brincadeirinhas
fora de horas, acho que confundia fazer graça com fazer rir,mas fazer sorrir é
sem comparação uma das coisas mais dificeis desse mundo e cada dia que passa eu
acredito mais nisso e aprendo mais sobre isso também.
Aprendiamos, nessa oficina, cada vez mais respeitar a figura
do clown e devagar e gradualmente iamos todos bem. Depois de um semestre de
clown fizemos uma saida para fora da uerj. [eu usei o primeiro figurino da
jessinha, é por que tive alguns, pois tenho um probleminha com figurino...rs mas
aprendi a me concentrar mais nisso hoje já estou um pouco melhor]
2011.1
Mascaras expressivas
Iniciamos o trabalho com as mascaras e nos mesmos as
confeccionamos, construimos e adereçamos, ficaram lindas! Trabalhamos uns jogos
que viraram uma sequencia de esquetes e fomos apresentar no Cap-uerj , como uma
avaliação do nosso corpo e do nosso trabalho com a mascara expressiva, foi bem
alem das minhas expectativas, novamente achei muito bom!
2011.1 e 2011.2
Voltamos [não tinhamos
parado antes, só que agora dando mais foco] para o trabalho de
construçãode espetáculo de clown e conseguimos fazer o primeiro ensaio aberto
na uerj sem murosde 2011.
Depois terminamos o trabalho com os clowns e começamos a
apresentar e até viajamos para Minas Gerais, para o 4° Profest, festival de
teatro de Congonhas do Campo. [uma experiencia sensacional e única]
Fizemos algumas apresentações mais de “Clowns Bailarinos” e
no meio de 2012 com a greve demos inicio ao trabalho da leitura dramatizada sob
direção do nosso colega ator e nesse momento nosso diretor também, Lucas
Mattos.
2012.2
Perna de pau
Pós-greve da Uerj, que não tem nada a ver conosco da
Nosconosco mas a gente bem ou mal teve que passar por ela também.
O que passarei a narrar aqui serão palavras que na minha
opinião, se resumem bem e tentam explicar momentos “tão, tão, tão” , como os que
foram estes. Poderiam ser relatados com músicas, já que várias foram cantadas
neste período, alguns juravam que a música ajudava, mas pra mim ainda não
dava... Nem as perneiras davam, rs.
Eu também poderia
descrever esses momentos com alívio, controle, leveza, equilibrio, habilidade?
Sim, por que exigia isso tudo, mas não estava contido em mim...
“Força, tenta, vai”; eu ouvia isso várias vezes e mesmo
assim as pernas tremiam, os pés formigavam e as mãos geladas suavam. Eu não
entendia por que todos ficavam em seus lugares batendo normalmente no meu corpo
mas o coração não parava quieto, pulava de baixo pra cima até a boca.
Chorei, gritei, esperneei, e não ia ter jeito, eu a seguinte
frase da Célia: “Fernanda, se voce não tentar
eu vou largar de mão, te esqueço de vez, você morre pra mim. E você sabe
que eu faço isso né?!”
Eu ri (de nervoso, claro), e depois de uma hora gasta de
vida do pobre instrutor de perna de pau tentando fechar as perneiras nas minhas
rechonchudas batatas das pernas,
levantei... Ufa!
Mas todo o processo foi muito doloroso e eu sabia que não
deveria tomar como uma tortura porém todas as segundas e quartas nos ultimos
instantes antes de descermos para as aulas no pátio da Uerj, eu me sentia como quem ia para o
campo de tortura ser massacrada...rs
Mas como toda história, para felicidade geral, fica mais
bonita quando acaba bem, eu ainda tinha no fundinho do meu coraçãozinho, que eu
conseguiria andar alguma coisinha qualquer que fosse e de fato consegui!
Entretanto as noites no pátio de pedrinhas portuguesas com
passantes perambulantes de noites torturantes, como as que foram estas ultimas
10 noites, não poderiam passar em branco.
Preciso registrar também a superação da minha mãe, Dona
Vânia, que se superou totalmente ao se reprimir em não tentar me impedir de
continuar, não por me julgar incapaz mas sim por sempre me tomar tão frágil, sua princesinha e querer me
proteger _ Mãe, eu consegui, te amo!
Bom mas os agradecimentos não poderiam parar por aí, além da
descoberta do bom amigo Saulo Rocha, muito obrigada de verdade e o prêmio de
professor revelação vai para você!
Aos instrutores, também obrigada, e ao Ludo Lopes ao imitar
o sotaque tornando o aquecimento uma hora bem mais engraçada...rs. E uma das
frases que mais me marcou foi da amiga Marcia Cazer que disse pra mim, “minha
amiga vou fechar sua perneira, não adianta você me falar que não vou conseguir,
você sabe quantas pessoas várias vezes já me disseram assim? Que eu não
conseguiria? Você também vai!”
Obrigada Marcinha querida!!!
E é isso... e se com tudo isso , por fim, algum dia alguém vier
me perguntar como é andar de perna de pau, eu vou responder que é normal, por
que por mais que eu explique ou tente expressar, vou acabar não encontrando
palavras para tal.
Pauline Suarez / 2009 à 2012
Oficina
de Iniciação ao Teatro (2009)
No ano de 2009 estava no 3º do CAp UERJ e conheci a Artes Cênicas no
próprio colégio, com a professora Maricélia Bispo e o professor Roberto Dória.
E naquele momento já tinha me apaixonado pelo teatro, pois adorava quando os
professora pediam como dever de casa assistir as peças em cartaz. Como não
tinha o hábito de ir ao teatro, foi nesse momento que conheci a minha futura
paixão.
Tive que explicar essa situação para dizer o porquê de começar uma
Oficina de Iniciação ao Teatro na UERJ. O meu amigo e colega de ano, Victor,
gostava muito de teatro e como eu, já tinha feito tanto no colégio quanto fora.
Ele me contou a professora Maricélia estava dando uma oficina na UERJ. Fomos
então lá, já tinha começado mas como ela mesmo disse, coração de mãe sempre
cabe mais um.
A oficina foi muito boa e de fato me ajudou muito para amenizar aquele
ano tão turbulento. Eu já conhecia muito bem a Célia, desde pequena, então
sabia da sua autoridade e da responsabilidade que teria que ter ao assumir esse
compromisso. Isso não foi difícil para mim.
Os exercícios de corpo foi o que foi mais diferente para mim. Ao final
do ano montamos uma colagem de textos e músicas “Liberdade”, fizemos duas
apresentações no Noel Rosa, em dezembro de 2009 e janeiro de 2011. As duas
apresentações foram maravilhosas e naquele momento confirmei mais ainda a minha
paixão pelo teatro.
Oficina
de Máscara Neutra (2010.1)
No começo do ano de 2010, com as pessoas que tinham restado da Oficina
de Iniciação ao Teatro, continuamos os exercícios de corpo que ficaram cada vez
mais pesados. Depois fizemos a oficina de Máscara Neutra, na qual
confeccionamos a nossa própria máscara, no formato exato do nosso rosto. A
máscara que só tinha furos nos olhos seria usada como sequência para chegar a
máscara de clown.
Tive muita dificuldade no início com a máscara neutra, pois ficava muito
nervosa em não conseguir respirar, já que não tinha furo no nariz. Mas depois
me acostumei e fiquei mais tranquila. No primeiro momento que usávamos a
máscara começamos a sentir nosso corpo e o próprio espaço de maneira diferente.
Fizemos alguns exercícios sem fala e sem mexer o rosto por causa da máscara,
isso fez com que o corpo falasse. O que foi fantástico!
Oficina
de Máscara de Clown (2010.2)
A oficina de clown foi para mim a melhor. Estudar sobre os palhaços foi
surpreendente e ver que de fato a máscara de clown é a menor do mundo me
fascinou.
Não vou falar que foi fácil a “Aham” (nome da minha palhaça) aparecer.
Soltar o seu ridículo e fazer o público rir é uma das tarefas que ao meu ver
são as mais difíceis.
Após o término da oficina, nós fizemos duas saídas: uma na UERJ e uma no
CAp UERJ. Percebi então que sair com o seu palhaço ajuda muito a melhorá-lo
pois ficávamos diante de situações que tínhamos que fazer os jogos
Oficina
de Máscara Expressiva (2011.1)
No primeiro semestre de 2011 fizemos a oficina de máscara expressiva.
Cada um confeccionou uma máscara que representava um personagem criado por nós
mesmos. As máscaras ficam lindas! E depois foram trocadas por outras do grupo.
Ou seja, usaríamos a máscara confeccionada por outra pessoa.
Através de diversos exercícios, foram nascendo os personagens daquelas
máscaras e não necessariamente representavam de fato o personagem que quem
confeccionou disse que era. Essa oficina ajudou muito no nosso corpo, pois como
a máscara e nosso rosto não se mexia, o nosso corpo que tinha que falar. Ao ver
o vídeo o corpo dos atores tinham se desenvolvido tão bem que às vezes parecia
que a máscara se mexia. Era impressionante!
Fizemos então algumas esquetes e apresentamos no CAp UERJ, foi uma
experiência bem legal!
Espetáculo
“Os Clowns Bailarinos” (2011.2 e 2011.1)
No segundo semestre de 2011 voltamos ao clown. Após uma decisão
democrática foi votado que montaríamos um espetáculo de clown ao invés de
começar a estudar e a montar um espetáculo de Commedia Dell’arte.
Começamos a montar o espetáculo “Os Clowns Bailarinos” e em 2011
participamos do evento UERJ sem Muros com um ensaio aberto. O ensaio aberto foi
bem legal para descobrimos o que funcionava e o que não funcionava no
espetáculo, pois este não tinha muitas falas e para saber se os jogos
funcionavam nada melhor do que a resposta do público.
Participamos de um festival, 4º Profest Teatro em Congonhas, Minas
Gerais. Como a maioria dos atores nunca tinha participado de nenhum festival,
estávamos muito ansiosos, porém o festival foi um tanto decepcionante. A
estrutura do evento, desde a organização e a falta de divulgação, pois não
tinha muito público fez com que tivéssemos esse sentimento. Porém, acredito que
o problema maior foi o fato da prefeitura não dar a mínima para o evento. A
cidade estava toda em obra, dificultando o nosso acesso ao próprio teatro e
nosso ônibus não conseguiu chegar com o cenário até a porta do teatro. Além
disso, num dos dias de apresentação (domingo) a prefeitura desligou a luz da
cidade por conta da obra. Ou seja, parecia que não queriam que o evento
acontecesse.
Se apesar desta dificuldade toda ainda tivesse um número significativo
de público e eles reagissem bem ao espetáculo, é fato que esqueceria as
dificuldades. Mas não foi isso que aconteceu.
Apesar disso tudo, toda experiência tem alguma coisa positiva, viajar
com o grupo, a união nas dificuldades e o contato com companhias de teatro de
outros lugares fez com que essa experiência não fosse em vão.
Um tempo depois da experiência do festival fizemos uma apresentação no
Projeto Escola da UERJ, no qual crianças de diversas idades de colégios
públicos vem assistir ao espetáculo no Teatro Odylo Costa Filho. Confesso que
antes de entrar em cena estava completamente nervosa e insegura, isso tudo
devido à experiência em Congonhas. Porém, as crianças me surpreenderam logo na
primeira cena em que entramos no palco de guarda chuva e capa. A cena em si não
é tão engraçada mas as crianças ao olhar para os nossos rostos gargalhavam
tanto que deu um gás absurdo! E se só na primeira cena elas estavam assim,
imaginem no resto...
Quando estava na cochia, só conseguia escutar os risos e vozes das
crianças totalmente felizes e encantadas com aquilo tudo. E ali naquele momento
esqueci completamente de Congonhas e vi: aquele é o nosso público! E é óbvio
que não estamos fazendo nada de errado!
Ao final do espetáculo, como de costume, fomos receber o público. E me
surpreendi ao perceber que não só as crianças que já eram de idades variadas,
mas adolescentes, pessoas mais velhas, além dos meus familiares e amigos, todos
pareciam ter amado o espetáculo! Foi nesse momento que para mim estreamos de
fato “Os Clowns Bailarinos”.
Depois dessa apresentação tivemos mais uma na UERJ sem Muros que também
foi tão boa quanto a anterior.
Leitura
dramatizada de “Senhora dos Afogados” de Nelson Rodrigues (2012.2)
No segundo semestre de 2012, participamos de um processo de montagem
diferente até então. Um dos integrantes da Companhia, Lucas Mattos, iria
dirigir a próxima montagem. Ele então escolheu o texto “Senhora dos Afogados”
de Nelson Rodrigues, começamos a estudar a teoria, ou seja, quem seria Nelson
Rodrigues, seus textos e especificamente o texto “Senhora dos Afogados”.
No primeiro momento, gostei da ideia, pois já tinha lido alguns textos
de Nelson e eles me interessavam. Mas por outro lado, pensava como seria aquele
processo já que nunca tínhamos trabalhado esse tipo de texto, mais trágico.
O processo não era de montagem de espetáculo e sim de uma leitura
dramatizada, algo que eu nunca tinha feito. O processo se deu da seguinte
maneira: começamos a trabalhar o texto, ou seja, a voz do personagem e só
depois as cena seriam montadas.
Eu fiz o papel de uma das vizinhas e fazia em conjunto com a Fernanda.
Tive muito dificuldade em trabalhar a voz, ao contrário da Fernanda que pegou a
voz da personagem relativamente rápido.
Depois de trabalhar a voz, começamos a colocar instrumentos na cena. E
após trabalhar todo o texto apenas com voz e instrumentos, o Lucas começou que
estava conduzindo sozinho todo o processo, começou a dirigir as cenas. Neste
momento a Célia participou um pouco dando algumas sugestões, mas a ideia
central era totalmente do Lucas.
No dia da apresentação chegamos mais cedo e foi a primeira vez que
colocaríamos todos os objetos do cenário. Infelizmente não tínhamos um espaço
adequado para a apresentação e tivemos que usar uma sala. Ou seja, além de
montar todo o cenário, este tinha que transformar a sala em um espaço mais
parecido com o de um palco. Colocamos papel nas luzes para dar um efeito
diferente em cena e textos de peças em colunas colocadas na parede atrás da
cena para melhorar aquele espaço.
Na minha opinião ficou bastante bonito o cenário do jeito que foi
montado apesar do espaço não ser o melhor. Fizemos apenas uma apresentação e
gostei bastante do resultado!
Oficina
de perna de pau (2012.2)
No final do ano de
2012, com o objetivo de montar no ano de 2013 “Romeu e Julieta”, nós começamos
a fazer uma oficina de perna de pau. Apesar de apenas os atores que fariam
Romeu e Julieta usarem a perna de pau no espetáculo, toda a Companhia fez a
oficina, pois ainda não estava definido os personagens de cada um.
A animação para a
oficina pareceu unanime. Eu, particularmente, estava muito animada e ansiosa.
Apesar do medo de altura, achava mágico ver as pessoas usarem a perna de pau e
independente da insegurança que sabia que ia sentir ao subir na perna, o meu
desejo de conseguir aquilo era muito maior.
E chegou o grande dia!
Aquele momento que saberia de fato a sensação de ficar mais alta e mais
desequilibrada. Fui uma das primeiras, pois se é para perder o medo, o quanto
antes melhor. Um dos professores, o Martin, me ajudou a subir e me segurou para
que eu levantasse. Deu uma vontade de dar aquele gritinho de nervoso. Mas ele
ficou ali como apoio. Me deixou na pilastra e fiquei com a ajuda dela me
equilibrando e aprendendo a andar.
Como um bebê que começa
a andar, a perna de pau faz com que você aprenda a andar novamente. Pois você
não senti mais seu pé no chão e é preciso andar com mais firmeza, como um
soldado. Além disso, as pernas devem ficar mais afastadas para que as perneiras
(material que segura sua perna na perna de pau) não bata uma na outra.
Depois de um tempo
treinando na pilastra, chegou uma outra etapa que me deixou nervosa no primeiro
momento. O professor colocou uma corda entre duas pilastras, ou seja, um apoio
apenas para uma mão para que nós andássemos segurando a corda. A primeira vista
achei aquilo muito mais difícil mas após experimentar, aquela corda, por
incrível que pareça me ajudou muito mais do que segurar completamente na
pilastra, como estava fazendo anteriormente.
Então andava de um lado
da corda e voltava. E assim diversas vezes. O Martin depois de um tempo voltou
e me incentivava para usar a corda só de vez em quando caso me equilibrasse. E
acho que o fato dele incentivar bastante me ajudou, pois às vezes eu só
funciono sobre pressão. E então para finalizar o momento que estava de perna de
pau, o Martin colocou a perna de pau e veio dançar comigo. Aquele momento foi
outro desafio para mim, pois não era mais ele no chão me ajudando a me
equilibrar, era ele na perna de pau também.
As aulas seguintes
foram muito importantes para se acostumar a andar com a perna de pau. Porque
basicamente você tem que treinar e cada vez mais perder seu medo. É preciso se
arriscar, sem medo de cair. A partir do momento que você perde o medo de cair,
tudo fica mais fácil.
Uma coisa muito
importante que me ajudou e tenho certeza que também ajudou muito dos outros do
grupo foi cantar junto com o andar. Não sei quem de fato teve essa ideia, acho
que foi o Victor. Percebemos que cantar músicas que tinham o mesmo ritmo do
andar ajudava e muiiito. Como “Marcha soldado”, “Flor minha flor”, entre
outras. Chegaram momentos que até cantávamos funk, pois estes tinham batidas
que ajudavam.
Começamos a
experimentar dançar em duplas, começando como o famoso “dois pra lá, dois pra
cá”, valsa. E depois já estava dançando tango com o Victor, música de festa
junina com o Saulo e aprendendo a sambar com a Luana.
Em um outro momento dos
encontros começamos a descer a escada da concha acústica, e aquele frase que
diz “descer todo o santo ajuda” não se aplicava nisso. Pois tanto para descer
quanto para subir tínhamos que segurar bastante o corpo. Mas depois de um tempo
estávamos conseguindo.
A oficina superou todas
as minhas expectativas e fiquei muito contente em superar esse medo de altura e
aprender a me equilibrar. Me divertia muito na perna de pau e aquilo não é mais
um objeto estranho para mim.
Ludo Lopes / 2009
Oficina de Máscara Expressiva
Nas primeiras etapas da oficina de
Máscara expressiva, confesso não conseguir enxergar uma possibilidade de
sucesso no processo. Foi decidido que utilizaríamos bexigas como molde para as
máscaras e, como as bexigas eram muito pequenas e compridas, me causou certo
incômodo quanto ao formato da máscara.Os primeiros momentos do processo das
oficinas de máscaras sempre me parecem como um pesadelo, embora eu tenha
habilidades manuais para a confecção das mesmas. Não tenho paciência para
recortar papel em pequenos quadrados (quanto menos, melhor); Depois, vem a
parte de colar tais quadradinhos de papel sobre a bexiga, outro suplício: São
várias camadas de papel colado que parecem nunca chegar ao fim. Nessa época, a
disformidade e a falta de cor das máscaras me faziam duvidar de que tal
processo iria dar em alguma coisa.Quando começamos a pintar as
máscaras, decidi por criar um personagem negro, daí surgiu a idéia de moldar e
pintar um integrante de uma tribo aborígene australiana. Enquanto a máscara
estava pintada de preto, não tinha expressividade alguma, mas já não mais
parecia uma máscara disforme: começava a sinalizar um propósito. Porém isso só
ficou bem marcado quando pintei os grandes olhos, a boca vermelha e as pinturas
características daqueles povos. Após colar o cabelo (um naco de palha de aço),
a máscara me parecia bem mais viva e só então pude pensar em uma anamnése para
a mesma e, pra mim, ela não poderia seguir outro caminho, qualquer que fosse.Quando fizemos o “mercado de
máscaras”, meio que a Célia juntamente conosco decidiu distribuir as máscaras,
fiquei por demais induzido a pegar muito mais algumas máscaras do que outras,
no entanto acabei ficando com uma das que eu menos gostaria de pegar. Isso por
conta da dificuldade que eu imaginava ter quando tivesse que dar vida a ela. A
máscara confeccionada pela Márcia Cazér me parecia, desde o início do processo
uma das mais difíceis de capturar seu “espírito”.Senti uma dificuldade enorme em
entender a máscara e liberá-la! É bem verdade que não gosto de máscaras. Sempre
me sinto sufocado, tenho a impressão de que minha respiração está dando pra ser
ouvida há metros de distância e, embora entenda a limitação de visão atrás da
máscara, não consigo me acostumar.Apesar de todos os contras, que
partiram muito mais de mim do que de todo o resto do processo, fiquei
satisfeito. Embora tenha alguns problemas técnicos em relação ao uso da
máscara, no geral acredito ter alcançado o objetivo da oficina.Me surpreendi muito ao ver as uniões
entre as máscaras em cenas criadas pelos próprios atores. Percebi que toda a
disformidade das máscaras haviam ficado pra trás e que era possível trazê-las à
vida. Gostei muito de algumas cenas e fiquei surpreso com a expressão das
máscaras. Senti falta de uma troca de máscaras entre os atores. Assim iríamos
experimentar outras possibilidades.
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